Maternidade, tarefas domésticas e falta de flexibilidade impulsionam mulheres do Norte ao nanoempreendedorismo
Foto: Jeiza Russo
Trocar o emprego formal pelo empreendedorismo foi a alternativa encontrada por Arliete Cabral para equilibrar renda, rotina doméstica e qualidade de vida. Desde 2018, ela produz e comercializa velas, aromas e biocosméticos ao lado da irmã, trabalhando de casa e administrando o próprio tempo.
“Eu fabrico todos os meus produtos, eu e minha irmã, em casa mesmo e vendemos em feiras ou online. É um impacto maravilhoso nas nossas vidas”, contou.
A história de Arliete reflete uma realidade cada vez mais comum entre mulheres da região Norte. Pesquisa realizada pelo Consulado da Mulher aponta que a dificuldade de conciliar trabalho formal, maternidade e responsabilidades domésticas tem levado milhares de mulheres ao nanoempreendedorismo — modelo de negócio em pequena escala que muitas vezes funciona dentro da própria residência.
O levantamento mostra que a necessidade de equilibrar geração de renda e cuidados familiares é um dos principais fatores para a abertura desses empreendimentos. Ao mesmo tempo, a falta de conhecimento técnico e de redes de apoio está entre os principais desafios enfrentados pelas empreendedoras e uma das razões para o fechamento precoce dos negócios.
Os dados revelam como esses empreendimentos são moldados pela realidade do lar. Segundo a pesquisa, 53% das mulheres da região Norte vivem em residências com três ou quatro pessoas. Além disso, 52% estão em relacionamentos estáveis ou casamentos, mas continuam concentrando a maior parte das tarefas domésticas.
A maternidade também tem peso significativo nesse cenário. Entre as entrevistadas, 86% possuem pelo menos um filho e 43% têm três ou mais. Com os cuidados familiares somados às demandas da casa, muitas encontram no empreendedorismo uma forma de conquistar flexibilidade para administrar a rotina.
“Hoje, a grande dificuldade é que elas empreendem dentro de casa. Então, precisam dividir o espaço do cuidado com a família com o espaço da produção”, explicou Bianca Alencar, especialista de Programas Sociais do Consulado da Mulher em Manaus.
Elas no Território
Além de traçar o perfil das empreendedoras, o Consulado da Mulher lançou o programa Elas no Território, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com investimento de R$ 5,3 milhões. A iniciativa pretende beneficiar 450 mulheres das comunidades Tarumã-Açu, Monte das Oliveiras e Santa Etelvina, em Manaus.
O objetivo é reduzir o fechamento precoce dos empreendimentos, oferecendo qualificação técnica, orientação e suporte para gestão dos negócios.
O projeto terá duração de três anos e atenderá 150 mulheres por ano, sendo 50 vagas para cada um dos territórios contemplados. As participantes terão acesso a mais de 200 horas de capacitação presencial nas áreas de finanças, planejamento e marketing, além de 40 horas de formação técnica, mentorias individuais e acompanhamento contínuo. As empreendedoras elegíveis também poderão receber financiamento médio de R$ 2 mil para investir no fortalecimento dos negócios.
“A gente já iniciou este ano com a primeira turma. São 10 meses de assessoria. São duas etapas: a primeira é para ela se enxergar como empreendedora e a segunda fase é voltada para a gestão dos negócios. O Consulado tem uma metodologia própria e a gente passa isso para elas”, reforçou Bianca.
Outro braço do programa promove encontros entre novas empreendedoras e mulheres já consolidadas no mercado amazonense. A proposta é estimular a troca de experiências e fortalecer redes de apoio.
Um dos exemplos apresentados é o da venezuelana Ana Joselyn, fundadora do negócio Fusão de Sabores, especializado na mistura da culinária brasileira com pratos típicos de seu país de origem. Empreendendo desde 2022, ela se tornou uma referência para outras mulheres refugiadas que buscam recomeçar por meio do trabalho autônomo.
"O fortalecimento, principalmente, está dentro da gente. É colocar em prática a resiliência, o autocuidado e o amor-próprio. O fato de eu começar a empreender e me tornar referência para outras mulheres refugiadas é algo que vejo com muita responsabilidade”, afirmou.
Em Manaus, muitas mulheres refugiadas também encontram no empreendedorismo uma oportunidade de reconstrução. Nesse contexto, iniciativas sociais como o Hermanitos atuam em parceria com o Ministério Público do Trabalho e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), contribuindo para ampliar a rede de apoio disponível a esse público.
Rede de Apoio
Para enfrentar esses desafios, o Consulado da Mulher lançou o programa Elas no Território, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com investimento de R$ 5,3 milhões. A iniciativa vai beneficiar 450 mulheres das comunidades Tarumã-Açu, Monte das Oliveiras e Santa Etelvina, em Manaus.
O programa terá duração de três anos e atenderá 150 mulheres por ciclo anual. As participantes terão acesso a mais de 200 horas de capacitação presencial em áreas como finanças, planejamento e marketing, além de formação técnica, mentorias individuais e acompanhamento contínuo. Empreendedoras elegíveis também poderão receber financiamento médio de R$ 2 mil para investir nos próprios negócios.
“A gente já iniciou este ano com a primeira turma. São 10 meses de assessoria. São duas etapas: a primeira é para ela se enxergar como empreendedora e a segunda fase é voltada para a gestão dos negócios. O Consulado tem uma metodologia própria e a gente passa isso para elas”, afirmou Bianca.
Outro eixo da iniciativa promove encontros entre mulheres que estão iniciando a trajetória empreendedora e empresárias já consolidadas no mercado amazonense. A proposta é fortalecer redes de apoio e incentivar a troca de experiências.
Perfil da Empreendedoras