Possibilidade é discutida há pelo menos um ano entre os gestores em meio à chegada de mais de 200 novas indústrias ao Polo Industrial de Manaus
(Foto: Jeiza Russo)
O secretário estadual Gustavo Igrejas, titular da pasta de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), afirmou que uma das possibilidades que vem sendo discutida para resolver o problema da disponibilidade de terras para novas indústrias é utilizar o território que hoje faz parte do Distrito Agropecuário da Suframa, um espaço de quase 600 mil hectares localizado entre os limites de Manaus, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva.
Questionado pela reportagem, o secretário ressaltou que a alternativa vem sendo discutida desde o ano passado em meio ao processo de implantação de 200 novas indústrias na Zona Franca de Manaus (ZFM), além de outros 35 processos de implantação aprovados na reunião do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) realizada nesta quinta-feira (18).
“Tem uma boa parte que não está sendo utilizada, especialmente aquela entre a AM-010 e a BR-174. É uma área que é bem propícia para a gente colocar indústrias com nível 4 e 5 para poder instalar novas empresas lá e resolver essa falta de oferta que nós temos de galpões e terrenos hoje em dia”, disse.
Questionado sobre outras propostas em discussão no âmbito da Prefeitura de Manaus, como a expansão da área urbana da capital ou a criação de corredores industriais nas rodovias, Gustavo Igrejas ressaltou que já existem empresas instaladas no começo da BR-174 e propõe apenas a extensão desse espaço, hoje destinado ao Distrito Agropecuário.
“Seriam extremamente úteis par a indústria, gerando talvez até mais renda do que isso, e sem prejuízo de uma área enorme que você tem também para destinar para o agropecuário”, completou.
Uma possibilidade questionada pela reportagem, mais remota, seria a modificação dos atuais limites da Zona Franca de Manaus, delimitados constitucionalmente à capital, para os municípios da região metropolitana como Iranduba, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Itacoatiara. O secretário lembra que uma proposta como essa já tramitou no Congresso Nacional, que nunca viu a ideia com bons olhos.
“A gente nunca conseguiu avançar com essa proposta. Eu não vejo nada demais. Uma empresa não vai decidir vir para cá porque pode se instalar em Rio Preto da Eva. Não é uma decisão que vai ocorrer por causa da extensão, mas não é da maneira que eles veem lá. Mas, hoje, isso talvez não seja um ponto crucial, acho que o ponto via ser dentro da cidade de Manaus. Estou falando de 10 mil quilômetros que é da ZFM, tem bastante área que a gente pode transformar em industrial sem ter que ir para o Congresso”, disse.
Durante coletiva de imprensa antes da reunião do Codam, o governador Roberto Cidade (União) se colocou à disposição para conversar com o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), para tratar da ampliação dos espaços disponíveis para a indústria, haja vista a falta de disponibilidade nos bairros Distrito Industrial I e Distrito Industrial II.
Questionado sobre a possibilidade de usar parte da área do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, que já foi citada pelo superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, Cidade afirmou que a questão dos aeroportos exigia mais responsabilidade.
“Se tiver viabilidade e se for algo seguro e tiver laudos de órgãos competentes, eu dou total apoio, porque nós precisamos ampliar. A cidade de Manaus é a maior cidade do Norte do país, representa 52% da população do nosso estado. Precisamos trazer mais investimentos para cá e ampliá-la”, afirmou.
Durante a reunião desta quinta, os conselheiros do Codam aprovaram uma pauta com R$ 2,68 bilhões em investimentos totais, a maior de todas até o momento, com previsão de gerar 4,8 mil empregos diretos e indiretos nos próximos três anos. Dentre os projetos estão 35 para implantação de novas fábricas no Polo Industrial de Manaus (PIM), além de 28 de diversificação e 14 de atualização.
Durante a cerimônia, o secretário Gustavo Igrejas apresentou um balanço mostrando que o PIM já faturou mais de 11 bilhões de dólares entre janeiro e março deste ano, número 12,61% acima do mesmo período do ano passado, quando faturou pouco mais de 9,8 bilhões de dólares. Os investimentos feitos no modelo até agora chegaram a 10,6 bilhões de dólares, o maior da série histórica.
Ainda no evento, foi realizada a entrega de uma licença de instalação emitida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) à empresa Eneva, que autoriza a implantação de um cluster e perfuração de três poços exploratórios de gás natural em um bloco localizado no município de Silves, onde a empresa também opera o Campo do Azulão. O documento foi entregue pelo governador Roberto Cidade, pelo vice-governador Serafim Corrêa (PSB) e pelo diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, ao diretor de operações da Eneva, Alcio Adler.
Acerca da questão da seca, que deverá ser marcada pelo El Niño, o vice-governador Serafim Corrêa destacou que mantém contato com os portos privados Chibatão e SuperTerminais, os quais já se comprometeram a deslocar novamente a estrutura dos píeres provisórios para Itacoatiara caso seja necessário, como ocorreu na seca histórica de 2024.
“Esta notícia é dada como forma de tranquilizar a tudo e a todos. Ao contrário de 2023, quando não tínhamos alternativa, em 2024 tivemos e devo registrar que essa sugestão foi dada pelo Jhony Fidelis”, disse, apontado para o diretor executivo geral do Grupo Chibatão.
A fala de Serafim Corrêa ocorre um dia após a Defesa Civil do Amazonas divulgar um alerta prevendo a acentuação da seca em virtude do fenômeno meteorológico, que tem 80% de se estabelecer no segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanecer até 2027. O governo estadual deverá reunir prefeitos e secretários dos municípios mais vulneráveis para discutir medidas prevenção. O estado se encontra hoje em estado de emergência climática e ambiental.