Exploração nos minerais por empresa com capital estrangeiro ainda depende de licenças ambientais e de mineração
(Foto: Ricardo Botelho/MME)
A Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovou os relatórios finais do projeto de exploração de terras raras em Apuí, no sul do Amazonas, pela BBX do Brasil, subsidiária da australiana Brazilian Critical Minerals (BBM). A atividade ainda depende do licenciamento ambiental, pendente no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), e da Concessão de Lavra (licença de mineração) pela ANM.
O anúncio do avanço foi feito pela BBM a investidores na segunda-feira. Em nota, a companhia disse que a aprovação dos relatórios é um “marco crítico e importante, que representa uma redução significativa dos riscos regulatórios e coloca a empresa mais próxima de obter suas licenças e de alcançar o objetivo de desenvolver rapidamente o Projeto Ema”.
A empresa também afirmou que os pedidos de Guia de Utilização (autorização em caráter excepcional para a extração de substâncias antes da Concessão de Lavra), submetidos em maio de 2025, ainda estão em análise pelo Ipaam.
Segundo a nota a investidores, o projeto entra agora na etapa de aprovação para desenvolvimento minerário. Nesse estágio, o Estudo de Viabilidade Bancável (BFS), a licença ambiental e a concessão de lavra passam a ser os principais marcos restantes para a obtenção da licença completa de mineração.
“Com a aprovação da ANM assegurada, os principais marcos regulatórios restantes são a obtenção da licença ambiental e a concessão de lavra. À medida que o BFS se aproxima da conclusão, a companhia direciona cada vez mais seus esforços para avançar o Projeto Ema pelas etapas finais de aprovação e posicioná-lo para o desenvolvimento futuro”, disse o diretor-geral da BBM, Andrw Reid, em nota pública.
Exploração
Iniciou em fevereiro deste ano o processo de licenciamento para que a mineradora BBX do Brasil exporte terras raras encontradas em Apuí. A operação tem início previsto para 2027 e expectativa de, pelo menos cinco anos depois, planejar um processo de refino em Manaus.
O investimento inicial é previsto em R$ 200 milhões. Há conversas para compradores nos Estados Unidos, China, França e Espanha.
A expectativa é que a fase de obras na implantação do projeto gere em torno de 500 empregos diretos. Durante a execução do empreendimento, a estimativa é de 200 empregos diretos e outros mil indiretos.
A empresa também estima um faturamento de R$ 400 milhões por ano e R$ 8 milhões em impostos para a cidade de Apuí, valor que representa cerca de 10% da receita do município para 2025, de R$ 77,7 milhões.
Saiba mais
Posição do Brasil - As terras raras são essenciais para a transição energética e tecnologia militar. O Brasil possui a segunda maior reserva global (21 milhões de toneladas), atrás apenas da China. Contudo, o país tem apenas uma mina em operação comercial, localizada em Goiás.
Amazonas possui segunda maior reserva
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a “indústria do futuro”. Elas estão presentes tanto na produção civil, em televisores, celulares e tecnologias de energia renovável,quanto em equipamentos militares, como drones e radares.
Uma nota técnica da Secretaria Executiva de Mineração do governo do Amazonas (Semig), produzida em julho de 2025, coloca o Amazonas como o segundo estado brasileiro com mais reservas de terras raras identificadas, atrás apenas de Minas Gerais. Além de Apuí, há ocorrências conhecidas ou estimadas nos municípios de Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira.
O Sumário Mineral 2024, produzido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), do governo federal, coloca o Brasil como o quarto maior detentor dos minérios no mundo, com 11,4 milhões de toneladas, atrás de China (44 milhões), Vietnã (22 milhões) e Rússia (10 milhões). Estimativas de outras fontes citam o Brasil na segunda posição com reservas prováveis de terras raras.