Crescimento ocorreu anos após o empresário afirmar que deixaria de investir no país como Lula na presidência
Havan projeta chegar a 200 megalojas em 2026 (Foto: Divulgação)
O Grupo Havan divulgou um faturamento de R$ 18,5 bilhões em 2025, número 16% maior em relação a 2024 e o recorde registrado pela empresa. Segundo a comunicação do grupo, o resultado “reflete o aumento do número de clientes e o desempenho das vendas ao longo ano”. O balanço positivo é divulgado quatro anos depois do empresário Luciano Hang, dono da empresa, afirmar que deixaria de investir no Brasil caso Lula (PT) fosse eleito em 2022.
No comunicado, a empresa mostra que obteve um lucro líquido de R$ 3,5 bilhões. Houve destaque ainda para a inauguração de sete megalojas no último ano, incluindo a de Manaus. Para Luciano Hang, o desempenho é fruto do trabalho conjunto de colaboradores e clientes.
“Batemos recordes de faturamento, de fluxo de clientes e tivemos o maior lucro da nossa história. Isso é fruto do empenho da nossa equipe, da parceria com fornecedores e da confiança dos clientes. Foi um ano extraordinário”, afirmou.
A Havan projeta chegar a 200 megalojas em 2026 e atingir um faturamento de R$ 22 bilhões ao final do ano. Hang disse ainda que “2025 foi um ano com muitos obstáculos, mas conseguimos com muito trabalho e resiliência superar os desafios. Na Havan, sempre acreditamos que lucro e alegria caminham juntos. Não buscamos o lucro a qualquer custo. Mas, quando colocamos esses dois valores lado a lado, os resultados aparecem.
Os números crescentes contrastam com falas do empresário no período das eleições de 2022. Na época, o catarinense, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou à revista Veja que pararia de investir no Brasil caso Lula (PT) fosse eleito.
“Vou repensar a minha vida se uma desgraça dessa acontecer. Eu vou repensar a minha vida, como fizeram os empresários venezuelanos e argentinos que, quando viram que o barco estava afundando, pararam seus negócios, venderam e foram embora. Eu não me vejo mais investindo no Brasil se a esquerda voltar”, disse em agosto de 2022.
Em 2024, Hang foi condenado a pagar R$ 85 milhões em multas por coagir empregados a votar em Jair Bolsonaro durante as eleições de 2024. A sentença foi proferida em ação pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Na decisão, o juiz Carlos Alberto Pereira de Castro escreveu que Hang teria reeditado o antigo “voto de cabresto”, no qual pessoa dotada de maior poder numa comunidade busca impor sua escolha política aos demais.
O pensamento bolsonarista também era ecoado pelo ex-ministro Paulo Guedes, que chefiou o superministério da Economia durante a gestão Bolsonaro. Em entrevista um podcast, Guedes afirmou que, sob Lula, o Brasil viraria uma Argentina em seis meses e uma Venezuela em um ano e meio. Depois, retratou-se e disse que o país viraria uma Argentina em três anos e uma Venezuela em cinco ou seis anos.