Ato no Largo São Sebastião faz parte de uma mobilização nacional contra o presidente Jair Bolsonaro, agendada para várias capitais do País; em Manaus, não houve contatos para participação de movimentos de esquerda
Movimentos de direita liderados pela Movimento Brasil Livre (MBL) no Amazonas, que já apoiaram o presidente Jair Bolsonaro, ocuparão neste domingo (12), o Largo São Sebastião, no Centro, em protesto contra o outrora aliado. A mobilização no estado faz parte de um movimento nacional que conta com a participação de centrais sindicais e presidenciáveis.
No Amazonas, além do MBL, o partido Novo, Movimento Livres, que se desmembrou do Partido Social Liberal (PSL), com a eleição de Bolsonaro à presidência, e a União Jovem Liberal (UJL) vão marcar presença no ato.
Não existe previsão de partidos de esquerda participarem da manifestação que ocorre às 09h00, no Centro. Segundo o presidente do MBL Amazonas, Jhony Lima, o MBL não procurou a esquerda e nem partidos de esquerda no Amazonas procuraram o Movimento Brasil Livre para participar do ato.
No entanto, segundo Lima, não quer dizer que a esquerda esteja impedida de participar. O slogan Nem Lula nem Bolsonaro' chegou a ser retirado em busca de unidade pelo impeachment. O pré-candidato à Presidência pelo PDT, o ex-ministro Ciro Gomes confirmou presença no protesto anti-Bolsonaro, assim como o ex-ministro da saúde da gestão Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta. Ambos devem participar em São Paulo, onde também deve marcar presença o vice-presidente da Câmara, o deputado pelo Amazonas Marcelo Ramos (PL).
Yan Evanovick (PCdoB), uma das lideranças que esteve à frente das manifestações de esquerda contra Bolsonaro no Amazonas, disse que a prioridade é convencer candidatos a descerem do palanque e convencê-los a participar das manifestações. Evanovick defende um movimento nacional de todas as forças que se opõem a Bolsonaro. Neste ano, só no Amazonas, a esquerda convocou 4 manifestações.
"Tenho defendido uma convocação nacional unitária que possa integrar todo mundo que for fora Bolsonaro. Nem dou esse destaque o MBL, porque acho que o MBL, nesse processo, não é um ator importante. Agora é momento de focar no Fora Bolsonaro e depois os partidos pensam em eleição", afirmou.
O governador de São Paulo, João Dória (PSDB), outro que pleiteia a cadeira presidencial em 2022, afirmou que sua participação nos atos ainda está em avaliação. O tucano visita Manaus neste fim de semana.
RESPOSTA
As manifestações do dia 12 de setembro têm sido organizadas pela oposição como uma resposta aos atos pró-governo realizados no feriado do Dia da Independência. Apesar de ter parte da oposição protestando no feriado, o movimento foi amplamente dominado por apoiadores do presidente.
Apesar das divergências ideológicas, 5 das 6 principais centrais sindicais brasileiras aderiram ao protesto convocado pelo MBL. A avaliação foi de que o momento exige união de todos que são contrários ao governo de Jair Bolsonaro.
Jhony Lima chamou de “desinformados” os manifestantes que participaram de atos convocados por movimentos de direita ligados a políticos simpatizantes a Bolsonaro, como o Direita Amazonas, que organizou a manifestação na Ponta Negra. Essa manifestação teve um público de 5 mil pessoas, segundo o próprio movimento.
“É um bando de desinformados que são manipulados pelo presidente com esse tipo de pauta antidemocrática. A maioria das pessoas são desinformadas, porque estão exigindo uma coisa que não existe. No universo paralelo deles o problema é o STF”, criticou.
A fim de marcar posição, movimentos sociais e partidos de esquerda se manifestaram no Dia da Independência. Em Manaus, a esquerda aproveitou o Grito dos Excluídos e Excluídas, movimento ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocorre tradicionalmente na semana da pátria. O evento ocorreu no Largo do Mestre Chico, na Zona Sul e contou com centenas de pessoas.
HISTÓRICO DE ATOS PÚBLICOS
O MBL ganhou projeção por convocar manifestantes às ruas em 2015 pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A figura mais conhecida do movimento é o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP).
Com a eleição de Bolsonaro, o movimento passou a apoiar o presidente. Apesar de atualmente se declarar oposição ao governo federal, parlamentares ligados ao MBL apoiam e até votam favoravelmente no Congresso Nacional à pauta econômica de Bolsonaro.