Eleições 2026

Adesivar carro com propaganda eleitoral pode afetar cobertura do seguro

Especialistas alertam que com o início da propaganda eleitoral em 16 de agosto, mudança no perfil de uso do veículo e adesivação sem aviso prévio à seguradora podem prejudicar eventual indenização

acritica.com
11/08/2026 às 11:22.
Atualizado em 11/08/2026 às 11:22

(Foto: Reprodução)

A partir do dia 16 de agosto, as ruas brasileiras ganham novas cores com o início oficial da propaganda eleitoral. No entanto, o motorista que decide "vestir a camisa" de um candidato e adesivar o próprio carro — ou utilizá-lo no apoio logístico de campanhas — pode estar correndo um risco invisível: a perda total da proteção do seguro auto.

Embora a Justiça Eleitoral regulamente o uso de propagandas em veículos particulares, o cumprimento das leis do pleito não garante a validade do contrato de seguro. Para o mercado segurador, a plotagem e a mudança na rotina do automóvel alteram a avaliação do risco contratado, o que exige atenção imediata do segurado. Avice-presidente da Comissão de Seguro Auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Keila Farias, alerta sobre os riscos desta alteração veicular.

"As seguradoras avaliam o uso do veículo para fins publicitários ou de apoio como um aumento de risco. O automóvel fica mais exposto a acidentes, vandalismo e deslocamentos frequentes em eventos públicos, principalmente”, destaca.

Segundo Keila, de forma geral, os danos causados com os adesivos, envelopamentos e plotagens não fazem parte da cobertura das apólices. “Outro ponto importante diz respeito à mudança na utilização do veículo durante a campanha. Caso o automóvel passe a ser utilizado para transporte de materiais, deslocamento de equipes, instalação de equipamentos de som ou outras atividades relacionadas ao processo eleitoral, essa alteração de perfil de uso precisa ser informada à seguradora”, informa.

Mudar a estética ou o uso exige alteração no contrato

Adesivar o carro com propaganda de candidatos ou marcas pode alterar a finalidade do veículo de particular para comercial/publicitário. Se essa mudança não for comunicada à empresa de seguros por meio de um endosso (atualização da apólice), o proprietário poderá ter a indenização recusada em caso de roubo, furto ou colisão.

Além da finalidade, alterações estéticas drásticas exigem atenção dupla:

  • Envelopamento total: se a adesivação impedir a identificação da cor original do veículo, o proprietário deve notificar a seguradora e atualizar o CRLV no Detran.
  • Cobertura de danos no adesivo: danos causados às plotagens e aos adesivos em si geralmente não estão cobertos pelas apólices convencionais.
  • Eventos de campanha: danos decorrentes de tumultos, motins ou atos de vandalismo em manifestações costumam fazer parte da lista de exclusões dos contratos.

Orientação do corretor de seguros

Para evitar surpresas desagradáveis, especialistas orientam que o segurado faça uma consulta prévia ao seu corretor de seguros antes de colar qualquer material propagandístico ou prestar serviços à campanha.

"Cada seguradora possui critérios próprios para análise de risco. O corretor é o profissional habilitado para verificar as regras específicas, ajustar o enquadramento tarifário e, se necessário, incluir coberturas adicionais para atividades publicitárias", explica a representante da Fenseg.

Guia rápido para o motorista:

  1. Avalie o tamanho do adesivo: adesivos pequenos no vidro traseiro costumam ser tolerados, mas plotagens maiores exigem checagem.
  2. Consulte seu corretor: antes de qualquer alteração física ou de rotina, informe como o veículo será utilizado.
  3. Solicite o endosso: garanta que a inclusão do uso publicitário conste formalmente no documento do seguro.
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