Domingo, 15 de Setembro de 2019
AGRESSÃO

Professor denuncia agressão e ameaças de tenente-coronel em Colégio Militar de Manaus

O professor de língua portuguesa teria sido agredido com um tapa na cara, após uma discussão entre os dois dentro da escola. A Seduc e o Comando da Polícia Militar informaram que estão apurando o caso



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27/08/2019 às 19:05

Uma discussão entre um professor de língua portuguesa e um tenente-coronel da Polícia Militar acabou em agressão e ameaças nesta terça-feira (27), no Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM1), no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. O caso foi relatado pelo próprio professor, Anderson Rodrigues, de 32 anos, que disse ter sido agredido pelo gestor da escola, o tenente-coronel Cézar Andrade.

Em nota, a Seduc e o Comando da Polícia Militar (PMAM) informaram que foram notificados pela Coordenadoria Distrital de Educação 2 do fato ocorrido entre os dois servidores e que estão apurando o ocorrido para tomar as devidas providências, respeitando o direito ao contraditório e ampla defesa de ambos os servidores.

Conforme Anderson, a confusão que originou a agressão contra ele aconteceu após ele ter se recusado a falar com o direitor sem a presença de um advogado. Segundo ele, os dois já possuem um histórico de desavenças devido a Anderson discordar de alguns métodos pedagógicos e administrativos utilizados na escola.

“Quando me recusei a comparecer na sala dele sem um advogado, ele veio até a sala dos professores pedindo para que eu assinasse um livro com três ocorrências, o que eu neguei. Ele [coronel] então me pediu para que eu saísse da escola e, ao chegarmos na área externa da escola, ele tentou me levar até o carro dele, dizendo que iríamos até a coordenadoria distrital. Quando me neguei a ir e falei que iria ligar para o meu advogado, ele me deu um tapa no rosto”, contou.

Ainda segundo Anderson, o momento da agressão foi testemunhado por estudantes, militares e por funcionários que estavam realizando a entrega de materiais para merenda escolar.

“Os meus óculos chegaram a cair devido a violência do tapa. Fiquei sem reação no momento pois não estava acreditando que aquilo estava acontecendo dentro do meu local de trabalho. Fiquei sem chão, na verdade”, disse.

Ameaças

Logo após a agressão, Anderson informou à reportagem que foi conduzido a mando do tenente-coronel até uma guarita, momento em que o gestor da escola teria realizado ameaças contra o professor manuseando uma arma.

“Chegando à guarita, ele tirou a arma dele do coldre e apontou para a minha cara dizendo para que eu sumisse da escola e esquecesse da existência do CMPM. Ele ainda chegou a dizer ‘caso você não saia, tu vai ver o que vai acontecer contigo”, relatou.

Um boletim de ocorrência em nome do professor Anderson Rodrigues registrado no 3º Distrito Integrado de Polícia (DIP), também no bairro Petrópolis, relatando a agressão e as ameaças. Anderson também esteve presente, na tarde desta terça-feira (27), no Instituto Médico Legal, onde realizou exame de corpo de delito, acompanhado de representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam).

A Seduc informou que até o momento não havia recebido notificação de qualquer ato que afetasse a integridade física de ambos, mas que seguem apurando o caso. “Informamos ainda que os mesmos serão ouvidos pelo Departamento competente de suas instituições para apuração do caso”, disse a nota.

Nota de repúdio

Após o ocorrido, o Sinteam divulgou uma nota de repúdio tratando o caso como agressão e assédio moral, que segundo o sindicato, acontecem de forma mais incisiva em escolas geridas pela Polícia Militar.

"Mais um professor agredido dentro do seu ambiente de trabalho. Mais um porque as denúncias de assédio moral acontecem diariamente. Nas escolas administradas pela Polícia Militar elas acontecem de forma mais incisiva. Muitos colegam se calam porque o assédio moral é difícil de provar. Mas o caso de hoje tem, além de testemunhas, provas físicas. O professor Anderson Pimenta foi agredido e ameaçado de transferência com uma arma apontada para seu rosto porque se recusou a fazer o que o tenente-coronel Cézar Andrade 'mandava'. É lamentável que o diálogo tenha sido deixado de lado. É lamentável que professores passem por isso", disse a nota da direção do sindicato.

Segundo a presidente do Sinteam, Ana Cristina, o sindicato irá buscar as medidas cabíveis para responsabilizar o coronel.

“É preciso que a Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc) tome um posicionamento. Nós enquanto sindicato, além de prestarmos apoio e solidariedade ao nosso colega, vamos tomar todas as providências cabíveis dentro da lei. O profissional não pode ser desrespeitado dessa forma na sua profissão”, comentou a presidente, ao destacar que também iria acompanhar o professor até a Corregedoria de Polícia do Amazonas para relatar sobre o ocorrido.

A nota da Seduc e da PMAM encerra reforçando que as instituições repudiam de forma veemente qualquer tipo de conduta violenta ou desrespeitosa por parte de qualquer membro do corpo escolar.

A reportagem de A CRÍTICA tentou contato com o tenente-coronel, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), mas não obteve sucesso.

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Repórter de A Crítica

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