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URNAS

PT, PSL e MDB foram os partidos que mais faturam cargos na eleição

Juntas as três legendas conquistaram uma em cada quatro vagas em disputa no primeiro turno: 443 das 1.760 cadeiras 17/10/2018 às 01:34 - Atualizado em 17/10/2018 às 08:17
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Foto: Thiago Rocha
acritica.com Manaus (AM)

Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que o PT, de Fernando Haddad, o MDB, de Michel Temer, e o PSL, de Jair Bolsonaro, foram os três partidos que mais elegeram candidatos no último dia 7, de acordo com matéria do Congresso em Foco.

Juntas, as três legendas conquistaram uma em cada quatro vagas em disputa no primeiro turno: 443 das 1.760 cadeiras. Das 35 siglas existentes no País, apenas três – PCB, PCO e PSTU – não conseguiram eleger ninguém para nenhum cargo.

No levantamento, o Diap  informa  que 153 petistas, 149 emedebistas e 140 correligionários de Bolsonaro saíram vitoriosos do primeiro turno em todo o país. O MDB e o PT emplacaram candidaturas em todos os cargos possíveis, à exceção de presidente, cuja definição se dará em 28 de outubro.

O PT elegeu três governadores, quatro senadores, e os respectivos quatro suplentes. Além da maior bancada na Câmara Federal com 56 deputados. Nas Assembleias Legislativas Estaduais, a legenda emplacou 83 parlamentares. Fez um vice-governador e um dois deputados distritais.

Dono de uma das menores representações até então, o PSL só não elegeu deputado distrital, governador e vice. No embalo da onda de Bolsonaro, elegeram-se 76 deputados estaduais, 52 federais, 4 senadores e 8 suplentes. A legenda bateu dois recordes: fez de Eduardo Bolsonaro (SP) o deputado federal mais votado da história do país, com mais de 1,8 milhão de votos, e de Janaína Paschoal (SP) a estadual com maior votação em todos os tempos, com mais de 2 milhões de votos.

O PSL será a maior bancada nas assembleias legislativas de quatro estados: Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Por outro lado, o MDB foi o partido que mais encolheu. A legenda do presidente mais impopular da história recente do Brasil viu sua bancada de deputados estaduais ser reduzida em um terço. Caiu de 142, número de eleitos em 2014, para 93.

O PP, com 121, e o PSDB, com 112, completam o ranking dos cinco partidos com mais eleitos até o momento. Os números ainda vão mudar com a definição do segundo turno em 14 estados. Os tucanos, que não elegeram nenhum candidato a governador no dia 7, disputam em cinco estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

Campeão de votos

Eduardo Bolsonaro (PSL) se reelegeu com 1.843.735 votos. Foi a maior votação obtida por um deputado.  Dos 27 mais votados em cada unidade federativa, ao menos 11 têm histórico familiar na política, seis são policiais ou militares e dois apresentam programas policialescos de TV.

Congresso mais plural e retrógrado

O Congresso Nacional que saiu das urnas este ano tem uma direita, e sobretudo a extrema-direita, consideravelmente mais forte. A esquerda um pouco maior na Câmara e mais ou menos do mesmo tamanho no Senado, segundo o Congresso em Foco. O centro  encolhido por conta das derrotas sofridas por MDB e PSDB, que perderam 38 parlamentares, considerando o atual tamanho de suas bancadas.

Mais mulheres, mais negros e mais deficientes. Pela primeira vez na história do País, teremos um senador assumidamente gay: Fabiano Contarato (Rede-ES), delegado da Polícia Civil que estreou na política derrotando nas urnas dois veteranos políticos que as pesquisas apontavam como favoritos. Aos 27 anos, o também capixaba Felipe Rigoni (PSB) se tornou o primeiro deficiente visual a conquistar uma cadeira na Câmara.

Veremos ainda a primeira mulher indígena a ostentar o broche de deputada federal. Joênia Wapichana (Rede-RR), que se formou em Direito para defender melhor a causa dos povos indígenas, estará sob o mesmo teto que o ex-ator pornô Alexandre Frota (PSL-SP), eleito deputado com o discurso da promoção dos valores da família que forma um dos pilares do movimento ultraconservador capitaneado por Jair Bolsonaro.

O Congresso será ao mesmo tempo mais plural, mais diversificado e mais retrógrado. Abrirá espaço para lideranças que ganharam força a partir das manifestações de 2013 – como Kim Kataguiri (DEM-SP), à direita; e Tabata Amaral (PDT-SP) e Sâmia Bomfim (Psol-SP), à esquerda – e, simultaneamente, ampliará o espaço institucional do bolsonarismo.

Comentário: Luiz Fernando Santos, cientista social

Primeira coisa a observar desse cenário que resultou das urnas no plano do parlamento é que a tal da minirreforma que foi proposta e começou a valer a partir dessas eleições era uma "furada".

A pulverização das organizações partidárias no Congresso permanecem, porém também permanece em condições que já conhecemos, um Congresso extremamente conservador, que aprofunda as condições de reacionarismo. O que quero dizer é que nem todo o projeto conservador necessariamente é um projeto reacionário, mas quando se olha um Congresso e se olha o número de parlamentares no plano estadual, representantes da base do (Jair) Bolsonaro aí você fica preocupado. Nós temos um congresso que além de ser extremamente conservador, ele claramente e publicamente f az uma guinada a uma posição reacionária.

Esse conjunto de siglas  e a sua performance eleitoral mostra que o Brasil vai permanecer fraturado e que o próximo presidente vai ter que lidar com essa base pulverizada no Congresso. Seja Bolsonaro, seja Haddad, eles não tem a maioria no Congresso e vão ter que negociar com os ditos partidos conservadores e com os partidos reacionários, ou seja, qualquer uma das duas agendas não vão se impor da forma como os candidatos publicamente defendem nessa corrida presidencial. Nós ainda vamos ter uma conjuntura de profunda crise política. Os embates continuarão duros no Congresso.

PMB que chegou a somar 21 deputados zerou na Câmara

De acordo com o levantamento Diap, publicado pelo Congresso em Foco, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) não conseguiu eleger  nenhum deputado federal. Também não conquistou nenhum mandato no Senado ou de suplente, de governador, deputado distrital. Elegeu apenas três deputados estaduais. 

Fundado em 2008, a sigla obteve registro no TSE em 29 de setembro de 2015. Em novembro de 2015, o partido recebeu seus primeiros filiados com mandato no Congresso Nacional: os deputados Domingos Neto (CE, ex-PROS), Ezequiel Teixeira (RJ, ex-SD), Pastor Franklin (MG, ex-PTdoB), Toninho Wandscheer (PR, ex-PT), Valtenir Pereira (MT, ex-PROS), Victor Mendes (MA, ex-PV) e Weliton Prado (MG, ex-PT).

Em 11 de dezembro o partido já contava com 22 deputados, dentre os quais apenas duas mulheres, Brunny e Dâmina Pereira. A representação feminina da bancada do partido, mesmo quando ela ainda contava com apenas dezoito deputados e duas deputadas, já era inferior à média da Câmara dos Deputados.

A significante migração de congressistas ao PMB, a maioria  eleita por partidos de pouca expressão resultou em acusações de uso da verba do fundo partidário para a captação de deputados, o que o partido negou à época.

Em dezembro de 2015, o PMB filiou o seu primeiro senador, Hélio José (DF, ex-PSD). Em janeiro de 2016 estava entre as dez maiores legendas da Casa – ficando à frente de partidos tradicionais como DEM, PDT, PRB, PV, PC do B e PSC.

Em dois meses a legenda desmoronou: 20 deputados subitamente abandonaram o PMB, mantendo o partido com apenas um parlamentar na Casa – tornando o PMB a menor legenda dentro da Câmara, que terminou por abandonar a sigla em abril de 2018. O único nome do partido no Senado Federal, Hélio José (DF) tambem saiu do partido e migrou para o PMDB.

No pleito de 2016, o partido elegeu apenas 4 prefeitos e pouco mais de 200 vereadores. Com mais de 38 mil membros, o PMB é uma das siglas que mais tem mulheres proporcionalmente filiadas.

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