Projetos como o Amazônia 4.0 e o Biobanco Amazônico mostram como a ciência e a tecnologia podem impulsionar a bioeconomia, gerar renda local e reduzir o desmatamentoSustentabilidade e Inovação
Projeto Amazônia 4.0. propõe instrumentalizar cadeias de produção locais com o uso de recursos da Indústria 4.0 (Divulgação/Futurecom)
Com a COP 30 no horizonte, a Amazônia foi protagonista do painel Clean Tech Solutions, do Futurecom, realizado nessa semana em São Paulo. O debate, intitulado “Soluções limpas para cidades resilientes, inteligentes e sustentáveis”, reuniu especialistas para falar de tecnologias sustentáveis, valorização da biodiversidade amazônica e perspectivas em torno da Conferência do Clima da ONU, que ocorrerá em Belém no próximo mês.
Entre os participantes estava Tereza Carvalho, engenheira, membro do Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE) e professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que apresentou o projeto Amazônia 4.0. A iniciativa propõe a instrumentalização das cadeias de produção amazônicas com o uso de recursos da Indústria 4.0, buscando agregar valor a produtos e serviços baseados na biodiversidade, ao mesmo tempo em que promove a distribuição justa dos benefícios socioeconômicos, fomenta a economia local e contribui para a redução do desmatamento.
O projeto Amazônia 4.0 utiliza o cacau como um dos exemplos de bioeconomia para empoderar comunidades tradicionais amazônicas, ensinando-as a processar as amêndoas localmente em chocolates e outros produtos de maior valor agregado.
Tereza Carvalho, Vanessa Schramm e Otávio Chase participaram do debate
Já o Biobanco da Amazônia é uma proposta de projeto colaborativo, associada ao Instituto Amazônia 4.0, para criar um banco de dados genético de espécies amazônicas com foco na valorização do conhecimento e dos recursos das populações locais e tradicionais.
O Biobanco funciona como uma biblioteca digital de informações genéticas, usando equipamentos de baixo custo para coleta e tecnologia como blockchain para registrar e gerenciar os dados, buscando gerar benefícios econômicos para as comunidades e promover a bioeconomia sustentável na região.
A mesa trouxe um olhar para o cenário internacional, com a apresentação de projetos de pesquisa apoiados pelo governo britânico em parceria com universidades brasileiras, também apresentados por Tereza Carvalho, reforçando a importância da cooperação global para enfrentar as mudanças climáticas e promover inovação socioambiental.
O painel também contou com a presença de Vanessa Schramm, pesquisadora e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e Otávio Chase, engenheiro e professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Juntos, os especialistas discutiram soluções limpas para os desafios urbanos e ambientais, reforçando o papel da tecnologia na construção de cidades mais resilientes, inteligentes e sustentáveis.
Durante o painel no Futurecom, o pesquisador Otávio Chase, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), chamou a atenção para os enormes desafios energéticos e ambientais trazidos pelos grandes centros de dados de Inteligência Artificial. Ele citou o caso do data center em implantação no Ceará, que deve demandar 2 mil megawatts de potência instalada e cerca de 30 mil litros de água potável por dia para refrigeração.
“Vamos usar água potável, biocompostos ou bioenergia para resfriamento? Essa é uma questão central. Energia e refrigeração serão as maiores demandas da IA”, destacou.
Chase também ressaltou a urgência de estruturas regulatórias sólidas, comparando os riscos associados à IA com outros avanços tecnológicos do passado. “Não é a primeira tecnologia a apresentar riscos para a população. O urânio, por exemplo, também trouxe desafios enormes. O que precisamos é de marcos regulatórios sólidos, para garantir que o uso da IA seja seguro e responsável”, afirmou.
Empreendimentos semelhantes ao do Ceará devem ser instalados em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, o que reforça a importância do debate sobre o impacto ambiental e ético da IA.
O IEEE está profundamente comprometido com o avanço das tecnologias limpas em todo o mundo. Com uma rede global de mais de 486.000 engenheiros e especalistas — sendo 5.000 deles no Brasil — atuando em diversas áreas, uma de suas principais missões é desenvolver soluções inovadoras que contribuam para um planeta mais sustentável.
Evento reuniu em São Paulo empresas, governo, academia e sociedade
O Futurecom funciona como uma plataforma B2B dinâmica que opera o ano todo oferecendo ao mercado soluções de conectividade e tecnologia para diversos setores da economia. Como líder na integração do setor de TIC, o Futurecom se posiciona como um hub essencial para negócios e inovação, facilitando a conexão entre empresas, startups e profissionais de tecnologia e telecomunicações, por meio de uma série de ações e iniciativas.
Com uma visão abrangente dos desafios e oportunidades nos setores da indústria, logística, mineração, agronegócio, saúde e energia, o Futurecom proporciona acesso contínuo a tecnologias de ponta, tendências de mercado e insights estratégicos.
Neste ano, na abertura do evento, o Ministério das Comunicações destacou as iniciativas para construção de políticas nacionais que promoverão a transformação digital do Brasil.
O secretário de Telecomunicações, Hermano Tercius, apresentou as ações que incluem as Políticas Nacionais de Conectividade em Rodovias, de Cabos Submarinos e de Data Centers. Cada uma delas abre espaço para que a sociedade civil e especialistas opinem e contribuam com sugestões.
“Nossa estratégia é atrair mais investimentos para o Brasil, promover a interiorização e a distribuição geográfica desses ativos. Ter mais pontos de ancoragem de cabos e data centers espalhados pelo Brasil significa mais resiliência, menor latência e a criação de novos polos de desenvolvimento tecnológico”, exemplificou o secretário.
Hermano Tercius destacou ainda que a conectividade se tornou a infraestrutura da oportunidade, deixando de ser um luxo para se tornar o novo nome da cidadania. Diante disso, reforçou o papel dos gestores públicos na missão de garantir a inclusão digital de todos os brasileiros.