Gestora de operações da aceleradora, Gabriela Souza mediou debate sobre capital, políticas públicas e desafios para ampliar a escala dos negócios de impacto na região amazônica
Semana do Clima Amazônia (Foto: Divulgação)
A AMAZ, maior aceleradora e investidora de negócios de impacto voltados para a Amazônia Legal, idealizada e coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), está participando ativamente da II Semana do Clima da Amazônia, que está sendo realizada em Belém (PA) entre os dias 29 de junho e 4 de julho.
Representando a organização, a gestora de operações da AMAZ e líder de Novos Negócios do Idesam, Gabriela Souza, mediou o painel “Sociobioeconomia e Financiamento”, que reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e da Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio).
Segundo Gabriela, o debate teve como eixo central a construção de um ambiente favorável para que empreendimentos da sociobioeconomia consigam crescer de maneira sustentável, contando com diferentes formas de apoio ao longo de sua trajetória.
Ela destacou que duas palavras nortearam as discussões: adaptação e adequação. A proposta foi analisar como cada instituição participante atua dentro dessa lógica e de que forma diferentes instrumentos podem se complementar para fortalecer os empreendimentos amazônicos.
A mediadora também ressaltou a conexão do debate com o Fiinsa (Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia), iniciativa que reúne atores posicionados em diferentes etapas do financiamento à bioeconomia e busca construir soluções coletivas para o setor.
Gabriela afirmou que explanou sobre o Fiinsa e convidou os participantes a também fazer parte do evento, cuja 4ª edição acontece entre os dias 3 e 5 de novembro, em Manaus, sob a coordenação do Idesam e do Impact Hub Manaus, com a participação ativa da AMAZ.
A organização do painel seguiu a lógica do percurso do contínuo de capital, começando pelas políticas públicas federais, passando pelas estratégias estaduais e chegando aos instrumentos de financiamento e às experiências dos próprios empreendedores da região.
Durante o encontro, o presidente da Assobio, Paulo Reis, apresentou a perspectiva das pequenas e médias empresas da bioeconomia amazônica, sobretudo aquelas instaladas nos centros urbanos e que investem na agregação de valor e na verticalização da produção.
Semana do Clima Amazônia
Segundo ele, um dos principais obstáculos ainda está relacionado ao modelo de financiamento disponível para os empreendedores da região.
Paulo Reis defendeu que o capital destinado ao setor assuma uma parcela maior dos riscos inerentes aos negócios de impacto e contribua para ampliar a agregação de valor dentro da própria Amazônia.
Ele também chamou atenção para a necessidade de ampliar o mercado consumidor dos produtos amazônicos, incentivando a valorização de itens que vão além das cadeias já consolidadas, como açaí e cacau.
Para Paulo Reis, sediar uma Semana do Clima na Amazônia representa um avanço importante ao permitir que a própria região apresente suas soluções e desafios diante das mudanças climáticas.
Ele lembrou que eventos semelhantes costumam ocorrer em grandes centros internacionais, como Londres, Paris e Nova York, nem sempre conectados diretamente às realidades dos territórios mais impactados.
Segundo o presidente da Assobio, o protagonismo amazônico nas discussões globais permite incorporar perspectivas locais frequentemente ausentes em fóruns internacionais.