PARCERIA E INVESTIMENTO

Eneva aposta na cultura e no desenvolvimento regional para consolidar presença no Amazonas

Patrocinadora do Festival de Parintins pelo quinto ano consecutivo, empresa soma até R$ 8 bilhões em investimentos no estado e prepara nova etapa do Complexo Azulão

Pedro Sousa
27/06/2026 às 16:44.
Atualizado em 28/06/2026 às 09:44

CEO da Eneva, Lino Lopes Cançado afirma que o apoio ao Festival de Parintins faz parte da estratégia da empresa de fortalecer sua presença no Amazonas (Fotos: Junio Matos/A Crítica)

O azul e o vermelho tomam conta das arquibancadas, as toadas embalam o público e as marcas dos patrocinadores aparecem espalhadas pelo Bumbódromo. Entre elas está a Eneva, que neste ano completa cinco edições consecutivas apoiando o Festival Folclórico de Parintins.

Para o CEO da companhia, Lino Lopes Cançado, a presença no maior espetáculo cultural da Amazônia acompanha uma decisão tomada há alguns anos: construir uma relação duradoura com um estado onde a empresa concentra um dos maiores ciclos de investimentos da sua história.

"São projetos estruturantes muito grandes, com investimentos de capital muito elevados. São projetos de 10, 15, 20 anos para ter retorno. Então é muito importante que a gente se integre à região onde opera. É por isso que a gente fala em gerar oportunidades", afirmou.

Na prática, isso significa investir também fora das usinas. A empresa mantém programas de qualificação profissional, incentiva fornecedores locais, desenvolve projetos sociais e aposta no fortalecimento da cultura regional. Foi essa combinação que levou a Eneva a patrocinar o Festival de Parintins.

"O Festival de Parintins é praticamente uma unanimidade no Norte. Todo mundo conhece, acompanha, torce. Para nós, é um evento que ajuda a companhia a se integrar à cultura do Amazonas e de toda a região Norte."

R$ 8 bilhões investidos no Amazonas

A Eneva chegou ao Amazonas em 2018, quando adquiriu o Campo de Azulão, em Silves. Desde então, a companhia implantou um complexo de produção de gás natural e geração de energia que já consumiu entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões em investimentos. O montante inclui atividades de exploração, perfuração de poços, construção da planta de liquefação do gás e implantação das usinas termelétricas.

Complexo Azulão, em Silves, reúne projetos de produção de gás natural e geração de energia que já receberam entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões em investimentos. Foto: Reprodução/Eneva

 Uma nova etapa desse complexo entra em operação no início de agosto deste ano. Outra usina, prevista para julho de 2027, elevará a capacidade instalada para cerca de 950 megawatts de geração no Amazonas.

Antes disso, o gás produzido em Azulão passou a abastecer uma usina em Roraima, substituindo parte da geração movida a diesel e respondendo por aproximadamente metade da energia consumida no estado vizinho.

Cançado afirma que o investimento não termina quando as obras são concluídas.

"Essas plantas vão operar por 15, 20 anos ou mais. É um investimento que permanece na região e continua gerando oportunidades."

Empregos e fornecedores locais

Durante o pico das obras, cerca de 4 mil trabalhadores atuaram diretamente na construção dos empreendimentos. Hoje, aproximadamente 2 mil pessoas continuam empregadas nos projetos da companhia.

Além dos postos de trabalho, o executivo destaca que os investimentos movimentam diversos setores da economia, como hotelaria, alimentação, transporte, metalurgia, construção civil e empresas do Polo Industrial de Manaus, que passaram a fornecer equipamentos e estruturas para os empreendimentos.

Segundo ele, a empresa procura identificar fornecedores amazonenses capazes de atender às demandas das obras para reduzir a necessidade de contratar empresas de outros estados.

"A gente procura privilegiar o fornecedor local justamente para se inserir na economia da região", disse.

Formação de mão de obra

Parte desse trabalho passa pela qualificação profissional. A Eneva reformou uma escola técnica em Silves em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), onde são oferecidos cursos profissionalizantes com bolsas de estudo.

A empresa também seleciona trabalhadores durante a implantação dos empreendimentos e os envia para treinamento em outras unidades da companhia antes de retornarem ao Amazonas para atuar na operação das usinas.

Hoje, segundo Cançado, praticamente toda a equipe responsável pelo complexo já mora no estado. "Dos profissionais que vão operar o projeto, nós só temos quatro pessoas que não residem no Amazonas", pontuou.

Projetos sociais

A companhia também mantém iniciativas voltadas à geração de renda em comunidades próximas aos empreendimentos.

Um dos programas é o Elas Empreendedoras, voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade, que trabalham com produção de biojoias, costura e alimentos.

Outro projeto incentiva pequenos produtores de café robusta cultivado em sistema florestal. A empresa também desenvolve ações de apicultura com moradores da região, fornecendo treinamento, equipamentos e apoio para organização das cooperativas.

Segundo o CEO, o objetivo é criar condições para que esses negócios caminhem de forma independente. 

Patrocinadora do Festival de Parintins pelo quinto ano consecutivo, a Eneva também desenvolve projetos de qualificação profissional e geração de renda em comunidades do Amazonas. Foto: Junio Matos/A Crítica

"É um produto de exportação"

 Esta é a terceira vez que Cançado acompanha o Festival de Parintins. Ele conta que saiu da primeira visita impressionado com o tamanho do espetáculo.

"É um dos poucos lugares do mundo em que a realidade supera a expectativa. É nível espetáculo da Broadway. Não deixa nada a desejar. É um produto de exportação cultural", concluiu.
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