Festival revela força do mercado de duas rodas e entre lançamentos e novos modelos, fabricantes do Polo Industrial anunciam expansão
Triumph está reorganizando a operação de Manaus para elevar a capacidade de produção de 15 mil para 30 mil motocicletas por ano (Divulgação)
São Paulo - Realizado de 12 a 15 de agosto, em São Paulo, o Suhai Festival Interlagos Motos reuniu fabricantes, novos modelos e mais de 50 lançamentos em uma das principais vitrines do mercado brasileiro de duas rodas. Nos dois primeiros dias, dedicados à imprensa, a reportagem de A CRÍTICA acompanhou as novidades apresentadas pelas montadoras e encontrou entre elas planos que terão impacto direto em Manaus, onde estão instaladas algumas das principais fábricas do setor.
Entre lançamentos e apresentações, fabricantes anunciaram aumento de capacidade, novas etapas de produção e expansão de operações no Polo Industrial de Manaus. O movimento mostra como as decisões apresentadas em um dos principais eventos nacionais do segmento chegam à indústria amazonense antes mesmo de as novas motocicletas chegarem às ruas.
A Triumph foi uma das que apresentou um plano mais expressivo. A fabricante está reorganizando a operação de Manaus para elevar a capacidade de produção de 15 mil para 30 mil motocicletas por ano, sem a necessidade de construir uma nova unidade.
O diretor-geral da Triumph Motorcycles Brazil, Renato Fabrini, explicou que a estratégia passa pela reorganização da estrutura atual e pela criação de linhas paralelas de produção. O investimento anunciado pela empresa fica entre 1 milhão e 2 milhões de libras. “Antes a gente tinha uma linha de produção única, agora a gente está montando linhas de produção paralelas.”
A mudança também acompanha o crescimento da equipe. Segundo Fabrini, a Triumph praticamente dobrou o número de funcionários nos últimos dois anos para acompanhar o aumento do volume produzido. A nova configuração deve permitir que a empresa alcance a capacidade de 30 mil unidades mantendo os dois turnos já existentes.
Mais motos
Na Bajaj, o movimento também envolve aumento da capacidade e maior participação de etapas produtivas realizadas no próprio Amazonas.
A marca, que iniciou a operação brasileira em 2022 montando motocicletas em parceria com a Dafra, inaugurou sua fábrica própria em Manaus em julho de 2024. No ano seguinte, ampliou a unidade para incorporar a soldagem e a pintura dos chassis. Com a mudança, a capacidade da fábrica chegou a 48 mil motocicletas por ano.
Agora, a fabricante prepara uma nova etapa de expansão. Atualmente, dois modelos têm os chassis soldados em Manaus. A previsão para o próximo ano é incorporar mais dois modelos ao processo, o que deverá exigir uma ampliação da área de soldagem e pintura.
A expansão deve repercutir também na contratação de trabalhadores, segundo a executiva.
Movimento das fabricantes refleto o mercado brasileiro que ampliou demanda
Enquanto algumas marcas ampliam estruturas próprias, outras estão utilizando a capacidade de fabricantes que já conhecem o mercado brasileiro.
É o caso da Voge, que começou a produzir motocicletas em Manaus em maio, utilizando a estrutura da Dafra. As vendas começaram em julho e, segundo o gerente-geral da Voge Brasil, Rodrigo Moutinho, a aceitação inicial superou as expectativas.
A empresa espera encerrar o primeiro ano de vendas com entre 1,2 mil e 1,5 mil motocicletas. Para os próximos três anos, a meta é chegar a uma faixa de 8 mil a 10 mil unidades. “Nosso plano com a Dafra é um plano de longo prazo também.”
A Dafra, por sua vez, tem capacidade para produzir até 50 mil motocicletas por ano e atualmente trabalha com cerca de 38 mil unidades, considerando a produção própria e os contratos com outras fabricantes.
Além da Voge, a empresa mantém operações de montagem para marcas como Royal Enfield e KTM. A estrutura acumulada ao longo dos anos é justamente um dos fatores que permite que fabricantes novas entrem no mercado sem precisar começar imediatamente por uma fábrica própria.
Para o diretor comercial da Dafra, David Sarai, a experiência acumulada pela empresa ajuda a explicar esse papel. “Assim, a Dafra é uma escola.”
A fabricante ainda avalia a abertura de um terceiro turno caso o crescimento projetado se confirme. Segundo Sarai, a mudança representaria entre 70 e 80 novos empregos diretos.
Expansão de fabricantes deve repercutir na contratação de trabalhadores
O movimento das fabricantes ocorre em meio a um mercado brasileiro que vem ampliando a produção e a demanda por motocicletas. Em julho, o Polo Industrial de Manaus produziu 190.794 unidades, o melhor resultado da história para o mês, segundo a Abraciclo. No acumulado até julho, foram 1,25 milhão de motocicletas produzidas. A alta também aparece em segmentos específicos. A produção de motocicletas de alta cilindrada cresceu 30,7% entre janeiro e julho, embora ainda represente uma parcela pequena do volume total produzido no Polo.
*A equipe de reportagem de A CRÍTICA esteve no Festival Interlagos Motos a convite dos organizadores.