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Manaus
TRANSTORNO

Quatro meses após flagrante de remédios vencidos, CCZ segue sem realizar castrações

Nesse período, pelo menos 4,5 mil animais deixaram de ser castrados em Manaus, considerando que eram feitas, em média, 55 cirurgias por dia 07/07/2018 às 04:32
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Foto: Arquivo/AC
Priscila Rosas Manaus (AM)

Amanhã, dia 8 de julho, completa quatro meses que os serviços de castração e microchipagem feitos nas unidades do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) foram suspensos pela Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa). Nesse período, pelo menos 4,5 mil animais deixaram de ser castrados, considerando que eram feitas, em média, 55 cirurgias por dia.

No dia 8 de março, uma comissão de vereadores flagrou a existência de medicamentos fora da validade na sede do CCZ, na Compensa, durante uma fiscalização. Conforme a denúncia, eles seriam utilizados em procedimentos pré e pós-cirúrgicos.

Após a repercussão negativa do caso, a Semsa suspendeu no mesmo dia os procedimentos e instaurou uma comissão de sindicância investigativa para apurar as possíveis irregularidades. Questionada sobre o resultado da investigação interna, a pasta não confirmou com veemência se ficou provado que os medicamentos vencidos estariam sendo usados, mas deixou isso nas entrelinhas ao informar que “uma análise aprofundada das denúncias” resultou na exoneração da direção do centro.

A suspensão do serviço, que nas clínicas veterinárias particulares custa cerca de R$ 60, contribui para o descontrole populacional de cães e gatos na capital.

“O CCZ é um órgão que realmente as pessoas fazem uso. Eu e outros protetores fazemos o trabalho de conscientização de que as pessoas precisam castrar e vacinar seus animais. Cada ninhada tem sete, oito, dez filhotes, então fica difícil. Isso tem que ser feito para, ao menos, amenizar o caos que está Manaus com tantos animais sendo atropelados, passando fome e frio, com cinomose e parvovirose. É uma questão de humanidade, por causa do amor que sentimos por eles mas é também questão de saúde pública”, ressaltou a bióloga Rose Aguiar, 32.

Rose Aguiar contou que, antes da fiscalização no CCZ, tinha marcado uma castração para a sua cadela no local, por meio da ONG Anjos de Rua, mas ao chegar o dia, descobriu que o serviço estava suspenso. Outras duas pessoas da ONG também ficaram sem as castrações.


Medicamento vencido encontrado durante visita de vereadores ao CCZ. Foto: Divulgação

Para a voluntária da ONG Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata) Jéssica Vitória, o serviço de castração oferecido pelo CCZ era essencial. “Ele ajudava muito, não só para nós, que somos voluntários da causa, mas para a população em geral”, observou.

“Só o fato de saber que o CCZ usava medicação vencida é o que mais nos revolta, mesmo sabendo que essa inatividade deles significa que tem um monte de ninhadas nascendo pela cidade inteira. Nós esperamos de coração que a reativação do serviço de castração seja feito do modo correto”, acrescentou.

A Semsa por sua vez ressaltou que o único procedimento que está suspenso é o cirúrgico. “O centro continua realizando vacinação antirrábica animal, visitas zoosanitárias, controle de animais sinantrópicos e Educação em Saúde e Guarda Responsável de Animais”.

Sem investigações externas

O delegado Abrahão Serruya, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), comunicou que na unidade não foi registrada nenhuma ocorrência referente ao caso de medicamentos fora de validade utilizados no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), tendo em vista que à Dema compete apenas os crimes ambientais e maus tratos a animais.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária  (CRMV-AM), por sua vez,  informou em nota que não consta nenhuma denúncia formal sobre este caso em seu sistema.

Já o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) também foi procurado pela reportagem para informar se há alguma investigação em curso sobre os medicementos vencidos no órgão, mas a equipe  não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

Convocações derrubadas

A vereadora Joana D’Arc (PR), que capitaneou a fiscalização em março, informou que foram feitos requerimentos junto a Câmara Municipal de Manaus (CMM) convocando o secretário da Semsa, Marcelo Magaldi, e a ex-diretora do CCZ, Márcia Tereza, para prestarem esclarecimentos sobre o caso dos medicamentos vencidos e sobre a retomada dos serviços de castração e esterilização, mas ambos foram derrubados pela base aliada do prefeito.

“Já são quase quatro meses sem castração, isso significa perder quase 60 castrações por dia, tanto na unidade do CCZ sede quanto nos castramóveis. Em 2 de agosto de 2017, eu fiz um requerimento solicitando a reforma do CCZ justamente por saber que a situação é precária, daí precisou acontecer essa fiscalização para detectar e agora a prefeitura informou que vai fazer a reforma”, disse a parlamentar.

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