Microempreendedorismo

Manaus abre 44 mil empresas em um ano, e oito em cada dez novos negócios nascem como MEI

Levantamento a partir de registros públicos de CNPJ mostra 188.785 empresas ativas na capital, que concentra cerca de 78% dos CNPJs do Amazonas. O bairro Cidade Nova supera o Centro em negócios ativos, e a logística lidera as aberturas, acompanhando o comércio eletrônico.

acritica.com
27/08/2026 às 11:51.
Atualizado em 27/08/2026 às 11:51

(Foto: Divulgação)

Manaus chegou a 188.785 empresas com CNPJ ativo em 2026 e vive um ciclo forte de criação de novos negócios. Os dados são de um mapeamento feito pela Leadjet, empresa de tecnologia que organiza registros públicos de CNPJ.

Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 44.191 empresas foram abertas na capital e permanecem ativas, o equivalente a 23,4% de todo o estoque de CNPJs da cidade. Quase um quarto das empresas manauaras em atividade, portanto, tem menos de um ano de vida.

O ritmo mudou de patamar na virada do ano. O mês completo mais fraco do período foi novembro de 2025, com 2.624 aberturas. Em janeiro de 2026 veio o salto para 5.265 novas empresas, praticamente o dobro, no maior volume mensal da série. Desde então, todos os meses completos ficaram acima de 4,1 mil, com julho somando 4.553 aberturas.

Parte do desenho tende a ser sazonal. Novembro e dezembro costumam ser fracos para formalização, e janeiro concentra decisões represadas na virada do ano, de quem transforma uma renda extra em atividade principal ou antecipa o registro para começar o ano operando.

O que chama atenção em 2026 é o novo patamar: mesmo os meses completos mais fracos do ano superaram com folga os melhores meses do fim de 2025.

Oito em cada dez novos negócios nascem como MEI

O perfil das empresas novas de Manaus é fortemente concentrado no pequeno empreendedor, bem acima do padrão nacional. Entre as abertas nos últimos 12 meses, 80,4% nasceram como Microempreendedor Individual (MEI), mais de 23 pontos percentuais acima dos 57% que o MEI representa no conjunto das empresas ativas do Brasil, segundo o mesmo levantamento. Mais de 95% das novatas optaram pelo Simples Nacional.

Na prática, o motor do crescimento é o trabalhador por conta própria: o profissional que formaliza a atividade para emitir nota fiscal, contribuir para a previdência e acessar crédito.

É um retrato diferente do que a fama industrial da cidade sugere, e que aparece com nitidez na lista dos setores que mais abrem empresas.

Logística lidera as aberturas de empresas novas

Três atividades ligadas ao transporte e à entrega aparecem entre as que mais abriram empresas em Manaus no período: serviços de malote e entrega (2.055 aberturas), transporte rodoviário municipal de cargas (1.745) e serviços de entrega rápida (1.228).

Somadas, passam de 5 mil novas empresas, um movimento que acompanha a expansão do comércio eletrônico e o peso logístico da cidade na região Norte.

Completam o topo da lista atividades de serviços e comércio popular: promoção de vendas (1.898), serviços de apoio administrativo (1.707), atividades de ensino (1.609), comércio varejista de vestuário (1.418) e cabeleireiros, manicure e pedicure (1.384).

São negócios de baixa barreira de entrada, que dependem mais de trabalho do que de capital.

Cidade Nova tem mais empresas que o Centro

A geografia dos CNPJs também desfaz uma imagem antiga. O Centro de Manaus, com 8.193 empresas ativas, não é o maior núcleo empresarial da cidade: a Cidade Nova, na zona norte, lidera com 11.752, seguida pelo Novo Aleixo, com 9.019. O Parque 10 de Novembro, com 7.766, vem logo atrás do Centro.

O desenho é de uma cidade policêntrica, em que o comércio e os serviços acompanharam a expansão das zonas residenciais. Para quem pensa políticas de apoio ao pequeno negócio, o dado importa: o empreendedorismo manauara está espalhado pelos bairros, e não concentrado no eixo histórico.

A outra indústria de Manaus

A capital tem 13.094 indústrias ativas, considerando os CNPJs com atividade principal de extração ou transformação, o que a coloca como décimo município industrial do país em número de empresas. O dado curioso é que as gigantes do Polo Industrial de Manaus, vitrine da Zona Franca, cabem em poucas dezenas desses registros.

Em quantidade de CNPJs, quem manda é outra indústria: a fabricação de produtos de padaria lidera com 1.546 estabelecimentos, 11,8% do parque, seguida por serviços de usinagem, tornearia e solda (726), fabricação de móveis de madeira (632) e instalação de máquinas e equipamentos industriais (524).

Os dois retratos convivem. O Polo Industrial, que faturou mais de R$ 227 bilhões em 2025 e mantém cerca de 131 mil empregos diretos, segundo os indicadores oficiais divulgados pela Suframa, concentra o faturamento e o emprego fabril em grandes plantas de eletroeletrônicos e duas rodas.

Já o tecido de milhares de pequenas indústrias e oficinas forma a economia fabril do dia a dia, que abastece a cidade e presta serviços às fábricas grandes.

Quase oito em cada dez empresas do estado estão na capital

O recorte estadual mostra uma concentração rara no Brasil. O Amazonas tem 240.663 empresas ativas, e Manaus reúne sozinha cerca de 78% delas.

Fora da capital, o acesso ao interior se dá quase somente por rio, e a atividade econômica se distribui por entrepostos distantes, como Parintins, Itacoatiara, Tefé e Tabatinga. Poucos estados dependem tanto de uma única cidade.

No plano nacional, o Brasil tem hoje 21.305.771 empresas com CNPJ ativo, e cerca de 86% delas são microempresas. Manaus reproduz o fenômeno em versão ampliada, com participação de MEI entre as novatas bem acima da fatia que o MEI ocupa na base nacional.

O desafio seguinte é a sobrevivência desses negócios: abrir empresa ficou simples e barato, mas atravessar os primeiros anos de operação, apontados por estudos de sobrevivência empresarial como os mais críticos para micro e pequenas empresas, depende de acesso a clientes, crédito e gestão.

Se o ritmo atual se sustentar, a capital amazonense terá um teste em escala inédita da capacidade de transformar formalização em negócios duradouros.

Metodologia: o levantamento considera apenas CNPJs com situação cadastral ativa, na edição de agosto de 2026 da base de dados da LeadJet, organizada a partir de registros públicos oficiais. Os números de agosto de 2026 são parciais, pois os registros do mês entram nas estatísticas com defasagem.

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