Rio Grande do Sul registra recordes no turismo e projeta inverno com 1,26 milhão de desembarques

03/06/2026 às 10:37.
Atualizado em 03/06/2026 às 10:37

Inaugurada em 1942, a Paróquia de São Pedro tem uma torre de 46 metros, vitrais com imagens sacras e é um famoso ponto turístico de Gramado (Foto: Reprodução)

O Rio Grande do Sul encerrou 2025 como o segundo estado que mais cresceu no turismo dentro do Brasil e iniciou 2026 mantendo a trajetória. O crescimento de 11,4% na atividade turística gaúcha no acumulado do ano passado foi mais que o dobro da média nacional, de 4,6%, segundo o Índice de Atividades Turísticas (Iatur) do IBGE. O desempenho é ainda mais expressivo quando considerado o ponto de partida: em 2024, o estado havia registrado queda de 11,7% na entrada de turistas internacionais, reflexo direto das enchentes que atingiram o território em maio daquele ano.

 A recuperação não foi espontânea. Ao longo de 2025, a Secretaria de Turismo (Setur) realizou 190 ações promocionais, com investimento superior a R$ 60 milhões. O portfólio incluiu campanhas nacionais como "Viva o Verão Gaúcho" e "Viva o Inverno Gaúcho", além de participação em feiras internacionais, press trips (viagens de familiarização para jornalistas e influenciadores) e rodadas de negócios com operadoras e companhias aéreas. "A capacitação de agentes turísticos, a realização de press trips, a recuperação da malha aérea e os novos investimentos proporcionaram um 2025 muito positivo", afirmou o secretário de Turismo, Raphael Ayub, durante o lançamento da Temporada de Inverno 2026.

 A reconstrução da malha aérea foi um dos pilares centrais dessa retomada. O setor de aviação havia sido duramente impactado pelas enchentes, que afetaram a operação do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. O histórico de voos cancelados e a interrupção de rotas estratégicas criaram um desafio adicional à recuperação do fluxo de visitantes, que a Setur buscou enfrentar com articulação direta junto às companhias aéreas.

 A partir de julho de 2026, a malha gaúcha contará com quatro frequências semanais para Lisboa, em Portugal, a nova rota que amplia a conectividade europeia do estado. Além da ligação transatlântica, foram reforçadas operações para Buenos Aires, Belo Horizonte e Florianópolis, destinos de grande emissão de turistas. A expectativa para a temporada de inverno desse ano é de mais de 1,2 milhão de desembarques nos aeroportos gaúchos entre junho e agosto, ante cerca de 1 milhão no mesmo período de 2025, um crescimento de quase 20%, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Nas intenções de viagem para o período, o aumento projetado é de 21%, com alta expressiva nos mercados do Uruguai (+68,5%), Argentina (+36,5%) e Estados Unidos (+30,1%).

 O secretário de Turismo, Ronaldo Santini, destacou o protagonismo internacional do estado no começo do ano. "O Rio Grande do Sul reúne localização estratégica, diversidade de atrativos e forte articulação institucional. Estamos ampliando nossa presença nos mercados internacionais e consolidando o Estado como uma das principais portas de entrada do Brasil", afirmou. Em janeiro de 2026, o RS liderou a entrada de turistas estrangeiros no Brasil, com mais de 366 mil visitantes, dado fornecido pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), pelo Ministério do Turismo e pela Polícia Federal.

 No primeiro trimestre de 2026, foram 764.598 chegadas internacionais, colocando o estado na terceira posição do ranking nacional. O Brasil, no mesmo período, registrou o melhor primeiro trimestre da história em chegadas internacionais, com 3,74 milhões de visitantes estrangeiros. A Argentina segue como o principal mercado emissor para o país, responsável por 1.648.213 chegadas no período. Na sequência aparecem Chile, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai e Portugal. Para o Rio Grande do Sul especificamente, a maior parte dos visitantes provém de países do Mercosul, com destaque para Argentina e Uruguai, evidência da força da integração regional e da malha de acessos terrestres e aéreos.

 O enoturismo tornou-se um dos segmentos mais expressivos da retomada. Em 2025, o setor registrou crescimento de 57,8% na comercialização de experiências em relação ao ano anterior, com mais de 71 mil ingressos vendidos e ticket médio (valor médio por compra) de R$ 510. Em abril de 2026, o Rio Grande do Sul foi eleito o melhor destino de enoturismo do Brasil no M&E Awards 2026, premiação da publicação Mercado & Eventos realizada durante a WTM Latin America (principal feira de turismo da América Latina) em São Paulo. Cerca de 79% das experiências enoturísticas foram adquiridas por turistas de fora do estado, principalmente da região Sudeste. "Esse prêmio mostra que o Rio Grande do Sul está no caminho certo ao investir na qualificação da oferta e na promoção dos nossos destinos. O enoturismo é um dos grandes diferenciais do Estado, porque integra produção, cultura e experiência, gerando valor para toda a cadeia e fortalecendo o turismo como vetor de desenvolvimento regional", declarou o secretário em exercício de Turismo, Rodrigo Schnitzer.

 A estratégia de internacionalização ganhou um instrumento formal com o Plano Tático Internacional, desenvolvido pela Setur em conjunto com o Invest RS e o Sebrae RS. O plano foi apresentado como referência nacional durante o Visit Brasil Summit, realizado em Brasília em março de 2026, no âmbito do Plano Brasis, o Plano Internacional de Marketing Turístico 2025–2027 coordenado pelo Ministério do Turismo e pela Embratur. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a estruturar uma estratégia nesse formato. "O Plano Tático Internacional consolida uma estratégia construída com base em dados e alinhamento com o mercado, permitindo que o Rio Grande do Sul avance de forma organizada na promoção internacional do destino", afirmou a diretora de Planejamento e Competitividade da Setur, Cláudia Mara Borges.

 O turismo rural também entrou na agenda como vetor de interiorização. O estado tornou-se projeto-piloto de uma política nacional ao regulamentar a inclusão de agricultores familiares e produtores rurais no Cadastur (sistema de cadastramento de prestadores de serviços turísticos do governo federal). A medida foi oficializada pelo governador Eduardo Leite durante a Expointer de 2025. Segundo Santini, todos os municípios gaúchos possuem atrativos com potencial turístico a ser desenvolvido, e o objetivo central da pasta é transformar essas potencialidades em produtos estruturados, gerando emprego e renda de forma descentralizada.

 O secretário de Comunicação, Caio Tomazzeli, pontuou os limites orçamentários enfrentados durante o processo de reconstrução. "Não é fácil segurar recursos no turismo no meio de uma reconstrução. Por isso, a parceria público-privada é fundamental para nos desenvolvermos. Temos que ter políticas com a clareza de que cada área terá o que merece", disse. Apesar das restrições, o setor acumulou, em 2025, a marca de 1,5 milhão de turistas internacionais, dado que coloca o Rio Grande do Sul como o terceiro estado que mais recebeu visitantes estrangeiros no Brasil naquele ano. Os números de 2026, somados à temporada de inverno, apontam para a superação desse patamar antes do fim do ano. 

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