Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ASSEMBLEIA

Rodoviários devem discutir intenção das empresas de retirar cobradores

A medida, que se aplicada por parte das empresas de ônibus, vai prejudicar, segundo o sindicato dos rodoviários, pelo menos três mil trabalhadores



aagora_cobrador_8989F8A9-44CE-4541-B5C9-ECF9B9E4F4EA.JPG Tema já é alvo de projetos de lei que tentam assegurar os empregos. Foto: Jair Araújo
30/07/2019 às 08:36

A possibilidade de apenas os motoristas de ônibus continuarem operando no sistema de transporte coletivo de Manaus está preocupando o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM). A categoria, diz que testes continuam sendo feitos e por isso uma Assembleia Geral da categoria foi convocada para o próximo dia 6 com objetivo de discutir a proposta.

A medida, que se aplicada por parte das empresas de ônibus, vai prejudicar, segundo o sindicato dos rodoviários, pelo menos três mil trabalhadores. “Na reunião  a gente vai tratar da retirada dos cobradores. É somente sobre isso e vai ser feita porque já identificamos alguns ônibus rodando sem cobradores no final de semana”, disse o diretor do sindicato, Elcio Mota.

De acordo com ele, alguns  veículos já rodam nas Zonas Norte e Leste apenas com o motorista como cobrador. “Nós já vimos as gavetas dos cobradores na parte do motorista, no capô do ônibus. Nós vamos reunir para definir o que vai ser feito, tomar uma decisão do que vamos fazer juntamente com a categoria se isso realmente acontecer”, concluiu sem detalhar possibilidade de greve.

A situação não foi negada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que informou por meio de nota que algumas linhas de ônibus estão circulando sem cobradores em caráter de teste, em linhas com baixa demanda aos domingos.

Esses estudos, não são novos. No ínicio do ano a reportagem de ACRÍTICA mostrou que testes já estavam sendo feitos por algumas empresas. Na época o Sinetram afirmou que os empresários estavam fazendo isso de forma individual, sem nenhuma determinação do sindicato, mas não descartou a possibilidade da retirada dos cobradores.

Na matéria, publicada em Abril desse ano o Sinetram disse que o assunto estava sendo avaliado junto aos órgãos de transporte municipal, já que na avaliação do sindicato patronal o cobrador custa cerca de 0,70 centavos da tarifa estipulada hoje (R$ 3,80).

Lei

O assunto,  levantando pelas autoridades e repudiado pelos profissionais do ramo, virou até proposta de projeto de lei na Câmara municipal de Manaus (CMM). O projeto,  em tramitação, visa manter o emprego de mais de três mil cobradores das empresas que operam no sistema, que ficariam desempregados caso a medida fosse implementada na capital.

A proposta de lei, do vereador Jaildo Oliveira, dispõe sobre a não extinção do cargo de cobrador no sistema de transporte coletivo urbano. Outro projeto, também do vereador, prevê atribuição exclusiva de motoristas.

Medida já é realidade em capitais

No início do  ano um levantamento  feito pela Associação Nacional de empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostrou que quase metade das capitais brasileiras já não tem cobradores de ônibus no transporte coletivo. O estudo, publicado em março apontou que pelo menos 56 cidades dispensaram, total ou parcialmente, os profissionais nas linhas de ônibus. Entre as capitais, 14 das 26 adotaram a medida, entre elas Belém, Belo Horizonte, Florianópolis, Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Macapá, Natal, Palmas, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória.

Os dados da associação mostram ainda que o Brasil tem cerca de 3.300 municípios com serviço de ônibus municipal e a retirada dos cobradores representa um corte de custos para as empresas, o que pode ajudar a baratear a passagem.

Repórter de A Crítica

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