Montante equivale a cerca de 1% do PIB nacional e reduziu o consumo em setores como comércio e serviços, aponta estudo.
(Foto: Agência Brasil)
As plataformas de apostas online, conhecidas popularmente como bets, foram responsáveis por retirar entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025. O montante representa aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e reflete o volume financeiro que deixou de circular em outros segmentos da economia, segundo estimativa do Centro Celso Furtado.
De acordo com o levantamento, os apostadores transferiram de forma líquida cerca de R$ 62 bilhões diretamente para as plataformas — valor retido pelas empresas após o pagamento dos prêmios. Com o direcionamento desses recursos para as apostas em vez de bens e serviços, o governo deixou de arrecadar quase R$ 55 bilhões em impostos.
A migração do orçamento das famílias para o jogo atinge diretamente setores que geram empregos em larga escala, como alimentação, varejo e serviços. Ao contrário do consumo tradicional em estabelecimentos comerciais — que remunera proprietários, cozinheiros, garçons e outros profissionais, gerando novas rodadas de renda —, grande parte do montante destinado às bets não se converte em salários ou em circulação interna de mercadorias.
O setor opera sob regulação no país, somando 188 empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. O fácil acesso por meio de smartphones impulsionou a expansão do mercado nacional, no qual quatro em cada dez mulheres afirmam já ter apostado, atraídas frequentemente por mensagens publicitárias que associam a prática a investimentos ou retornos financeiros rápidos.
Além dos reflexos nas contas públicas e no comércio, o avanço das apostas desencadeou discussões sobre os danos à saúde mental. Especialistas explicam que o mecanismo de reforço intermitente e a incerteza do resultado estimulam o sistema dopaminérgico no cérebro, facilitando a perda de controle e o desenvolvimento de quadros de dependência psicológica.
Diante desse cenário, especialistas defendem uma maior taxação sobre o mercado de apostas para amenizar os impactos fiscais e financiar iniciativas de acolhimento social. Na esfera da saúde, a terapia cognitivo-comportamental desponta como a principal intervenção para o tratamento de indivíduos dependentes, acompanhada por avaliação psiquiátrica e suporte medicamentoso nos casos necessários.