Vazante dos rios

Operação Seca 2026: Super Terminais envia módulo para descarregar navios em Itacoatiara

Peça de 600 toneladas foi desacoplada da estrutura do porto em Manaus nesta sexta e deve chegar ao município vizinho até sábado

Lucas dos Santos
02/10/2026 às 13:37.
Atualizado em 02/10/2026 às 13:37

(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

O porto privado Super Terminais despachou nesta sexta-feira (2) um módulo de 600 toneladas em direção ao município de Itacoatiara (a 180 km de Manaus), que será utilizado no transbordo de cargas de navios para balsas, que possuem calado suficiente para chegar à capital amazonense durante o período da estiagem. O passo faz parte da Operação Seca 2026.

Segundo o diretor-geral da empresa, Marcello Di Gregorio, o módulo deverá chegar em Itacoatiara em até 24 horas e contribuirá pra evitar um desabastecimento da Zona Franca de Manaus (ZFM), como ocorreu durante a seca histórica de 2023. É a segunda vez que o Super Terminais usará a estrutura de píer flutuante para driblar os efeitos da seca. A última foi em 2024, ano da pior seca da história, mas cujos problemas foram mitigados pelo uso do transbordo.

“Estamos indo para Itacoatiara muito mais preparados do que 2024. Aprendemos com aquela operação e conseguimos aumentar a nossa capacidade em aproximadamente 15%. Saímos de cerca de 2,6 mil movimentos por semana para uma capacidade de 3 mil a 3,1 mil movimentos semanais. Isso representa mais eficiência, segurança logística e capacidade para proteger a produção da Zona Franca de Manaus”, disse.

O empresário destacou, no entanto, que esta é a terceira estiagem severa que o setor enfrenta nos últimos quatro anos e que é necessário que todos estejam preparados para esses eventos futuramente. Segundo ele, não é possível transformar uma medida de contingência em rotina.

(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

“O setor produtivo, os terminais, os armadores, a indústria estão fazendo a sua parte. Agora precisamos avançar em uma solução perene e definitiva para a navegabilidade dos nossos rios, para que a Amazônia não precise, ano após ano, depender de operações emergenciais para manter sua logística funcionado”, frisou.

A operação em Itacoatiara levará 150 funcionários da Super Terminais de Manaus para o município vizinho. Marcelo Di Gregorio pontuou que todos irão morar na cidade durante a vigência do projeto. Além disso, outros 60 funcionários do Porto Verde naturais de Itacoatiara também exercerão funções na estrutura.

Rebocado por barcos, o módulo enviado pela Super Terminais conta com os três primeiros guindastes elétricos do mundo, equipamentos que integram uma estrutura especialmente projetada para operar durante o período de restrição de navegação no rio Amazonas. A movimentação é parte de um investimento de R$ 70 milhões pela empresa.

(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

Na operação emergencial de 2024, a estrutura instalada em Itacoatiara recebeu 27 navios e movimentou mais de 33 mil contêineres, o equivalente a quase 840 mil toneladas de carga.

Taxa da seca

O gerente geral da Norcoast, Otávio Cabral, empresa parceira do Super Terminais, respondeu ao questionamento da reportagem sobre a questão da taxa da seca, que pode vir a entrar em vigor nas próximas semanas com a descida do rio Negro. Segundo ele, as indústrias de Manaus e do Rio de Janeiro estão seguindo as determinações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que delimitou a cobrança apenas se o rio ficar abaixo de 17,7 metros.

“Nada vai ser feito além do que é determinado. Com a cota de hoje, está sendo previsto que a nossa primeira operação já vai ocorrer dentro dessa medição. Está sendo observada essa regulamentação e estamos seguindo”, disse.

Ainda em setembro, a Antaq reforçou seu entendimento de a sobretaxa Low Water Surcharge (LWS), conhecida como taxa da seca, seja cobrada somente com o entendimento firmado pela agência. O órgão rejeitou um pedido da transportadora CMA CGM do Brasil para aplicar uma sobretaxa de 753 dólares por TEU, unidade padrão do contêiner, a partir de 6 de setembro.

(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

Os casos envolvendo a taxa da seca vem sendo acompanhados pela Associação Comercial do Amazonas (ACA). No caso envolvendo a CMA CGM, o presidente Bruno Pinheiro Loureiro ressaltou que a decisão representa a primeira aplicação prática do novo modelo de regulação da Antaq, “reforçando que a simples comunicação da LWS não autoriza sua cobrança e que eventuais sobretaxas dependem de análise técnica e regulatória da agência”.

Chibatão também se adianta

Ainda em setembro, o Grupo Chibatão também realizou a instalação de seu píer provisório na região do Tabocal, em Itacoatiara, ponto critico durante o período da estiagem. As equipes da empresa realizaram a operação de posicionamento da estrutura e fixação das boias, deixando o píer instalado no local onde serão realizadas as operações.

A partir de outubro, as condições de navegabilidade continuarão sendo acompanhadas e, caso seja necessário, o píer estará preparado para realizar a operação completa de transbordo e baldeação em Itacoatiara.

A instalação coloca novamente em posição a mesma estrutura utilizada pelo Grupo Chibatão durante a estiagem de 2024, quando quase 59 mil contêineres foram movimentados em Itacoatiara, ajudando a manter o fluxo de cargas para Manaus durante um dos períodos mais críticos da navegação.

*Rio cai, mas quedas diminuem*

Nesta sexta-feira, o Porto de Manaus registrou uma diminuição de 14 centímetros no rio Negro, que chegou a 18,59 metros. Embora ainda esteja no período da estiagem, o ritmo de quedas vem diminuindo desde as últimas semanas de setembro. Há sete dias, o rio havia registrado uma queda de 22 centímetros.

Projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que o nível do rio Negro pode ficar abaixo da cota da taxa da seca até o final de outubro. No cenário mais razoável, as águas devem chegar a 16,50 metros. Já no cenário mais crítico, o rio poderia chegar a 12,31 metros se as descidas fossem semelhantes às registradas em 2015. Por ora, de acordo com a média das descidas, é uma possibilidade remota.

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