O evento acontece no Centro de Convenções do Amazonas - Vasco Vasques, de 10h às 22h.
CUFA quer mostrar que a região também produz inovação, cultura e negócios (Divulgação)
"A Expo Favela não é apenas sobre empreendedorismo. Ela é sobre oportunidade, pertencimento e transformação. A gente acredita que ninguém deve ser definido pelo lugar onde nasceu, pela renda que tem ou pelas dificuldades que enfrentou." A afirmação é da vice-presidente da CUFA Amazonas, Fabiana Carioca, e resume o espírito da 3ª edição da Expo Favela Innovation Amazonas, que acontece neste sábado e domingo, dias 19 e 20, reunindo cultura, criatividade, empreendedorismo e inovação em uma programação voltada para todos os públicos, com espaço reservado à valorização dos talentos das periferias amazônicas. O evento acontece no Centro de Convenções do Amazonas - Vasco Vasques, de 10h às 22h.
De acordo com Fabiana, a periferia tem problemas, mas também tem soluções. Tem desafios, mas tem talentos. Tem desigualdades, mas tem uma capacidade enorme de criar, resistir e empreender. "O papel da Cufa é ajudar a transformar essa potência em oportunidade concreta", analisa.
Segundo ela, ao realizar o evento em Manaus, a CUFA quer mostrar que a região também produz inovação, cultura e negócios, e que seus empreendedores não precisam abandonar a própria origem para serem reconhecidos. "Eles precisam de acesso. E é isso que a gente está construindo: pontes para que a potência da periferia possa chegar cada vez mais longe", sintetiza.
Para o presidente da CUFA Amazonas, Alexey Ribeiro, a mudança começa na forma como o próprio empreendedor passa a enxergar o negócio.
Essa mudança de percepção, diz o presidente da CUFA, está ligada a um problema estrutural: o acesso. Para ele, a informalidade muitas vezes não é escolha, mas ponto de partida de quem não teve crédito, capacitação ou oportunidade. "O problema é quando esse ponto de partida se transforma em destino", observa. Alexey diz que não basta dizer ao empreendedor "abra um CNPJ". É preciso criar um ambiente em que ele consiga sustentar esse CNPJ, vender, crescer e ser reconhecido. É nesse sentido, segundo ele, que a Expo Favela funciona como ponte, transformando em algo visível ao mercado o que muitas vezes permanece invisível.
Ribeiro lembra histórias de expositores que chegam surpresos por despertar interesse fora da própria comunidade.
Alexey Ribeiro e Fabiana Carioca, presidente e vice-presidente da CUFA AM
A escolha de unir o Expofavela à economia criativa, e não apenas a uma feira tradicional de negócios, tem explicação direta. "A periferia não produz apenas mercadoria. A periferia produz cultura, identidade, estética, música, gastronomia, moda, audiovisual, tecnologia, soluções e novas formas de criar", diz o presidente.
Na avaliação dele, Manaus precisa enxergar essa potência criativa como ativo econômico, e não somente como manifestação cultural. "Quando a gente une empreendedorismo e economia criativa, a gente está dizendo que o talento da periferia não precisa ser visto apenas como entretenimento. Ele pode ser profissão, empresa, marca, renda e desenvolvimento", reforça.
Fabiana Carioca comenta sobre a importância de ver um empreendedor periférico dividindo espaço com marcas que sempre tiveram estrutura e capital. "Durante muito tempo, o empreendedor da periferia foi colocado apenas na condição de consumidor. E, quando ele está ao lado dessas marcas, ele começa a ser percebido de outra maneira. E o mercado também é provocado a mudar o olhar", cita.
Segundo ela, essa presença tem efeito também sobre quem ainda não teve a mesma oportunidade e observa de fora.
Programação reúne cultura, criatividade, empreendedorismo e inovação
Sobre o futuro do evento em Manaus, Fabiana projeta a Expo Favela como plataforma permanente de desenvolvimento do empreendedorismo periférico na Amazônia, e não apenas como um evento anual.
Para que esse movimento deixe de ser exceção e passe a integrar naturalmente a economia da cidade, ela defende a mudança na cultura de acesso, com participação do poder público, do setor privado, das instituições de ensino e das empresas. "O que hoje parece uma exceção precisa se tornar uma prática: a periferia sendo reconhecida como parte ativa, criativa e indispensável da economia da cidade", conclui.