Capital amazonense se viu palco de uma série de ataques realizados em represália a morte de um traficante. Na época, até a Força Nacional precisou se mandada para Manaus
(Foto: Arquivo)
6 de junho de 2021. Há exatamente um ano, Manaus foi vítima do terror de uma onda de crimes que até hoje assusta muitos amazonenses.
Tudo começou na madrugada do dia 6 de junho, um domingo de feriado prolongado, quando 19 veículos foram incendiados em Manaus. O dia não começou fácil para o Corpo de Bombeiros Militares do Amazonas (CBMAM) e para a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) que, naquele momento, atendeu ocorrências de incêndios em vias públicas, ônibus, tratores, até atos de vandalismo em agências bancárias.
Dos 19 veículos, sete foram ônibus de transporte coletivo. E em meio a isso, o Sindicato das Empresas de Transporte de Manaus (Sinetram) decidiu recolher toda frota de ônibus para evitar mais prejuízos, além de propiciar o perigo à população e funcionários da empresa devido os ataques criminosos.
Escolas públicas e particulares também suspenderam as aulas presenciais pois no dia seguinte, grande parte do ensino retornaria no formato presencial. Os órgãos públicos administrativos funcionaram em teletrabalho, segundo determinação da prefeitura e do governo estadual. Apenas os serviços de saúde da rede estadual foram mantidos normalmente. Entretanto, postos de vacinação foram suspensos até a normalização da segurança na cidade.
Parte do comércio e dos shoppings também alterou o horário de funcionamento e só abriu as lojas a partir das 14h.
A reportagem da A CRÍTICA, na época, conseguiu dar em primeira mão, que a origem da onda de crimes foi motivada pela morte de um traficante conhecido como “Dadinho”, morto durante um confronto com policiais na Zona Norte de Manaus, no dia anterior aos ataques.
Após à noite de violência, às 9h daquele domingo, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) instaurou um comitê de crise no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) para conter os crimes nos pontos da cidade.
Crimes continuaram
Ainda assim, os ataques de vandalismo não cederam. Ao menos três agências bancárias foram destruídas e incendiadas pelos criminosos. Conforme os bombeiros, as agências que sofreram danos materiais pelos caixas eletrônicos depredados, ficavam localizadas na avenida Amazonas, no bairro Compensa; avenida Rodrigo Otávio, na Zona Sul; e na avenida Ayrão, no Centro de Manaus.
Os ataques aos veículos também continuaram. Por volta das 11h, um trator que estava parado em um canto de obras da prefeitura no bairro Compensa, foi incendiado por pelo menos cinco suspeitos, de acordo com policiais militares.
Além disso, dois microônibus foram incendiados, sendo que um deles teve perda total. Esses ataques aconteceram na avenida Desembargador João Machado, no bairro Alvorada; e na avenida Autaz Mirim.
Os criminosos não perdoaram nem o monumento da “Bola das Letras”, localizada no bairro Dom Pedro. Com apenas quatro dias inaugurada, o monumento também foi vítima dos ataques de vandalismo e foi parcialmente incendiado.
Presos
Ainda naquele domingo, o comitê instaurado para combater os crimes realizou uma coletiva de imprensa para anunciar que 14 pessoas já tinham sido presas. A delegada-geral da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Emília Ferraz Carvalho, contou ainda que um dos mandantes das ações criminosas do bairro Redenção, também foi preso.
O então secretário da SSP-AM, Louismar Bonates, também falou durante a transmissão ao vivo da coletiva e informou que os policiais que estavam de folga, haviam sido convocados, e novas prisões seriam realizadas ao longo dos dias.
Na manhã seguinte do dia 7 de junho de 2021, o comitê realizou uma outra coletiva de imprensa para anunciar mais a prisão de mais envolvidos na onda de crimes. Dentre eles, três lideranças do narcotráfico: Sidynei Matheus Santos Machado (conhecido por ‘Maranhão’), 23, Roney Marinho Machado, 26, e João Vitor de Azevedo Melo, 22, foram presos em flagrante, portando quantidade excessiva de drogas, e responderão por tráfico.
As prisões ocorreram em dois bairros da zona sul de Manaus, no Japiim e no São Lázaro, e no Tancredo Neves, Zona Leste.
Após uma semana da série de atos criminosos em Manaus e em noves outros municípios do Amazonas, subiu para 46 o número de suspeitos presos.
Foram, pelo menos, 65 ataques criminosos que também ocorreram no interior do estado: Carauari, Rio Preto da Eva, Manacapuru, Iranduba, Careiro Castanho, Parintins, Caapiranga, Anori e Itapiranga.
Para tentar conter a onda de violência, o Amazonas recebeu ainda o reforço de tropas da Força Nacional.
A reportagem da A CRÍTICA solicitou uma nota da SSP-AM e da Polícia Civil questionando se todos os envolvidos nessa série de crimes em Manaus já foram identificados e detidos, além de questionar quais as ações que os órgãos estão realizando para evitar que uma segunda onda de crimes possa aterrorizar novamente a população amazonense.
Nota da SSP-AM
Ao fim de toda operação naquele momento, 74 pessoas foram presas, incluindo cinco supostos mandantes dos ataques ocorridos em Manaus e em nove municípios do interior do estado.
Desde então, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) intensificou as ações de policiamento na capital e no interior para coibir crimes de uma maneira geral. Em Manaus, a SSP-AM deflagra, diariamente, vertentes da operação Cidade Mais Segura em vários bairros da capital, além do patrulhamento ostensivo diário realizado pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e das ações integradas semanais coordenadas pela SSP-AM, que contam com agentes da Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop), Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai), Secretaria Executiva Adjunta de Planejamento e Gestão Integrada (Seagi), Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA), a PMAM, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e o Núcleo Especializado em Operações de Trânsito (Neot), do Detran-AM.
Informamos ainda que o disque-denúncia da SSP-AM, o 181, está à disposição da população 24 horas por dia. A identidade do denunciante é sempre preservada e ajuda a polícia a solucionar diversos tipos de crimes.