Terça-feira, 23 de Julho de 2019
PENSADORES

‘Pensadores’ falam da responsabilidade de levar ideias para Arena

Ericky Nakanome, no Azul e Júnior de Souza, no Vermelho são os responsáveis por "pensar" o boi de arena



466a0f3b-13bb-4f24-981b-28f9c31fe245_D4602906-F0EF-48DD-A03C-30AB88F9DB30.jpg Pensadores dos bois: Ericky Nakanome, no Azul e Júnior de Souza, no Vermelho (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
25/06/2019 às 10:41

"Pensar" o boi de arena é uma tarefa que envolve a colaboração de dois grupos de pessoas renomada das associações folclóricas - a Comissão de Arte, por parte do Garantido, e o Conselho de Arte, do lado do Caprichoso. Mas, a responsabilidade de liderar as ações capitaneando os trabalhos desde os desenhos iniciais de protótipos cabe a dois grandes artistas específicos: Júnior de Souza, no Vermelho, e Ericky Nakanome, no Azul.

E haja responsabilidade por parte desses dois mestres. No caso de Júnior, 49, a experiência de presidir a Comissão de Arte é inédita, e vem depois de um drama pessoal: um infarto em agosto do ano passado que lhe rendeu três pontes de safena numa cirurgia de emergência em Manaus. “Eu até brinquei que a emoção de voltar ao Garantido foi tão grande que o coração não aguentou. O boi é um turbilhão de ansiedade e estresse constante, e cabe a cada um administrar e entender que isso vai ser superado. Sigo orientações médicas, o coração está tranquilo em relação a tudo que foi executado e conduzido”, disse ele, que integrou a Comissão de Arte do Garantido em 16 vezes e que em 11 delas foi campeão.

Inovador, foi de Júnior Souza a concepção da fantástica alegoria da “Lenda do Mapinguari”, que assombrou quem esteve no Bumbódromo em 1997 e foi um divisor de águas em Parintins: gigantesca, a criatura “andou” e mexeu seu corpo até sucumbir num lago no meio da arena. A partir dalí, ele passou a criar feras como o “Anhangá”, “Curupira” e “Juma”, que passaram a bater palmas, piscar e sorrir. Nada mal para um artista cujas noções de articulação robótica foram herdadas dos pais dele, Aristeu Meireles e Jandira  que tinham uma oficina mecânica.

Neste ano, ele promete um novo divisor de águas. “O Garantido vai estabelecer um novo momento para o Festival”, avisa  o “Coração Valente” do boi

Ele não gosta do conceito "artista de ponta" (termo dado a quem é verdadeiramente especialista nos trabalhos de alegoria). “Acho que os artistas são espécies de cenógrafos pois lidam com várias vertentes de arte, da estrutura metálica à pintura, tem que conhecer um pouquinho de iluminação, de teatralização, ou seja, de tudo um pouco. Não precisa ser especialista, mas ser generalista”, decreta ele.

NO TEMPO DO AZUL

No Caprichoso, Ericky Nakanome é um mestre que sempre aguardou sua hora para ser estrela no boi e que, quando foi reconhecido, brilhou sendo fundamental para o bi do azul e branco. Formado na Escola de Artes do próprio boi, ele é um dos melhores frutos que Parintins deu para a cultura nacional nos últimos tempos e, em seu terceiro ano na coordenação do Conselho de Arte, já tem seu nome marcado em legado de renovação e inovação do boi.

Pautado na tradição, Nakanome concebeu em 2017 e 2018 um boi novo não apenas na espetacularização, mas reforçando a cultura popular e o folclore, valorizando o jeito de ser do parintinense. E aguardem: o azul e branco vem gigante para ser tri. “O Caprichoso 2019 foi projetado para ser 50% técnico e 50% emoção, com foco na vitória, foco nos jurados, galera, na festa e na questão econômica de trazer o turista a Parintins. O boi vem novo, gigante no tamanho, três vezes maior e com uma qualidade superior aos últimos dois anos. Buscar um título de tricampeonato é uma exigência tripla que nos desafia. Esse Festival será a consagração da maneira nova de pensar boi”, disse ele.

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