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Aluguel de carros ganha espaço no Brasil e muda relação do consumidor com o veículo

Com custos elevados e busca por previsibilidade, brasileiros aderem à locação e impulsionam setor que faturou R$ 61,7 bilhões em 2025, mas modelo ainda exige análise do perfil de uso

acritica.com
19/04/2026 às 18:52.
Atualizado em 19/04/2026 às 18:52

O crescimento contínuo é resultado de uma cultura de locação cada vez mais presente na sociedade (Divulgação)

Diante do aumento no preço dos automóveis, dos juros elevados e dos custos fixos cada vez mais altos, como seguro, manutenção e impostos, alugar um carro deixou de ser uma solução pontual e passou a integrar o planejamento financeiro de muitos brasileiros. Mas, afinal, essa escolha compensa no dia a dia?

Consultor em mobilidade urbana Eduardo Nogueira, explica que a mudança de comportamento está diretamente ligada à forma como as pessoas passaram a enxergar o carro. “Antes, o veículo era visto como patrimônio. Hoje, muita gente já entende como um serviço. O foco deixou de ser a posse e passou a ser o uso com previsibilidade de custos”, afirma.

Essa previsibilidade tem sido justamente o fator decisivo para consumidores como a administradora Camila Ribeiro, de 34 anos. Após anos lidando com financiamento, gastos inesperados com oficina e valorização incerta do veículo, ela decidiu migrar para o modelo de carro por assinatura. “Eu vendi meu carro e hoje pago uma mensalidade fixa de R$ 1.800. Está tudo incluído: seguro, manutenção, documentação. Não tenho mais surpresas no orçamento”, relata. Para ela, a tranquilidade compensa o fato de não estar investindo em um bem próprio.

O mercado de aluguel oferece diferentes modalidades que se adaptam a perfis variados. Há desde locações diárias, bastante utilizadas em viagens ou necessidades pontuais, até planos mensais, que funcionam como uma espécie de assinatura, e opções voltadas para motoristas de aplicativo, com cobrança semanal e condições específicas de uso.

No entanto, a conta nem sempre fecha para todos. O autônomo Carlos Mendes, de 41 anos, que utiliza um carro alugado para trabalhar com transporte por aplicativo, explica que o modelo exige disciplina. “Se eu não rodar bastante, não compensa. O aluguel é caro e ainda tem combustível. É bom porque não precisei comprar um carro, mas tem que trabalhar muito para ter retorno”, diz.

Na avaliação da especialista em finanças pessoais Marina Tavares, o aluguel pode ser vantajoso principalmente para quem não quer ou não pode arcar com os custos iniciais de aquisição de um veículo. “Você elimina entrada, financiamento e despesas imprevisíveis. Em compensação, não constrói patrimônio e pode pagar mais ao longo do tempo. Tudo depende do uso e da organização financeira de cada pessoa”, explica.

Ela destaca que, para quem utiliza o carro de forma esporádica ou busca mais flexibilidade, o aluguel tende a ser uma solução inteligente. Já para quem pretende manter o veículo por muitos anos e roda com frequência, a compra ainda pode ser mais econômica no longo prazo.

O modelo de locação vem ganhando espaço e deve continuar em expansão, impulsionado por mudanças culturais e pela busca por soluções mais práticas e menos burocráticas. Em um cenário onde o acesso começa a pesar mais do que a posse, alugar um carro pode deixar de ser exceção e se tornar regra para uma nova geração de motoristas.

Economia nacional

O mercado de aluguel de automóveis no Brasil está em forte expansão, registrando um faturamento recorde de R$ 61,7 bilhões em 2025, um crescimento de 16,6% em relação a 2024. O setor é impulsionado pelo aumento da frota, agora com 1,61 milhão de veículos, terceirização de frotas (B2B), locação por assinatura e uso por motoristas de aplicativos

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