Engenheiro de Produção com experiência em logística e operações, Raphael Fontes Guadagnoli observa que a eficiência deixou de ser apenas uma discussão de custos e passou a depender da integração entre informações, processos, fornecedores e capacidade de execução.
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A logística mundial opera sob pressão crescente por velocidade, previsibilidade e controle de custos. As estimativas variam de acordo com o recorte de cada estudo, mas os números mostram a dimensão econômica do setor. A Mordor Intelligence projeta que o mercado global de frete e logística passe de US$ 6,37 trilhões em 2025 para US$ 8,49 trilhões em 2031. Dados reunidos pela Cargoson, com base em levantamentos da Statista, indicam que os custos logísticos podem representar entre 10% e 15% do Produto Interno Bruto mundial.
A discussão não se limita mais ao deslocamento de mercadorias. Empresas de varejo, comércio eletrônico, indústria e distribuição passaram a tratar estoque, capacidade de transporte, produtividade dos centros de distribuição, prazo de entrega e qualidade das informações como partes de uma mesma operação.
Para Raphael Guadagnoli, engenheiro de Produção e profissional com mais de 12 anos de experiência contínua nas áreas de logística e operações, o desafio não está simplesmente em ampliar a quantidade de tecnologia disponível, mas em estabelecer uma rotina de decisão capaz de funcionar sob a pressão do dia a dia.
“Uma operação não melhora apenas porque passou a ter mais indicadores. A informação precisa chegar à pessoa certa no momento em que ainda há espaço para corrigir uma rota, reorganizar uma entrega, ajustar uma escala ou evitar uma ruptura”, afirma Guadagnoli.
A digitalização ganhou espaço na logística com a expansão do comércio eletrônico, a integração entre canais físicos e digitais e a necessidade de maior controle sobre pedidos, transportadoras, estoques e prazos. Projeções setoriais apontam que o mercado mundial de logística digital poderá alcançar US$ 155,3 bilhões até 2032, impulsionado por sistemas de gestão, rastreabilidade, automação e análise de dados.
Ao longo de sua carreira, Guadagnoli atuou em operações associadas ao varejo, ao comércio eletrônico e à logística. Teve passagens pela Americanas e pelo Mercado Livre, além de experiências em gestão logística e transformação operacional. É graduado em Engenharia de Produção pela FEI e possui MBA em Conhecimento, Tecnologia e Inovação pela FIA.
A vivência em ambientes de operação de grande porte contribuiu para consolidar uma leitura prática sobre os gargalos mais recorrentes do setor. Para ele, atrasos, aumento de custos e perda de qualidade raramente surgem de um único ponto da cadeia.
“Um atraso pode começar na previsão de demanda, no estoque, no cadastro, na expedição, na transportadora ou na comunicação entre áreas. A gestão precisa enxergar essa relação para não tratar apenas o efeito, deixando a causa intacta”, diz.
O especialista defende que empresas capazes de integrar dados operacionais, definir indicadores consistentes e manter ritos de acompanhamento reduzem o custo das correções tardias. O objetivo não é substituir a experiência dos gestores por plataformas, mas dar mais fundamento às decisões tomadas diariamente.
Essa discussão se tornou ainda mais relevante em um ambiente no qual consumidores e clientes corporativos passaram a exigir entregas mais rápidas, precisas e transparentes, sem aceitar aumento proporcional de custo. Para Guadagnoli, a logística precisa ser reconhecida como parte da estratégia empresarial, e não como uma etapa posterior à venda.
“Quando a operação é tratada apenas como despesa, a empresa reage depois que o problema aparece. Quando ela é tratada como parte da estratégia, passa a antecipar riscos, proteger o nível de serviço e preservar a experiência do cliente”, afirma.
Essa visão também está presente em seu próximo projeto profissional nos Estados Unidos. Raphael Fontes Guadagnoli prepara a estruturação da Logicore Analytics, consultoria sediada no Texas voltada à modernização de operações logísticas, eletrificação de frotas, infraestrutura de recarga, análise de telemetria e melhoria de processos para empresas de transporte, varejo e comércio eletrônico.
A iniciativa busca atender uma necessidade que ganha espaço no mercado norte-americano: conciliar a transição energética com a continuidade da operação. A proposta é apoiar empresas no planejamento de frotas elétricas, na organização de projetos de recarga, no uso de dados de veículos e instalações e na preparação de equipes para essa nova realidade operacional.
“Eletrificar uma operação não significa apenas comprar veículos ou instalar carregadores. É preciso entender rotas, tempo de parada, demanda de energia, capacidade da rede, custo total da operação e impacto no atendimento ao cliente. Sem esse planejamento, a transição pode gerar novos gargalos”, conclui Guadagnoli.