Em entrevista a A CRÍTICA durante a Expert XP 2026, Victor Britto analisa o avanço da educação financeira na Amazônia, o potencial da bioeconomia e as oportunidades para startups e investidores da região
Coordenador regional do segmento Alta Renda da XP para a Região Norte, Victor Britto, analisou o perfil do investidor nortista e identificou que aumento tem sido maior que região sudeste (Divulgação)
O crescimento acelerado do número de investidores na região Norte, o avanço da educação financeira, o potencial da bioeconomia e a ampliação do acesso ao mercado de capitais estão entre os temas que devem ganhar cada vez mais espaço na agenda econômica da Amazônia. Para a XP Inc., uma das maiores instituições financeiras independentes do Brasil, operando principalmente como uma plataforma de investimentos e serviços financeiros, esse movimento também representa uma oportunidade de expandir sua presença em um mercado que ainda tem amplo espaço para amadurecer.
Em entrevista a A CRÍTICA, concedida durante o primeiro dia da Expert XP 2026, em São Paulo, o coordenador regional do segmento Alta Renda da XP para a Região Norte, Victor Britto, analisa o perfil do investidor nortista, explica como a instituição tem adaptado sua estratégia de educação financeira aos estados amazônicos e detalha iniciativas voltadas ao fortalecimento da bioeconomia e do ecossistema de inovação. O executivo também avalia as perspectivas para o mercado financeiro na região e aponta as tendências debatidas no maior festival de investimentos do mundo que podem influenciar o ambiente de negócios na Amazônia nos próximos anos.
A CRÍTICA - Você é manauara e hoje coordena a operação de Alta Renda da XP na Região Norte. Como foi sua trajetória na empresa até assumir essa posição e qual é o escopo do seu trabalho atualmente?
VICTOR BRITTO - Eu sou manauara e cresci em Manaus. Estou na XP faz seis anos. Eu entrei como assessor de investimentos e vim crescendo na carreira de gestão. Hoje eu sou coordenador da região Norte. Então moro em Manaus, mas eu cubro Amazonas, Pará, Tocantins, Rondônia, enfim, os sete estados que a gente tem na região Norte. Coordenando os times comerciais. Então, junto comigo eu tenho líderes que ficam nas praças e esses líderes trabalham junto com o time de assessoria que atende os nossos clientes. No atendimento de clientes, prospecção de clientes e fazemos muitos eventos.
AC - Como a estratégia de educação financeira da XP é aplicada em estados como o Amazonas?
VB - A XP tem um DNA de educação. Então, a gente também tem palestras. Palestras, a gente faz ações em faculdades, em escolas, recebe alunos e também direciona a palestra com tema específico para um nicho de clientes. Por exemplo, em Manaus a gente sabe que tem uma economia muito pautada na indústria, então, nós focamos em levar informações que tangem o segmento para os clientes que nós atendemos que são desse nicho. Então, meses atrás em Manaus, por exemplo, nós fizemos um evento num restaurante português com a presença de dois diretores de companhias pautadas ali na Zona Franca, enfim, de toda a economia que carrega o estado do Amazonas.
AC - A XP tem como uma de suas bandeiras exatamente a democratização da educação financeira. Que características diferenciam exatamente o investidor do Norte dos investidores do restante do país?
VB - No final do dia, nossa região carece de informação boa. E como você afirmou, a XP tem esse DNA de democratizar o mercado, você consegue ver isso aqui na feira, você percebe que a feira é da XP, mas tem outros bancos aqui, tem o Bradesco, tem o BTG, tem o Safra, tem o Itaú. Então, a ideia central é levar informação. Por quê? Com informações, o cliente na ponta vai entender melhor os benefícios, saber investir bem, e a plataforma da XP, como tem essa principal força de ser uma plataforma aberta, de negociar papéis de várias casas, é nesse momento que a gente tem a oportunidade de fazer isso. É dessa forma que a gente amadurece a região, com educação obviamente, e uma vez a região mais ciente das informações consegue investir melhor. E aí, o nome da feira, como você sabe, é Expert. A gente tem um portal de educação, nosso cliente pode ter acesso a praticamente todos os conteúdos, mas de toda forma, como eu disse, faz parte do DNA da companhia, que começou 20 anos atrás fazendo curso, e isso a gente nunca perdeu.
AC - O número de investidores tem crescido muito no Norte?
VB - Tem crescido muito. Quando a gente olha especificamente o Amazonas, cuja economia representa um PIB de mais ou menos 170 bilhões. Registrados na B3, que é onde ficam custodiados os investimentos, a gente tem cerca de 60 mil CPFs inscritos, mas cresce numa velocidade maior do que cresce aqui na região sudeste. Em números absolutos ainda é menor, por conta da população que mora na região, mas o crescimento tem sido mais alto.
AC - E quais itens da XP chegam com mais impacto para os investidores do Norte?
VB - O investidor do Norte zela muito pela parte da renda fixa. Então, os ativos como CDB, título público, LCA, essa sopa de letrinhas, os investidores do Norte gostam bastante e faz parte também de uma alocação correta de ativos. Principalmente o cliente de alta renda tem como característica uma procura muito alta pelos investimentos internacionais, então isso é um negócio muito bacana também. Anos atrás era mais complexo investir no exterior, hoje em dia está muito mais democratizado. Então, isso é uma característica talvez pela proximidade regional ali dos Estados Unidos, enfim, de outros países, o investidor de alta renda procura muito internacional. E a mesa de renda variável também, que são os ativos como ações, têm crescido muito na região Norte.
AC - A economia sustentável, especialmente a bioeconomia, vem ganhando cada vez mais espaço na Amazônia. A XP tem alguma estratégia específica ou iniciativas voltadas para esse segmento?
VB - Esse é um bom ponto que você trouxe. Está bem quente no momento por lá. Recentemente eu visitei uma organização que fica no Distrito Industrial que toca essa parte também de investimentos biossustentáveis. A gente sabe que o nosso estado é um estado de um território gigantesco e a gente tem comunidades no interior e na capital também, mas no interior tem muita coisa que é feita com os indígenas da Amazônia e que obviamente tem um poder comercial, um poder de indústria muito elevado. Eu mantenho conversas com essas instituições, a gente sabe que, para evoluir, todas as partes têm que estar unidas. A ideia é, nessas instituições, começar a levar essas palestras voltadas para esse tema e que o produtor local, o investidor local que gosta dessas teses e procuram esse tipo de investimento, saibam que nós da XP estamos lá também para levar as opções que temos na prateleira para esses investidores.
AC - Muitas startups e negócios inovadores da Amazônia ainda enfrentam dificuldades para acessar capital e crescer. Como a XP participa desse ecossistema e de que forma conecta empresas com potencial a investidores?
VB - Existem instituições no estado que inclusive fazem essa incubadora, emprestam uma planta fabril, por exemplo, para aquele produtor validar aquele ativo, ajudaM muito na parte de administração também com o intuito desse cNPJ crescer e receber investimentos. Um ponto que eu acho super bacana comentar também, é que a XP possui fundos que investem em startups, investem em empresas fechadas, e isso também é uma evolução recente do mercado financeiro, mais uma vez democratizando o acesso a capital do mercado. Um assessor hoje, é óbvio que está na ponta, conversando com o cliente, atendendo o cliente, está na rua, está na praça, fazendo eventos, etc. Ele pode, por exemplo, se conhecer uma startup, uma empresa, ele pode indicar dentro da nossa plataforma esse projeto, e aí o nosso time responsável entra em contrato, enfim, para validar, estudar e eventualmente aportar o capital.
AC - Este evento reúne lideranças da economia, da política e do mercado financeiro. Na sua avaliação, quais discussões têm maior potencial para transformar o ambiente de negócios e de investimentos na região Norte?
VB - O conteúdo, obviamente, é muito rico, são temas diversos. Então aqui tem alunos, tem empresários, tem pessoas que gostam do tema de finanças. E aí, as palestras são pautadas por empresários com história de sucesso, gestores que passaram em algum momento pela parte pública, já que também tem uma visão de economia que pode ser interessante ser compartilhada. E essas visões, uma vez encaixadas, fazem o nosso cliente que está aqui, os espectadores que estão aqui, ter uma compreensão do todo muito melhor. Eu gosto muito de frisar também as pessoas que não são do mercado, como muita gente no Norte. Então, a gente vai ter um nome muito pesado aqui, que é o Will Smith. Teve o Agassi hoje de manhã, que fala um pouco sobre essa parte de gestão de emoção, eu diria assim, porque o Agassi, o multicampeão de tênis, demanda ali uma persistência, uma resiliência muito legal. Então, é um conteúdo que no final do dia tem o guarda-chuva do mercado financeiro, mas o mercado financeiro está envolvido na vida de todo mundo. E encaixando ali essas visões diferentes, tenho certeza que o nosso cliente sai daqui com uma visão muito mais ampliada.
*O jornalista viajou a convite da XP Inc.