MEIO AMBIENTE

AMAZ destaca apoio à sociobioeconomia na Semana do Clima

Gestora de operações da aceleradora, Gabriela Souza mediou debate sobre capital, políticas públicas e desafios para ampliar a escala dos negócios de impacto na região amazônica

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02/07/2026 às 17:40.
Atualizado em 02/07/2026 às 17:40

Semana do Clima Amazônia (Foto: Divulgação)

A AMAZ, maior aceleradora e investidora de negócios de impacto voltados para a Amazônia Legal,  idealizada e coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), está participando ativamente da II Semana do Clima da Amazônia, que está sendo realizada em Belém (PA) entre os dias 29 de junho e 4 de julho. 

Representando a organização, a gestora de operações da AMAZ e líder de Novos Negócios do Idesam, Gabriela Souza, mediou o painel “Sociobioeconomia e Financiamento”, que reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e da Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio).

Segundo Gabriela, o debate teve como eixo central a construção de um ambiente favorável para que empreendimentos da sociobioeconomia consigam crescer de maneira sustentável, contando com diferentes formas de apoio ao longo de sua trajetória.

“A ideia que eu trouxe para o painel foi discutir o financiamento da sociobioeconomia a partir da lente do contínuo de capital e das condições habilitantes, entendendo que precisamos criar infraestrutura para que negócios da sociobioeconomia e organizações sociais tenham sucesso, desde políticas públicas e financiamento até regularização fundiária e investimento adequado”, afirmou.

Ela destacou que duas palavras nortearam as discussões: adaptação e adequação. A proposta foi analisar como cada instituição participante atua dentro dessa lógica e de que forma diferentes instrumentos podem se complementar para fortalecer os empreendimentos amazônicos.

“O contínuo de capital é justamente pensar nas necessidades dos negócios em diversas frentes, desde recursos financeiros até capital relacional e técnico. É garantir que, da ideia inicial até a escala, não existam rupturas que levem esses empreendimentos a desaparecer por falta do apoio necessário em determinado momento”, explicou.

FIINSA

A mediadora também ressaltou a conexão do debate com o Fiinsa (Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia), iniciativa que reúne atores posicionados em diferentes etapas do financiamento à bioeconomia e busca construir soluções coletivas para o setor. 

Gabriela afirmou que explanou sobre o Fiinsa e convidou os participantes a também fazer parte do evento, cuja 4ª edição acontece entre os dias 3 e 5 de novembro, em Manaus, sob a coordenação do Idesam e do Impact Hub Manaus, com a participação ativa da AMAZ.

A organização do painel seguiu a lógica do percurso do contínuo de capital, começando pelas políticas públicas federais, passando pelas estratégias estaduais e chegando aos instrumentos de financiamento e às experiências dos próprios empreendedores da região.

“A implementação está muito em evidência neste momento, especialmente por ser a segunda Semana do Clima realizada na Amazônia e a primeira após a COP. O debate agora é sobre prática, sobre como transformar compromissos em ações concretas”, observou Gabriela.

Desafios dos pequenos negócios

Durante o encontro, o presidente da Assobio, Paulo Reis, apresentou a perspectiva das pequenas e médias empresas da bioeconomia amazônica, sobretudo aquelas instaladas nos centros urbanos e que investem na agregação de valor e na verticalização da produção.

Semana do Clima Amazônia

Segundo ele, um dos principais obstáculos ainda está relacionado ao modelo de financiamento disponível para os empreendedores da região.

“Precisamos rever a forma como o financiamento é realizado para que os empreendedores possam, de fato, trabalhar e focar nos seus negócios. Hoje, muitos recebem investimentos muito baixos, o que dificulta alcançar escala, inovar e prosperar economicamente”, afirmou.

Paulo Reis defendeu que o capital destinado ao setor assuma uma parcela maior dos riscos inerentes aos negócios de impacto e contribua para ampliar a agregação de valor dentro da própria Amazônia.

“A sugestão é trazer mais risco para o capital que deveria ser de risco, mas que muitas vezes investe pouco na agregação de valor dentro da região amazônica”, disse.

Ele também chamou atenção para a necessidade de ampliar o mercado consumidor dos produtos amazônicos, incentivando a valorização de itens que vão além das cadeias já consolidadas, como açaí e cacau.

“Atualmente, precisamos mobilizar um mercado que compre uma diversidade maior de produtos da Amazônia, e não apenas aqueles já tradicionais, especialmente no formato de matérias-primas”, destacou.

Amazônia no centro do debate climático

Para Paulo Reis, sediar uma Semana do Clima na Amazônia representa um avanço importante ao permitir que a própria região apresente suas soluções e desafios diante das mudanças climáticas.

Ele lembrou que eventos semelhantes costumam ocorrer em grandes centros internacionais, como Londres, Paris e Nova York, nem sempre conectados diretamente às realidades dos territórios mais impactados.

“Não existe lugar mais propício para discutir clima do que a Amazônia. Estamos falando de uma região fundamental para a conservação da natureza, para os recursos hídricos e para o equilíbrio climático do planeta, mas que tambm sofre diretamente os impactos das mudanças do clima”, afirmou.

Segundo o presidente da Assobio, o protagonismo amazônico nas discussões globais permite incorporar perspectivas locais frequentemente ausentes em fóruns internacionais.

“Precisamos ter espaço para trazer nossa opinião e nosso ponto de vista. Muitas vezes, essas discussões acontecem sob perspectivas do Norte Global ou de regiões já desenvolvidas. A Amazônia também precisa ser ouvida como território que enfrenta desafios, mas que, ao mesmo tempo, oferece soluções para o mundo”, concluiu.
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