Indústria

Dólar em queda alivia custos de insumos na ZFM, mas acende alerta para concorrência asiática

Lideranças industriais celebram insumos mais baratos, mas temem perda de competitividade frente a importados acabados e dificuldades nas exportações

Lucas dos Santos
10/05/2026 às 13:22.
Atualizado em 10/05/2026 às 13:22

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva (Fieam/Divulgação)

Representantes da Zona Franca de Manaus (ZFM) foram unânimes em dizer que a recente desvalorização do dólar frente ao real beneficia o polo industrial, já que os materiais utilizados na produção deverão ficar mais baratos. No entanto, também há espaço para um aumento da concorrência com o mercado externo, especialmente para produtos importados da Ásia.

Para o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a queda da moeda norte-americana produz efeitos mistos nas indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM). Por um lado, o impacto é predominantemente positivo no curto prazo, já que o real mais valorizado em relação ao dólar diminui o custo “e aquisição de insumos importados, amplamente utilizados pelas indústrias do PIM, contribuindo para a recomposição de margens, maior eficiência operacional e, potencialmente, para a prática de preços mais competitivos no mercado interno”.

“Por outro lado, a valorização do real também reduz a proteção cambial implícita, ao tornar produtos importados mais acessíveis, o que eleva o nível de concorrência no mercado doméstico. Ainda assim, em cenários de variações cambiais moderadas, esses efeitos tendem a ser diluídos e de impacto limitado sobre a estrutura competitiva do Polo, especialmente considerando seus diferenciais fiscais e logísticos”, disse.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, também considerou que a queda do dólar tem efeitos positivos no curto prazo, sobretudo para os setores eletroeletrônico e de duas rodas, profundamente ancorados na importação de insumos e componentes.

“Com a moeda americana em baixa, observamos uma redução direta nos custos de produção, movimento que alivia a pressão inflacionária sobre as linhas de montagem e permite que a indústria absorva choques ou até repasse essa queda aos preços finais, estimulando o aquecimento do consumo no mercado interno brasileiro, que é o principal destino da nossa fabricação”, disse.

No entanto, em um cenário mais amplo, Silva afirma que a valorização do real exige do setor produtivo uma avaliação cautelosa, já que torna os bens de consumo acabados oriundos da Ásia ainda mais baratos, “acirrando a concorrência no varejo nacional e, simultaneamente, retirando a competitividade das nossas exportações ao encarecer o produto amazonense no mercado internacional”.

O mesmo diagnóstico foi dado pelo presidente executivo do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Lúcio Flávio Morais de Oliveira. Se por um lado haveria maior disponibilidade de componentes baratos para as fábricas da ZFM, estimulando investimentos, também “reduz a competitividade dos produtos fabricados no Brasil frente aos importados prontos e pode pressionar a indústria instalada na Zona Franca, sobretudo em segmentos mais sensíveis a preço”.

Tendência de queda deve se estabilizar

Antonio Silva avaliou que, para os próximos meses, a Fieam projeta um cenário de estabilização dessa tendência de queda, apesar de que o câmbio pode permanecer “inerentemente volátil e sensível aos cortes de juros nos Estados Unidos e ao rigor do cumprimento do arcabouço fiscal aqui no Brasil”.

“Enquanto representantes do setor produtivo, entendemos que aproveitar essa janela cambial é vital, mas ela não substitui a nossa urgência em resolver os gargalos estruturais de competitividade”, completou.

O superintendente Leopoldo Montenegro, por sua ver, avaliou eu não há uma indicação clara de manutenção de uma trajetória de queda do dólar, já que o câmbio continua influenciado por juros, fluxo de capitais e conjuntura internacional, “o que sugere um cenário mais provável de volatilidade no curto e médio prazo”.

“De todo modo, cabe destacar que as empresas instaladas no PIM operam historicamente em um ambiente de elevada oscilação cambial, demonstrando capacidade de adaptação e resiliência. Nesse contexto, a Suframa segue acompanhando atentamente os movimentos do mercado, a fim de avaliar seus desdobramentos e apoiar a manutenção da competitividade do polo”, concluiu.

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