Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
ESQUECIDOS

Zonas Norte e Leste de Manaus são as mais afetadas pela má conexão de internet, aponta levantamento

Média do município é de uma antena para cada 2,3 mil habitantes. A carência de antenas deixa a população cada vez mais longe do 5G



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30/10/2021 às 09:00

Um levantamento realizado pela Consultoria Teleco, a pedido do Movimento ANTENE-SE, apontou que as zonas Norte e Leste de Manaus são as mais afetadas pela má conexão da internet na capital. Segundo o estudo, isso se dá porque a proporção de habitantes atendidos por uma infraestrutura de internet na cidade é duas vezes e meia maior que a proporção de países desenvolvidos, com 2,3 mil pessoas. 

De acordo com o levantamento, quando os dados apurados de distribuição destas antenas são relacionados com a distribuição da renda média nas localidades, pode-se observar que a desigualdade de acesso a essa infraestrutura é mais latente para a população que ganha menos.



As Zonas Norte e Leste de Manaus apresentam renda média mais baixa e possuem mais pessoas atendidas por uma mesma infraestrutura; menos infraestrutura por km² e menor quantidade de antenas, ocasionando uma conexão ruim, crítica ou residual. 

Já a região Centro-Sul, com renda domiciliar mais alta possui: menos pessoas atendidas por uma mesma infraestrutura; mais infraestrutura por km² e maior quantidade de antenas com condição aceitável ou limítrofe.

Infraestrutura

A infra-estrutura para sistemas de telecomunicações é composta por sistemas essenciais ao funcionamento dos equipamentos de transmissão e comutação. A infra-estrutura básica para o funcionamento de equipamentos e serviços de telecomunicações consiste de prédios, torres de transmissão, sistema de detecção e alarme de incêndio, sistema de aterramento e pára-raios, sistema de ar-condicionado (refrigeração) e sistema de energia.

Impacto

A má qualidade do serviço de internet nestas áreas acaba afetando o dia a dia de milhares de pessoas. Um exemplo disso é da redatora Larissa Caetano, moradora do bairro Novo Aleixo, na Zona Norte da capital, e que atualmente trabalha em regime de home-office.

“Não é que a internet seja completamente ruim, mas tem se tornado comum a queda do sinal. Tem dias que de cinco em cinco minutos o sinal some, volta pouco depois e aí cai novamente. A gente precisa exercitar muito a paciência, porque tem vez que nem a operadora consegue resolver, e não foram poucas as vezes que precisei estender o tempo de entregar de um trabalho por a internet simplesmente não ajuda. Se fosse só comigo eu até não falaria nada, mas já conversei com amigos que moram por aqui [Zona Norte] e também falaram que isso acontece com eles”, relata a redatora.

5G

O tema é importante principalmente com a iminência da implantação do 5G [previsto para 2022], que demanda cinco vezes mais antenas do que o número necessário para os padrões atuais de conectividade. 

De acordo com a Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel), o setor prevê R$ 6 bilhões de investimentos em infraestrutura de telecomunicações no Brasil, nos próximos cinco anos, mas isso depende, em boa medida, da modernização de leis municipais que hoje tornam burocrática e incerta a instalação de antenas, particularmente em áreas urbanas de ocupação mais recente e de maior densidade populacional. 

“A conectividade é uma ferramenta indispensável para a promoção do desenvolvimento econômico e para a redução da desigualdade social. Os dados nos permitem concluir que há uma necessidade inegável de mudança na legislação para permitir a implantação de infraestrutura, com o objetivo de levar a abrangência dos serviços de conectividade móvel, em sua melhor forma, à população mais carente e residente nas áreas periféricas da cidade”, afirma Luciano Stutz, presidente da Abrintel.


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