Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
DIA DAS CRIANÇAS

Sem comemoração, crianças venezuelanas passam data entre semáforos de Manaus

Na data em que os pequenos são celebrados, milhares de meninas e meninos refugiados lutam por comida, remédios e direitos básicos como educação



11/10/2019 às 21:53

Em meio aos semáforos, buzinas e as luzes dos faróis de carros, a alegria das crianças venezuelanas ganha destaque em uma das esquinas da avenida Efigênio Sales, na Zona Centro-Sul de Manaus. Elas brincam na tentativa de diminuir o caos vivido por suas famílias em meio à dificuldade financeira, enquanto suas mães e pais vendem águas, bombons ou seguram placas pedindo ajuda para comprar ao menos um lanche para seus filhos. Infelizmente, este é o retrato de muitas crianças venezuelanas na capital amazonense e também o contraste entre de um mundo colorido em meio à escuridão neste dia 12 de outubro, data em que é comemorado o Dia das Crianças.

Exemplo disto é a história do pequeno Jose Rafael, de 6 anos, filho da dona Carmen Bello. Há cinco meses em Manaus, eles vivem as custas da venda de bombons nos semáforos. Ao ser questionado sobre qual presente desejaria ganhar na data de hoje, sequer veio um brinquedo em sua mente.



“Precisamos de ajuda para que possamos sair daqui e não ficar todos os dias pegando sol, porque eu não gosto de estar aqui (nas ruas), me dá cansaço, fico com muito sono e também doente, e minha garganta dói, tenho febre, mas graças a Deus tudo sempre acaba bem, apesar de faltar remédios (...) Só quero um trabalho para meu pai e mais nada”, disse o menino com lágrimas nos olhos, momentos após receber uma doação de lanches.

Foto: Clovis Miranda/Freelancer

Ao ver as declarações de seu filho, Carmen o enaltece, dizendo que ele é um menino inteligente, obediente, que ama estudar e que, assim como ele, muitos dependem da boa ação dos outros para ter o mínimo para se viver.

A história se repete com Erika Jose, de 19 anos, mãe do pequeno Erikc Daniel, de 1 ano, que ao invés de presentes para o filho, também pede remédios, pois há dias seu bebê está com febre e resfriado, em decorrência à exposição ao sol e ao sereno.

“Estamos aqui todos os dias em busca de ajuda para comprar comida, bebidas e conseguir viver. Estou solteira, mas as pessoas são solidárias e sempre nos  ajudam. Eu sonho que meu filho um dia possa estudar e que eu esteja trabalhando para proporcionar o melhor para ele”, disse a jovem que também está há cinco meses em Manaus.

Foto: Clóvis Miranda/Freelancer

Mãe solteira,Yulitza Josefina, de 19 anos, grávida de 6 meses do pequeno Edder, vive um drama ainda maior. Ela está prestes a ter seu bebê e não tem sequer um familiar para acompanhá-la. Ela explica que praticamente fugiu de sua Terra Natal, pois, apesar de todas as circunstâncias vividas na capital amazonese, aqui ainda é melhor para ter e criar o seu bebê.

“É forte a diferença entre as crianças que estão aqui (nas ruas) para as outras que tem tudo. Lamentavelmente agora não tenho muitos recursos, estou sozinha, grávida, preciso de vitaminas, roupas para grávidas, entretanto, mesmo assim prefiro ficar aqui do que na Venezuela, apesar de toda esta solidão”, lamentou.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), devido o fluxo intenso e diário na entrada e saída de pessoas venezuelanas em Manaus, é impossível informar o número exato de pequenos venezuelanos na capital.

O órgão afirma que nos abrigos estão acomodadas 486 crianças e adolescente e que outras 3,8 mil estão matriculadas na Rede Pública de Ensino Municipal e Estadual.

Foto: Clovis Miranda/Freelancer

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Repórter de A Crítica
Jornalista formada em 2014 pela Uninorte e pós-graduanda em Gestão de Redes Sociais e Marketing Digital pela Fametro, começou em A Crítica como repórter de esportes em 2016. Hoje atua na editoria de política e economia, com uma enorme paixão pelo jornalismo investigativo.

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