E-commerce amazonense

Empresa de Manaus aposta na bioeconomia pelo varejo digital

Criada para conectar produtores amazônicos ao mercado, a Made In Amazon transforma saberes da floresta em produtos sustentáveis com alcance global

acritica.com
07/06/2026 às 17:53.
Atualizado em 07/06/2026 às 17:53

À frente do negócio está a jornalista e empresária Pamela Mota Oliveira, que vem construindo sua trajetória conectando comunicação, eventos e bioeconomia (Divulgação)

Não por acaso, a Estratégia Nacional de Bioeconomia do governo federal foi instituída pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) exatamente no dia 5 de junho de 2024, o Dia Mundial do Meio Ambiente. O Decreto nº 12.044 nasceu com um recado claro: o Brasil quer transformar sua biodiversidade em desenvolvimento, inovação e inclusão social. Dois anos depois, em um momento em que o mundo está cada vez mais atento para as pautas ambientais, uma empresa fundada em Manaus, a Made In Amazon, já desenvolve desde 2025 um projeto de bioeconomia no varejo digital.

Dados de 2026 do WRI Brasil, organização global de pesquisa que trabalha para melhorar a vida das pessoas, proteger a natureza e estabilizar o clima, mostram que a bioeconomia já gera um PIB de R$ 12 bilhões somente na Amazônia Legal. Com investimentos adicionais, a estimativa é que esse valor chegue a R$ 38,6 bilhões em 2050, gerando mais de 800 mil novos empregos, substituindo atividades historicamente associadas ao desmatamento.

Com base nessa nova realidade, o e-commerce amazonense criado para dar visibilidade a produtos sustentáveis e autênticos feitos por produtores da Amazônia começa a ganhar espaço. À frente do negócio está a jornalista e empresária Pamela Mota Oliveira, que vem construindo sua trajetória conectando comunicação, eventos e bioeconomia com um objetivo preciso: levar a floresta para qualquer lugar do mundo.

“Vendemos a arte que emana da floresta, traduzida pelas mãos daqueles que sabem muito sobre ancestralidade, identidade e regionalismo. Queremos sempre contar a história desses produtos, porque o que vale mesmo é saber a origem, o insumo e como ela é feita”, cita a empresária.

Da feira ao clique

A semente da Made In Amazon nasceu durante as passagens da empresária e do marido Orsine Junior, cofundador da iniciativa, por diversas feiras e exposições. “A ideia surgiu a partir de várias viagens onde percebíamos o desejo das pessoas em ter produtos e artesanatos da Amazônia. E a dificuldade dos artesãos em ter como vender esses produtos de uma maneira mais acessível nos fez enxergar essa modalidade de negócio, uma vez que dessa forma podemos chegar a qualquer lugar do mundo”, conta Pamela. 

O diagnóstico era simples e urgente ao mesmo tempo: havia demanda de um lado, talento do outro e um abismo logístico e tecnológico entre eles. E o e-commerce surgiu como ponte.

“É o ressignificado do que é descartado pela floresta. A forma como esses insumos são aplicados e a maneira como são utilizados na produção de produtos. O que muitas vezes era feito com essências ou insumos industrializados agora pode ser feito de fibras, madeira descartada ou até mesmo do tucumã, que vira uma essência”, ressalta a empresária.

Curadoria que vai além da embalagem

Transformar um produto da bioeconomia amazônica em ativo de mercado exige muito mais do que uma embalagem bonita. De acordo com Pamela Mota, o caminho começa por um processo criterioso de curadoria. “Buscamos sempre ter um olhar muito cuidadoso, uma curadoria que mescla o contemporâneo com o artesanal. Sabemos que o cliente turista é bem exigente quando se fala de qualidade”, explica.

O desafio, segundo ela, é mostrar que o artesanato e o moderno não são opostos. “Nosso objetivo é reforçar que nossos produtos, apesar de serem artesanais, podem ser utilizados de diversas formas, seja para compor um ambiente, um look, uma receita. Que ele é moderno e atemporal”, observa.

E na semana em que as discussões sobre um novo caminho e aprimoramento de soluções efetivas para as questões ambientais estiveram em foco, Pamela diz que o processo precisa mudar de verdade e que vá além dos discursos de “cúpula” e das metas climáticas.

“Precisamos ser vistos como produtores de valores. Aqui incluo valores reais em preservação da floresta através do reaproveitamento de insumos como subsistência e o reconhecimento da floresta em pé como um ativo econômico. Mas a maior transformação vai ser quando o mundo perceber que o maior produto da Amazônia não é a matéria-prima, mas o valor que nasce do conhecimento de quem vive na floresta”, conclui.
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