Entrevista

Manaus ganha destaque nacional na estratégia de gigantes da logística aérea

Em entrevista a A CRÍTICA, a diretora da GOLLOG, braço logístico de transporte de cargas da Gol Linhas aéreas, Patrícia Bello, afirmou que Manaus é uma “praça muito emblemática” para a operação aérea da empresa.

Omar Gusmão
03/10/2026 às 14:55.
Atualizado em 03/10/2026 às 14:55

(Foto: Divulgação)

Manaus ganhou destaque nacional na estratégia de expansão da logística aérea do Mercado Livre e da GOLLOG. A capital amazonense foi apresentada como um dos principais exemplos da transformação provocada pelo avanço do comércio eletrônico e pela busca por entregas mais rápidas na região. Na edição 2026 do evento Mercado Livre Experience, realizado em São Paulo, Manaus foi apresentada como um case de sucesso na maior operação aérea cargueira do Brasil.

Em entrevista a A CRÍTICA, a diretora da GOLLOG, braço logístico de transporte de cargas da Gol Linhas aéreas, Patrícia Bello, afirmou que Manaus é uma “praça muito emblemática” para a operação aérea da empresa. Segundo ela, a cidade movimentou mais de 8 mil toneladas no primeiro semestre deste ano e conta atualmente com até dez voos cargueiros por semana na operação com o Mercado Livre.

A executiva também destacou na entrevista o papel da Zona Franca de Manaus (ZFM) no fluxo de cargas no sentido inverso, com produtos eletrônicos, componentes e autopeças enviados para São Paulo e outras regiões do País. Para ela, o crescimento do comércio eletrônico tende a ampliar a demanda por transporte aéreo para a capital amazonense, enquanto períodos de seca dos rios também elevam a procura pelo modal.

Em um evento nacional do Mercado Livre, ao apresentar a maior operação aérea cargueira do Brasil, Manaus foi escolhida para ser o grande exemplo de sucesso. Por que esta escolha pela capital amazonense?

Manaus é uma praça muito emblemática, quando a gente fala do propósito, das nossas motivações no modal aéreo. Eu acho que dentro da GOLLOG, o que a gente busca muito é agilidade na entrega. Eu faço aqui um paralelo que eu brinco que a gente quer encurtar as distâncias. Então, quando a gente fala de chegar a Manaus num modal tradicional, que não é o aéreo, você pode levar até um mês de tempo de percurso entre todo o trajeto. Então, quando a gente transforma esse percurso no modal aéreo, em cinco horas você está lá. Tempo, por exemplo, do voo que você fez para chegar aqui. Então Manaus é uma praça que representa muito essa nossa mensagem de encurtar distância, de gerar essa conectividade e de verdade agregar o que faz sentido para os nossos clientes. Então, no exemplo de e-commerce, há cinco anos atrás, eu falo com muita certeza, que o mercado de Manaus tinha pouco acesso a essa estratégia de entrega rápida do e-commerce. Então, dificilmente você tinha um comprador ali que comprava hoje e recebia em até dois, três dias. Dificilmente não, não tinha. Então é isso, é uma praça relevante, é uma praça que movimenta muito hoje. Para você ter uma ideia, no primeiro semestre deste ano a gente já movimentou mais de 8 mil toneladas para Manaus. Então é um volume representativo do mundo. É uma praça onde a gente tem uma participação relevante e é isso, eu acho que ela simboliza muitos dos propósitos da GOLLOG.

Então, Manaus é apontada pela GOLLOG como um mercado importante. Qual é hoje o tamanho dessa operação na capital amazonense, em volume de cargas movimentadas e número de clientes, e quanto ela cresceu nos últimos anos?

A gente atende cerca de 5 mil clientes na região. Manaus conta hoje com cerca de 30 voos por semana, então é uma praça onde a gente tem um Market Share aí na casa de 20%, como eu disse, é uma praça muito relevante. Na Operação Cargueira, em parceria com o Mercado Livre, a gente tem até 10 voos por semana, a depender do período do ano, da época do ano. Então, em números, essa é a representatividade de Manaus.

O comércio eletrônico mudou o perfil da carga aérea destinada a Manaus? Quanto da operação da GOLLOG na cidade hoje está relacionado ao e-commerce e qual é o peso do Mercado Livre nesse movimento?

Quando a gente pensa na logística, eu acho que tem duas nuances, o trecho de ida e o trecho de volta. Então o e-commerce, ele muda muito essa procura pela subida, então a gente tem grandes hubs de e-commerce centralizados aqui em São Paulo ou no sudeste, então ele muda a demanda para chegar até Manaus. E o trecho de volta, aqui sim a gente segue tendo uma relevância grande das indústrias que estão em Manaus. Então, nesse vôo de volta, a gente traz muito eletrônico, a gente traz componentes, autopeças, mas, com certeza, o e-commerce muda esse fundo.

A operação da GOLLOG na cidade de Manaus está relacionada ao e-commerce. A gente tem, como eu disse, até 10 voos cargueiros por semana e em um voo cargueiro a gente leva 25 mil pacotes em um voo cargueiro. Então, se a gente fizer essa matemática, a gente consegue saber a volumetria que chega para Manaus nos voos cargueiros do Mercado Livre.

A logística para Manaus tem uma particularidade que não existe em outras grandes capitais: a dependência do transporte fluvial e as dificuldades de navegação em períodos de estiagem, como o que estamos passando agora, por exemplo. A GOLLOG tem percebido empresas transferindo cargas do modal fluvial para o aéreo nesses períodos?

Quando acontece a seca do rio acho que a indústria inteira vê esse movimento, ele é um movimento muito cíclico, acho que teve um ano mais recente muito emblemático que foi 2024, onde inclusive o próprio governo permitiu que algumas outras companhias aéreas que regularmente não operam voos domésticos no Brasil fazer essa operação. Então, a gente vê, sim, esse movimento. Os manauaras começam a sinalizar: ‘oh, parece que o rio aqui está baixando’, mas aí a gente aguarda para ver as solicitações, como que a gente consegue atender melhor. Então, em momentos onde tem a seca é declarada do rio, sim, você vê o modal aéreo todo sendo mais demandado.

A GOL ampliou recentemente a oferta de voos comerciais de passageiros entre Guarulhos e Manaus. O aumento da frequência também representa aumento da capacidade de carga? Qual é o potencial de crescimento dessa operação?

Sempre que a gente tem mais voo, a gente tem mais capacidade de transportar carga, né? Então, toda vez que a Gol lança um voo de passageiro, a gente tem mais oportunidade no que a gente fala que é o belly, que é o compartimento de cargas das aeronaves de passageiros, onde vão as bagagens dos passageiros. Então, sim, a gente aumenta a capacidade. Sobre o potencial de crescimento, aí eu vou relacionar de novo com o e-commerce. O e-commerce ainda tem um potencial de crescimento no Brasil enorme. A gente consegue ver pelos números de crescimento das grandes plataformas. O Mercado Livre é o mais representativo aqui no nosso mercado. Então, à medida que o e-commerce vai crescendo, a demanda de Manaus também vai crescendo. E hoje, no nosso modelo de negócio da GOLLOG, quando a gente tem operação dedicada com o Mercado Livre, vai ser sempre uma consequência planejada. Então, vão aumentar as compras do e-commerce no total, aumentam as compras de Manaus, e aí a gente certamente estará de prontidão para aumentar a capacidade.

Quais são hoje os principais produtos que a GOLLOG transporta entre Manaus e outras regiões do País? Há uma participação significativa de produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus nessa movimentação?

Então, a gente sobe muito com os produtos do e-commerce e a gente transporta muitos produtos produzidos na Zona Franca, no trecho Manaus-Guarulhos e para outros destinos, principalmente aqui do sudeste. Então, bastante eletrônico, bastante componente, autopeças. O que a gente faz é justamente esse movimento todo que a gente está conversando, de adicionar a voo quando faz sentido, de crescer a frota, então, para te contextualizar essa operação com o Mercado Livre, a nossa operação Cargueira, ela começou há quatro anos atrás, em 2024. A gente tinha duas aeronaves, hoje a gente tem nove aeronaves, quatro anos depois. É muito pouco tempo para um investimento desse tamanho, então eu acho que quando a gente olha o modal aéreo, ele é um investimento das companhias para conseguir gerar entrega rápida, para conseguir criar mercado, criar demanda, como é o case que a gente contou aqui agora do Mercado Livre.

Para os próximos anos, qual é o papel que Manaus vai ter na estratégia da GOLLOG para a região norte?

Manaus, historicamente, no modal aéreo é. Uma praça relevante, sensível e relevante aqui. Então, acho que a medida em que a gente expanda, medida que a gente cresça, Manaus vai estar no mapa com esse protagonismo que tem hoje, com toda a demanda que é gerada também da Zona Franca e que toda a consequência desse movimento do e-commerce que a gente falou aqui.

Já tem algum estudo para ampliar voos, capacidade de carga, criar novas conexões a partir da Amazonense?

O nosso investimento de aumento de capacidade agora mais recente é na mar internacional, então você deve ter visto um pouco também desse movimento, a gente lança aí cinco novas rotas internacionais, o longo curso. Manaus não está indo no mercado internacional para essas aeronaves, mas é isso, acho que a partir do momento onde a gente sinta outras necessidades, onde a gente olha para a própria história. Do mercado livre, com certeza pode ser um cenário que vai ser viável

O custo logístico ainda é um dos grandes obstáculos para empresas que vendem ou compram produtos na Amazônia. O que a GOLLOG pode fazer para reduzir o custo e o tempo de entrega para Manaus e, principalmente, para ampliar o acesso de empresas do interior do Amazonas ao transporte aéreo de cargas?

O que a gente faz é justamente esse movimento todo que a gente está conversando, de adicionar a voo quando faz sentido, de crescer a frota, então, para te contextualizar essa operação com o Mercado Livre, a nossa operação Cargueira, ela começou há quatro anos atrás, em 2024. A gente tinha duas aeronaves, hoje a gente tem nove aeronaves, quatro anos depois. É muito pouco tempo para um investimento desse tamanho, então eu acho que quando a gente olha o modal aéreo, ele é um investimento das companhias para conseguir gerar entrega rápida, para conseguir criar mercado, criar demanda, como é o case que a gente contou aqui agora do Mercado Livre.

Olhando para os próximos anos, qual é o papel que Manaus deve ocupar na estratégia da GOLLOG para a região Norte? A empresa estuda ampliar voos, capacidade de carga ou criar novas conexões a partir da capital amazonense?

Manaus, historicamente, no modal aéreo, é uma praça relevante, sensível e relevante aqui. Então, acho que à medida em que a gente expanda, à medida em que a gente cresça, Manaus vai estar no mapa com esse protagonismo que tem hoje, com toda a demanda que é gerada também da Zona Franca e com toda a consequência desse movimento do e-commerce que a gente falou aqui.

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