Associação pede providências para que qualquer cobrança atenda aos requisitos estabelecidos pela agência nacional
Navio contêiner da transportadora Maersk que navega pelos rios do Amazonas desde 2009. (Foto: Divulgação/Maersk)
A Associação Comercial do Amazonas (ACA) protocolou uma nova manifestação na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) após a transportadora Maersk emitir um comunicado de cobrança da Low Water Surcharge (LWC), a taxa da seca, no valor de 4,6 mil dólares por contêiner durante a estiagem no Amazonas, caso seja confirmado o cenário de maior restrição à navegabilidade.
O comunicado foi emitido na última terça-feira (25), no qual a Maersk informou a seus clientes que, com base na mais recente avaliação das condições do rio pela Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, da Agência Nacional de Águas (ANA) e de “análise preditiva própria, a maior probabilidade de agravamento do impacto operacional está prevista entre as semanas 42 e 47 de 2026”, equivalente a meados de outubro e fins de novembro, sendo necessária a operação de transbordo com píer flutuante.
No caso de o rio atingir 17,20 metros, segundo a hipótese da própria Maersk, a taxa seria reajustada para 4,6 mil dólares por contêiner dry (todos os tipos), com vigência entre 25 de setembro e 16 de outubro para as exportações de Manaus.
“O próprio comunicado da Maersk esclarece que se trata de reajuste do valor da LWC já comunicada anteriormente, e não de sobretaxa adicional autônoma, a ser aplicado exclusivamente enquanto perdurar a necessidade de operação por píer flutuante, retornando a LWC ao seu valor original quando cessada tal necessidade”, ressaltou.
A associação comercial afirma que o comunicado ainda está fundado em “mera previsão hidrológica” e não na efetiva verificação do parâmetro objetivo fixado pela Antaq, a qual definiu que a cobrança só ocorra após o rio Negro atingir 17,7 metros em Manaus, divergindo do critério adotado pela Maersk de 17,20 metros. A representante aponta ainda que o comunicado não informa se a transportadora informou a Antaq com 30 dias de antecedência, outro requisito definido pela agência.
“Por fim, chama a atenção o expressivo aumento do valor unitário anunciado, de USD 1.228,00 (informado no comunicado de 31/07/2026, já levado ao conhecimento desta Agência) para USD 4.646,00 por contêiner dry, incremento superior a 278% (duzentos e setenta e oito por cento), o que evidencia o potencial de dano de difícil reversão aos associados da ACA e aos demais usuários do Porto de Manaus, caso a cobrança venha a se concretizar sem a prévia observância das determinações da ANTAQ”, completou.
A associação pediu que “qualquer eventual cobrança observe rigorosamente as determinações da Agência, especialmente as regras estabelecidas” pela Antaq no ano passado, que exigem “comunicação prévia e comprovação dos custos extraordinários que fundamentem a cobrança”. O presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, informou que o grupo “continuará acompanhando o tema e atuando na defesa dos seus associados e do setor produtivo amazonense”.