Os dados foram apresentados na abertura da Eletrolar Show All Connected, que ocorre no Distrito do Anhembi até quinta-feira.
(Foto: Agência Brasil)
O presidente executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento Júnior, informou que o setor comercializou 54 milhões de unidades entre janeiro e maio de 2026, um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas a venda de condicionadores de ar teve uma queda de 17%.
Os dados foram apresentados na abertura da Eletrolar Show All Connected, que ocorre no Distrito do Anhembi até quinta-feira.
Segundo os dados das associadas, o número é quase metade de todo o volume comercializado em 2025, quando o setor vendeu 124,2 milhões de produtos, uma ligeira queda de 1% em relação a 2024. O resultado foi puxado pelo aumento de 16% nas vendas dos produtos de linha branca, que inclui eletrodomésticos como geladeiras, fogões e máquinas de lavar.
Nos primeiros cinco meses deste ano, foram entregues mais de 7 milhões de unidades, quase metade de todo o ano de 2025, quando a linha branca vendeu 16 milhões de unidades. Houve também um ligeiro crescimento de 3% no período nas vendas de produtos da linha marrom, especialmente televisores, impulsionados pela Copa do Mundo, com 5,6 milhões de unidades vendidas.
“Infelizmente, esse crescimento não é linear. Alguns segmentos tiveram queda, e o mais significativo foi o segmento de ar-condicionado, que em 2025 chegou a quase 7 milhões de unidades de produtos, fazendo com que o Brasil se tornasse o segundo maior polo produtor do mundo, ficando atrás somente da China. Infelizmente, de janeiro a maio, tivemos uma queda de 17%”, disse o presidente da Eletros.
Jorge Júnior ressaltou que a forte retração vem na esteira de uma forte queda de temperatura registrada nas regiões Sul e Sudeste, maiores consumidores dos produtos. Outro segmento em que houve queda nas vendas foi no de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), com um número 13% menor que janeiro a maio de 2025, voltando aos patamares de 2024: 792 mil itens comercializados.
“Aqui a gente está falando exclusivamente de monitores de vídeo, principalmente aqueles monitores para jogos. A gente entende que é uma acomodação. Houve um crescimento muito grande nos últimos anos desse setor”, explicou.
OTIMISMO
Com os dados equilibrados, o presidente da Eletros estima que, num cenário otimista, o setor de eletroeletrônicos registre um crescimento de 20% ao final do ano na comparação com 2025, com o maior responsável sendo a linha portátil. A associação projeta que o segmento cresça 31% até junho, seguido pela linha branca (12%) e a linha marrom (2%), com somente os condicionadores de ar e os TICs puxando o resultado para baixo por enquanto.
“Considerando que nós temos ainda a possibilidade de chegada de um super El Niño, que pode fazer com que as temperaturas sejam elevadas, nesse momento o ar-condicionado vende muito. A gente tem uma expectativa de retomada desse crescimento, consolidando o ano em 20%. Isso é uma expectativa, uma projeção otimista, de uma melhoria do ambiente climático e econômico do país”, disse.
O dirigente destacou, contudo, que alguns desafios precisam ser superados para alcançar esse cenário, a exemplo da taxa de juros, hoje em 14,25% ao ano, prejudicando as compras parceladas que formam a maioria das vendas do setor eletroeletrônico.
“Quando o consumidor vai até a loja para comprar e ele identifica que os juros estão tão elevados que a parcela não cabe no bolso, ele se retrai, não vai ao consumo. É necessário um foco intenso nessa redução de juros. A própria carga tributária, o aumento de custo, reduz a competitividade da indústria. Pegar o financiamento hoje para a indústria é um custo elevado, que também faz com que haja uma não ousadia da empresa, ela fica mais conservadora”, frisou.
A questão regulatória é outro problema, principalmente no segmento de ar-condicionado. Jorge Júnior informou que um dos produtos, o condicionador de ar de janela, é equivocadamente entendido como obsoleto e possui uma política prejudicial à industrialização do item, cujo número de fábricas caiu de seis para duas desde o ano passado.
Tecnologia em todos os itens
Para o presidente do Grupo Eletrolar, Carlos Clur, os resultados apresentados durante a coletiva de imprensa significam que a tecnologia deixou de ser um diferencial para se tornar definitivamente parte da rotina dos consumidores, estando nos mais diversos itens.
"Hoje ela está presente nos eletrodomésticos, nos sistemas de segurança, nos equipamentos de entretenimento e nas residências conectadas. O crescimento observado pela indústria e pelo varejo mostra que inovação, conectividade e eficiência já influenciam diretamente as decisões de compra e os investimentos das empresas”, avaliou.
A Eletrolar Show All Connected chega a sua 19ª edição neste ano, atraindo mais de mil fabricantes nacionais e internacionais, cerca de 5 mil marcas e compradores de toda a América Latina.
O evento é apoiado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que participa para divulgar os benefícios do modelo a empresas que ainda não estão no polo.
A reportagem viajou a convite para cobertura do evento, que segue até quinta-feira.
Preço acessível impulsiona vendas
O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), avaliou que o preço acessível e a agilidade no deslocamento entre grandes distâncias como os principais fatores para o crescimento de 11,9% nas vendas de motocicletas, motonetas e ciclomotores produzidos no Polo Industrial de Manaus (PIM), segundo os dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
A autarquia federal informou que o polo já faturou mais de R$ 78 bilhões entre janeiro e abril de 2026, além de manter uma média superior a 130 mil empregos diretos. O segmento de Duas Rodas liderou a participação no faturamento, com uma fatia de 20,9%. As informações da Suframa apontam que foram produzidas mais de 800 mil unidades nos primeiros meses do ano.
“As próprias características da motocicleta fazem com que, cada vez mais, o consumidor opte pelo veículo. Entre os diversos fatores, podemos destacar o preço mais acessível, a economia de combustível, o baixo custo de manutenção, a agilidade nos deslocamentos urbanos e o crescimento da utilização profissional. Com isso, a motocicleta se torna uma solução mais econômica e acessível de transporte para as diferentes regiões do Brasil”, disse o diretor da Abraciclo.
Sergio Oliveira destacou que o aumento não se limita aos centros urbanos nacionais e que o uso das motocicletas tem se expandido para todo o país. É importante destacar que os dados da Suframa tratam apenas de janeiro a abril. Segundo as informações divulgadas pela Abraciclo até maio, a produção de motocicletas já passa de 932,5 mil, volume 10,1% maior que o mesmo período de 2025.
Para o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, os indicadores de desempenho do polo industriam mostram que o ambiente de negócios da região segue fortalecido e atrativo para novos investidores. Na quinta-feira, o Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) aprovou uma pauta de R$ 2,68 bilhões, com previsão de instalação de 35 novas empresas no PIM.
LINHA DE CRÉDITO
Questionado sobre o programa Move Brasil – Entregadores e Motoapp, lançado pelo governo federal para conceder crédito a motociclistas profissionais e entregadores, Sergio Oliveira avaliou a iniciativa como positiva, já que oferece aos trabalhadores “novas opções de financiamento para a compra de motocicletas e bicicletas elétricas fabricadas no Brasil”.
“A entidade aguarda a publicação da Portaria do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio (MDIC) que habilitará as empresas fabricantes, bem como as listas das marcas e modelos elegíveis às linhas de financiamento”, completou.
O programa foi lançado no dia 12 de junho e é voltado para profissionais que trabalham com entregas de mercadorias, transporte de passageiros ou transporte de cargas por meio de aplicativos ou com vínculo celetista. A iniciativa tem como objetivo facilitar a aquisição de bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, montados ou produzidos no Brasil, cujo polo produtor está na ZFM.