Ademi espera normalização do mercado após ano acima da média e levanta preocupação com baixos lançamentos
(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
O mercado imobiliário amazonense atingiu o patamar de R$ 1,44 bilhão em vendas nos seis primeiros meses de 2026. O valor é ligeiramente maior, cerca de 2,99%, do que o registrado no mesmo período de 2025, quando somou R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre, além de ter sido considerado o melhor da história pelo diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM), Paulo Avelino, quando o setor fechou com R$ 3,2 bilhões em vendas.
“Foi um número muito forte, até então a melhor performance que a gente obteve. Esse primeiro semestre, ou seja, no meio do ano, a gente já está chegando a mais ou menos R$ 1,5 bilhão, quase metade do que a gente fez no ano passado”, disse.
O diretor ressaltou, por outro lado, que a Ademi-AM trabalha com expectativas mais conservadoras para 2026. No início do ano, a associação esperava que o mercado superasse o recorde de 2025 em pelo menos 5%, mas agora se espera uma normalização, com a manutenção das vendas feitas no ano passado ou uma superação por uma margem mínima. Uma das causas para isso foi a queda no número de empreendimentos lançados.
Paulo Avelino, diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM)
Segundo a apresentação, foram lançadas 1.174 unidades no segundo trimestre de 2026, todas verticais, contra 2.760 no segundo trimestre de 2025. O número mostra uma queda de 63,7% entre os períodos. No acumulado dos últimos 12 meses, apenas 23 empreendimentos verticais foram lançados na cidade de Manaus, com seis deles ocorrendo no último trimestre.
Apesar do baixo número de novos lançamentos, o nível de vendas continua forte e bem estabilizado, sem grandes aumentos ou reduções. Segundo Paulo Avelino, isso se deve graças ao programa Minha Casa, Minha Vida, ainda responsável por 80% das unidades vendidas na capital amazonense.
“De cada 10 unidades, praticamente oito estão dentro do Minha Casa, Minha Vida. Então, o que é vendido em Manaus, majoritariamente é dentro do programa. A gente tem empreendimentos de médio padrão, alto padrão, comercial e lote, mas, de fato, o maior volume é dentro do MCMV”, frisou.
No segundo trimestre de 2026, 76% das unidades lançadas estão inseridas no Minha Casa, Minha Vida, enquanto 24% estão no quesito de médio padrão. Nas unidades vendidas, 77% foram por meio do programa contra 21% de médio padrão, 1% de compactos e 1% de luxo. Em número absolutos, mais de 1,3 mil unidades vendidas foram por meio do MCMV.
(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
A Ademi-AM também informou que o preço do metro quadrado nas unidades verticais em Manaus ficou 17,3% mais caro desde o segundo trimestre de 2025, com uma média de R$ 7.702 por metro quadrado. As unidades econômicas, onde se encaixam a maioria das vendas na capital, tem uma média de R$ 6.144 por metro quadrado.
Segundo Paulo Avelino, nos últimos 12 meses houve um encarecimento de 7% no metro quadrado em Manaus, maior do que os índices que medem a inflação no Brasil, especialmente em unidades de três quartos. O diretor avalia que o aumento no preço dos insumos da construção civil é um dos principais fatores para essa majoração de preço.
“Aço, alumínio e cimento são insumos que têm tido um aumento acima de 10% de forma regular. Além disso, a gente também tem o problema de mão de obra. Temos tido dificuldade de encontrar mão de obra para trabalhar nos nossos empreendimentos, nas nossas obras. Isso, obviamente, reverbera diretamente no preço de venda”, disse.
Outros destaques feito por Paulo Avelino são a própria correção pela inflação e o alto nível de juros, cuja taxa básica definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está em 14,25%. Especialistas da economia estimam que esse valor caia para 14% da próxima reunião do comitê, marcada para esta terça-feira (4), com divulgação ocorrendo entre o final da tarde de quarta-feira (5), após o fechamento do mercado.
Com um número baixo de lançamentos e as vendas no mesmo nível há meses, a Ademi começou a se preocupar com o estoque de vendas das unidades em Manaus. Segundo Paulo Avelino, as construtoras possuem hoje um estoque por volta de 6 mil unidades que ainda serão vendidas. Caso não haja mais nenhum lançamento em 2026, esse estoque poderá ser zerado em oito meses.
Um dos entraves que vem dificultando o lançamento de novos empreendimentos envolve licenciamentos junto ao poder público, fora o aumento de custos na construção civil, o que tem provocado restrições no segmento imobiliário.
“Qualquer tipo de licenciamento, em todas as esferas, não só ambiental. As empresas têm trazido relatos de dificuldades junto a instituições públicas para conseguir liberações de empreendimentos. Além disso, a gente tem tido restrições junto à Caixa Econômica, principalmente para aprovação de pessoa física. Foi criado um novo sistema de entrevistas nas agências e isso gerou também dificuldade de ajustar as vendas dos empreendimentos”, ressaltou.
A apresentação feita pela Ademi mostra que, tanto em lançamentos de unidade como em vendas, os bairros das zonas Oeste e Norte de Manaus lideram. Só o bairro Ponta Negra concentrou 93,2% dos lançamentos de unidades verticais no segundo trimestre de 2026, seguido pelo bairro Santa Etelvina (6,8%).
Nas vendas, a Ponta Negra também lidera com 29,4% do volume comercializado no último trimestre, à frente somente de Lago Azul (14,5%), Tarumã-Açu (13,4%), Novo Aleixo (11,1%), Tarumã (9%), Parque Mosaico (6,7%), Bairro da Paz (6,1%), Nossa Senhora das Graças (3,6%), Chapada (3,2%) e Santa Etelvina (3%).