Sábado, 14 de Dezembro de 2019
DECISÃO

Tropical Hotel vai a leilão no Rio de Janeiro por R$ 182 milhões em dezembro

Hotel de luxo localizado no bairro Ponta Negra será leiloado no dia 16 de dezembro pela  4ª Vara Empresarial do TJ-RJ



24-Tropical-Manaus-Hotel_8D743640-F83B-461E-ACB2-63D1F01B5BEC.jpg Foto: Divulgação
18/11/2019 às 07:31

O complexo hoteleiro do Tropical Manaus, localizado na praia da Ponta Negra, será leiloado no dia 16 de dezembro pela Justiça do Rio de Janeiro. De acordo com o edital do leilão, o imóvel, com área de 235,2 mil metros quadrados, está avaliado em R$ 182,1 milhões. O despacho foi assinado pelo juiz da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Paulo Assed Estefan.

O hotel de luxo que já recebeu reis, príncipes, celebridades internacionais, presidentes e comitivas de Estado parou de receber hóspedes em maio deste ano depois da interrupção no fornecimento de energia elétrica devido a dívidas de mais de R$ 8 milhões com a Amazonas Energia.



Localizado às margens do Rio Negro, o hotel foi inaugurado em 1976 pelo antigo Grupo Varig. Com a falência da companhia aérea, o hotel de selva foi afetado e passou a ter gestão própria, sendo o único do grupo a manter a marca Tropical.

O edital do leilão foi extraído dos autos da falência da FRB PAR Investimentos S.A., Varig Participações em Serviços Complementares S.A. VPSC, Companhia Tropical de Hoteis, Companhia Tropical de Hoteis da Amazônia, Tropical Hotelaria LTDA e Oceano Praia Hotel LTDA. O advogado e administrador da massa falida, Pedro Cardoso, explicou que o leilão acontecerá no Rio de Janeiro promovido  pela 4ª Vara Empresarial do TJ-RJ, pois é onde foi decretada a falência do empreendimento pertencente a um grupo empresarial também proprietário de outros imóveis.

Lance

O leilão será realizado no auditório do Sindicato dos Leiloeiros do Rio, sob o comando do leiloeiro público Jonas Rymer, por lance oral. A arrematação acontecerá, em primeira sessão, mediante lance igual ao da avaliação, de R$ 182,1 milhões, e na ausência de interessados será oferecido, em segunda sessão, o imóvel pela quantia de R$ 120 milhões para pagamento à vista.

Conforme o edital, interessados em participar do leilão deverão oferecer caução (garantia legal) no valor de 5% do lance mínimo, o equivalente a R$ 6 milhões, por meio de depósito judicial até o dia 12 de dezembro, garantida a devolução imediata àqueles que não se consagrarem vencedores.

Em julho, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11) anunciou o leilão do hotel, avaliado em R$ 60 milhões. Com a venda, o TRT11 buscava ressarcir direitos trabalhistas, além de pagar outras dívidas. Todavia, por divergências no valor da avaliação, o desembargador David de Mello Júnior suspendeu o procedimento.

“Pela lei falimentar todos os credores devem receber em igualdade de condições. Conseguimos suspender o leilão e a avaliação estava muito abaixo do valor. A proposta que consta nos autos é, aproximadamente, 60 ou 65% do valor de avaliação e, provavelmente, se não tiver outra oferta acima desse valor, o juiz deve homologar o leilão aceitando a proposta de R$ 120 milhões”, afirmou o advogado.

Hotel encerrou atividades em  maio

O Tropical Hotel suspendeu as atividades comerciais por tempo indeterminado após a Amazonas Energia cortar o fornecimento do local devido a uma dívida estimada em R$ 8 milhões. A concessionária informou que há mais de 20 anos ocorrem diversas tentativas de negociações com o hotel. O empreendimento até tentou funcionar com gerador, mas o sistema sobrecarregava diariamente.

Os débitos trabalhistas da Companhia Tropical de Hoteis da Amazônia, responsável pela gestão do hotel, com funcionários e fornecedores, são superiores a R$ 2,6 milhões, e só de IPTU são quase 12 milhões de saldo negativo, de acordo com o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região.

A dívida trabalhista que o estabelecimento acumula pode chegar a R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro do Estado do Amazonas (SindHotel-AM). Desde 2011, a administração do hotel não depositava o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários.

“Com a venda, o primeiro compromisso acordado, da massa falida com o sindicato, é pagar as verbas trabalhistas indenizatórias. Estamos torcendo que o hotel volte a funcionar e a empregar um terço da mão de obra da hotelaria no município. Apesar de ser   privado, o hotel faz parte da história do Amazonas e do Município de Manaus, é um patrimônio e cartão postal”, avalia o presidente do SindHotel-AM, Gerson Almeida.

No auge, o hotel empregou 1,2 mil profissionais e muitos residiam no complexo. Uma vila de casas foi criada para abrigar funcionários, inclusive, que vinham de outros estados e países para trabalhar no local. Nos últimos anos, hotel operou em média com 230 funcionários e fechou às portas com o quadro de apenas 100 profissionais, demitidos em maio.

Zoológico continua em funcionamento

O zoológico do Tropical Hotel Manaus continua em operação, mas não está aberto para visitações. A informação é do responsável técnico e biólogo do zoológico, Nonato Amaral. Ele afirmou que a maioria dos mais de 200 animais que viviam no local já foram transferidos para outros zoológicos ou espaços mantenedores de fauna.

“Todas as aves já foram transferidas assim como mamíferos. A onça, os porcos e a família de macaco-aranha continuam no zoológico. Os animais que ainda se encontram  no local estão aguardando destinação. As tratativas estão em andamento com o Ibama,

Ipaam e órgãos competentes do estado o qual existe a proposta de levar os animais, por exemplo, Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina”, disse.

De acordo com Amaral, a alimentação dos animais é provida, integralmente, pela equipe interventora do hotel. Atuam nas instalações do imóvel oito funcionários sendo três no zoológico (biólogo, veterinário e o tratador) e cinco seguranças que se revezam em rondas diárias a fim de evitar furtos e depredações no local.

A produção de conhecimento científico, realizada por estudantes universitários dos cursos de biologia e veterinária que analisavam o comportamento dos animais do zoológico, foi interrompida após a suspensão do fornecimento de energia elétrica e água.

“Hoje, a água do zoológico é carregada do Rio Negro. Às segundas e quartas-feiras, abastecemos com 120 litros de água”, contou.

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Repórter de A Crítica

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