desafios e oportunidades

Electrolux aposta em Manaus para enfrentar desafios logísticos e ampliar presença na Amazônia

Com fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus, empresa afirma que adaptou produção, distribuição e atendimento às particularidades da região, marcada por grandes distâncias e eventos climáticos extremos

Michael Douglas*
06/06/2026 às 12:51.
Atualizado em 06/06/2026 às 13:23

Eletrolux Group completa 100 anos de implantação no Brasil em 2026 (Foto: Divugação)

A Amazônia tem se tornado um dos maiores testes para a capacidade de adaptação das grandes indústrias instaladas no Brasil. No caso da Electrolux, a operação em Manaus não apenas desempenha papel estratégico na fabricação de produtos, como também se transformou em um importante centro logístico e de atendimento para toda a região Norte. Em meio aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, especialmente após a seca histórica registrada em 2023, a companhia precisou rever estratégias de transporte e reforçar mecanismos para garantir a continuidade de suas operações.

As informações foram compartilhadas por executivos da empresa durante visita às unidades industriais da Electrolux em Curitiba e São José dos Pinhais, no Paraná. Com uma fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus, responsável pela produção de aparelhos de ar-condicionado e fornos micro-ondas, a companhia afirma que a unidade amazonense segue os mesmos padrões ambientais e operacionais adotados nas demais plantas brasileiras.

Mudanças climáticas desafiam operação na Amazônia

Segundo o diretor de sustentabilidade da Electrolux para a América Latina, João Zeni, a fábrica de Manaus opera com energia elétrica proveniente de fontes renováveis, possui certificações ambientais e mantém políticas voltadas para a redução da geração de resíduos. Entretanto, ele ressalta que os desafios da região vão muito além dos processos internos da indústria.

A estiagem severa que atingiu a Amazônia nos últimos anos, reduzindo drasticamente os níveis dos rios utilizados para transporte de cargas, exigiu respostas rápidas da empresa. De acordo com Zeni, a Electrolux precisou desenvolver alternativas para garantir o escoamento da produção durante os períodos mais críticos.

“Tivemos que criar novas estratégias de cabotagem para conseguir escoar os produtos. Hoje já temos diferentes estratégias prontas para situações desse tipo”, afirmou.

Para o executivo, eventos como a seca histórica da Amazônia mostram que as mudanças climáticas passaram a impactar diretamente o funcionamento das empresas. Ele lembra que fenômenos semelhantes também afetaram operações industriais em outras regiões do país, como a escassez de água enfrentada por unidades no Paraná.

“Há 20 anos isso parecia algo distante. Hoje vemos o impacto direto no negócio. A questão climática já afeta operações, logística e abastecimento, exigindo que as empresas desenvolvam estratégias de adaptação”, disse.

Segundo Zeni, a experiência vivida durante os períodos de estiagem extrema serviu como aprendizado para a construção de novos planos logísticos. Hoje, a empresa mantém protocolos específicos para situações que possam comprometer a navegação nos rios amazônicos e o transporte de mercadorias.

Rede de atendimento alcança municípios do interior

Além da produção industrial, Manaus desempenha papel central na estratégia de pós-venda da companhia na região Norte. O vice-presidente de Negócios e Serviços ao Consumidor para a América Latina, Rodrigo Padilha, explica que a empresa utiliza uma base de dados construída ao longo de mais de 15 anos para identificar padrões de consumo e antecipar a demanda por peças de reposição em diferentes localidades do Amazonas.

Segundo ele, a fábrica de Manaus e o Centro de Serviço Top Service respondem juntos por cerca de 90% do abastecimento de peças na região. Os 10% restantes são enviados a partir do centro de distribuição nacional da empresa, localizado em São José dos Pinhais, no Paraná.

“O objetivo é garantir proximidade com o consumidor e adaptar nossa operação às necessidades específicas da região”, afirmou.

A estratégia inclui ainda uma rede de atendimento voltada para municípios do interior do estado. Atualmente, a empresa disponibiliza o serviço EluxPost em 54 cidades amazonenses, permitindo que consumidores enviem equipamentos para reparo mesmo em localidades sem assistência técnica presencial. Além disso, mantém parceiros autorizados e postos avançados em municípios como Parintins, Itacoatiara, Rio Preto da Eva e Iranduba.

Padilha destaca que a logística da empresa foi estruturada em diferentes camadas para minimizar os impactos das grandes distâncias e das limitações de infraestrutura características da Amazônia.

“Nossa logística funciona em camadas complementares. A fábrica e os centros técnicos em Manaus fazem a primeira linha de abastecimento e suporte, enquanto a malha nacional garante redundância e absorve variações de demanda”, explicou.

Outro desafio apontado pela empresa é a qualificação de profissionais que atuam em regiões mais remotas. Para isso, a Electrolux mantém um programa permanente de capacitação por meio da Universidade de Serviços Electrolux (USE), plataforma digital que oferece treinamento técnico e comportamental para profissionais credenciados em todo o país. No Amazonas, os cursos online são complementados por atividades práticas presenciais e certificações periódicas realizadas em parceria com instituições como o Senai.

Brasil tem papel estratégico na operação global

Operação latino-americana representa cerca de 22% das vendas mundiais da companhia (Foto: Gian Galani)

A visita às fábricas paranaenses também evidenciou a importância do Brasil dentro da estrutura global da Electrolux. A operação latino-americana representa cerca de 22% das vendas mundiais da companhia e é considerada uma das mais relevantes em termos de rentabilidade e desenvolvimento de produtos.

A empresa possui atualmente cinco fábricas na América Latina, localizadas em Manaus, Curitiba, São José dos Pinhais, São Paulo e Rosário, na Argentina. Segundo dados apresentados pela companhia, a região conta com aproximadamente 9 mil colaboradores e é considerada uma das maiores exportadoras de talentos para o grupo sueco.

Em Curitiba está localizada a maior fábrica da Electrolux no Brasil em número de funcionários. A unidade possui mais de 2 mil colaboradores, produz cerca de 2,45 milhões de produtos por ano e é especializada em refrigeração. Já o complexo industrial de São José dos Pinhais concentra a fabricação de eletroportáteis, filtros de água, aspiradores de pó, ventiladores e outros equipamentos de pequeno porte.

Centenário marca aposta em inovação e sustentabilidade

Atualmente, a empresa está presente em cerca de 70% dos lares brasileiros e já lançou mais de 130 novos produtos apenas em 2026 (Foto: Gian Galani)

Fundada em 1919, em Estocolmo, na Suécia, a Electrolux chega ao centenário de instalação no Brasil - chegou em 1926 - em um momento de transformação do mercado de eletrodomésticos. A companhia afirma estar ampliando investimentos em inovação, conectividade e serviços, em uma estratégia que busca ir além da simples venda de produtos.

Atualmente, a empresa está presente em cerca de 70% dos lares brasileiros e já lançou mais de 130 novos produtos apenas em 2026. Nos últimos 15 anos, mais de 175 milhões de produtos foram disponibilizados ao mercado pela companhia.

A sustentabilidade também ocupa espaço central na estratégia corporativa. Dados apresentados pela empresa mostram que mais de 3,5 milhões de produtos foram reciclados nos últimos cinco anos, resultando no reaproveitamento de mais de 100 mil toneladas de materiais. Recentemente, a companhia anunciou a vinculação de parte da remuneração variável de executivos ao cumprimento de metas climáticas e ambientais.

Ao olhar para os próximos cem anos, a Electrolux aposta em uma combinação de inovação tecnológica, serviços e adaptação aos desafios ambientais. 

*Jornalista viajou a convite da Electrolux Group para Curitiba

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