Nesta edição, a proposta ganha uma dimensão ainda mais naturalista
(Foto: Divulgação Natura)
Pela terceira edição consecutiva, o arquiteto e designer Marko Brajovic assina a arquitetura da Natura no Rock in Rio. Conhecido por desenvolver projetos que aproximam design, natureza e tecnologia, ele transformou a presença da marca no festival em uma plataforma de experimentação arquitetônica, onde paisagismo, sensorialidade e sustentabilidade se encontram.
Nesta edição, a proposta ganha uma dimensão ainda mais naturalista. Inspirada na floresta amazônica e construída a partir de embalagens recicladas da própria Natura, a estrutura foi concebida para responder aos estímulos do ambiente, como o vento, o som e a circulação do público.
Em conversa sobre o projeto, Marko revela como a Amazônia segue sendo sua principal fonte criativa e explica os bastidores do processo que deu origem a uma arquitetura viva em pleno coração da Cidade do Rock.
MUITOS DOS SEUS PROJETOS TÊM UMA RELAÇÃO FORTE COM A NATUREZA. COMO NASCEU O CONCEITO DESTA EDIÇÃO?
“Praticamente todos os projetos que faço para a Natura começam na Amazônia. Os primeiros esboços, os primeiros desenhos, quase sempre surgem lá. Foi exatamente o que aconteceu desta vez. Logo depois do briefing, eu viajei para a Amazônia com um grupo de pesquisadores internacionais e foi naquele contexto que as ideias começaram a se conectar”, conta.
Segundo o arquiteto, a floresta funciona como um espaço de observação e inspiração, onde ele encontra referências para traduzir conceitos abstratos em experiências físicas. “Quando chego na Amazônia, tudo faz sentido. É um lugar que me ajuda a organizar as ideias. Foi ali que surgiu a imagem dessas folhas criando uma espécie de pele viva para o espaço. A partir dessa visão inicial, o projeto começa a ganhar corpo dentro do ateliê”..
O PROJETO FOI PENSADO COMO UM ORGANISMO VIVO. COMO ESSA IDEIA SE MATERIALIZA NA ARQUITETURA?
“A natureza nunca está parada. Ela reage, vibra, se transforma. Queríamos trazer essa lógica para a ativação.” Para isso, a equipe desenvolveu uma estrutura composta por elementos inspirados em folhas amazônicas, capazes de se movimentar de forma sutil em resposta aos estímulos do ambiente. “Existe todo um trabalho de pesquisa e prototipagem para entender como esses elementos se comportam. Não são peças decorativas. Elas foram desenhadas para interagir com o vento, com o movimento das pessoas e até com as vibrações do som. A ideia era que o espaço tivesse uma presença quase viva”, explica.
O resultado é uma instalação que se transforma ao longo do dia, acompanhando a energia do festival e criando diferentes percepções para quem a visita.
A SUSTENTABILIDADE TAMBÉM ESTÁ NO CENTRO DO PROJETO. COMO ELA FOI INCORPORADA À CONSTRUÇÃO?
“Desde o início houve uma cocriação muito próxima com a Natura para entender quais materiais poderiam traduzir o conceito e, ao mesmo tempo, reforçar os compromissos da marca”, relembra o arquiteto.
A estrutura utiliza materiais desenvolvidos a partir de embalagens recicladas da própria Natura, transformadas em componentes arquitetônicos. “Não se trata apenas de reutilizar materiais. Existe todo um processo de pesquisa para entender como esses resíduos podem ganhar uma nova vida. É uma forma de mostrar que inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas”, diz.