Mercado imobiliário

Leilão de imóveis: vale a pena? Entenda como funciona, as modalidades e o crescimento do mercado

Com descontos que vão de 30% a 50% do valor de avaliação e pregões 100% online, leilões deixaram de ser território exclusivo de investidores — mas exigem preparo; veja o guia completo

acritica.com
30/07/2026 às 13:23.
Atualizado em 30/07/2026 às 13:23

(Foto: Reprodução)

Comprar um imóvel por metade do preço parece promessa de anúncio duvidoso — mas é, todos os dias, o resultado de leilões realizados dentro da lei em todo o Brasil. Segundo a Associação Brasileira dos Arrematantes de Imóveis (Abraim), 116,6 mil imóveis foram levados a leilão no país apenas no primeiro semestre de 2025, alta de 25,1% sobre o mesmo período do ano anterior. Entender como esse mercado funciona — e para quem ele vale a pena — deixou de ser curiosidade e virou educação financeira básica.

O que é um leilão de imóveis e por que ele é importante?

Leilão de imóveis é a venda pública de um bem ao maior lance, conduzida por leiloeiro oficial sob regras definidas em edital. Sua importância vai além do desconto: é o mecanismo que devolve liquidez ao mercado — permite que bancos recuperem crédito de financiamentos não pagos, que a Justiça converta bens em pagamento de dívidas e que imóveis parados voltem a circular. Para o comprador, é uma das formas mais transparentes de aquisição que existem: todos os lances são públicos, as regras estão escritas no edital e o processo é conduzido por um profissional com fé pública.

Quais são as modalidades de leilão de imóveis?

São três origens principais, e conhecê-las é o primeiro passo de qualquer análise:

Leilão extrajudicial — o mais comum hoje. Previsto na Lei 9.514/97 (alienação fiduciária), acontece quando um financiamento imobiliário deixa de ser pago: o banco consolida a propriedade e é obrigado a levar o imóvel a leilão em duas praças. Na primeira, o lance mínimo parte do valor de avaliação; na segunda, o piso cai — e é onde surgem os maiores descontos.

Leilão judicial — determinado pela Justiça em execuções de dívidas, penhoras e partilhas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contabilizou mais de 320 mil imóveis leiloados no Brasil entre 2023 e 2024, e os pregões eletrônicos dos tribunais tornaram a modalidade acessível a qualquer habilitado.

Venda direta — quando o imóvel não encontra comprador em praça, bancos passam a ofertá-lo por valor fixo, sem disputa de lances. Proprietários e empresas também têm usado o leilão voluntariamente como canal de venda rápida e transparente.

Nas três modalidades, a regra de ouro é a mesma: o edital é a lei daquele leilão. Prazos, formas de pagamento, dívidas e condições de ocupação — está tudo lá.

O mercado de leilões está crescendo?

Está, e em ritmo forte. Além do salto de 25,1% registrado pela Abraim no primeiro semestre de 2025, a digitalização mudou a escala do mercado: pregões que reuniam dezenas de pessoas em auditórios hoje recebem lances de todo o país pela internet — inclusive de compradores do Amazonas, que participam de leilões de qualquer estado sem sair de Manaus. Segundo a Spy Leilões, plataforma que monitora editais de leilões de imóveis em todo o território nacional, estão em oferta ativa atualmente cerca de 60 mil imóveis, e a procura por leilões cresceu 27% no último ano — com avanço expressivo também nas regiões Norte e Nordeste, historicamente menos atendidas pelo mercado tradicional.

Afinal, vale a pena comprar imóvel em leilão?

Vale — para quem se prepara. A conta a favor é objetiva: descontos típicos de 30% a 50% sobre o valor de avaliação, transparência total do processo e, em muitos leilões bancários, possibilidade de financiamento e uso do FGTS. A conta de risco também é conhecida: imóvel ocupado (a desocupação corre por conta do arrematante), dívidas vinculadas ao bem em alguns casos, e custos extras — comissão do leiloeiro (em geral 5%), ITBI e registro. A diferença entre bom negócio e dor de cabeça está em cinco verificações: ler o edital na íntegra, analisar a matrícula atualizada, checar dívidas, confirmar a situação de ocupação e provisionar os custos. Por isso a recomendação unânime dos especialistas é contar com assessoria jurídica especializada antes do lance — o custo da análise é uma fração do desconto obtido.

Perguntas frequentes

Qualquer pessoa pode participar de um leilão de imóveis?

Sim. Basta ser maior e capaz e se habilitar na plataforma do leiloeiro responsável, enviando os documentos exigidos no edital.

Imóvel de leilão pode ser financiado?

Em muitos leilões bancários, sim — inclusive com FGTS em condições específicas. As regras constam sempre do edital de cada imóvel.

Qual a diferença entre primeira e segunda praça?

Na primeira, o lance mínimo costuma partir do valor de avaliação; na segunda, o piso cai para percentuais menores — é onde estão os maiores descontos.

Comprar imóvel ocupado é um erro?

Não necessariamente: o desconto costuma ser maior justamente por isso. Mas a desocupação é responsabilidade do arrematante, o que reforça a importância da orientação jurídica.

Quer saber mais sobre os leilões de imóveis disponíveis na sua região? Acesse a Spy Leilões, um dos sites de referência no mercado nacional — a plataforma reúne editais de todo o país em um único painel de busca, com filtros por estado e cidade, e conecta o interessado a assessoria jurídica especializada para arrematar com segurança.

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