A empresa já atua na Zona Franca há mais de 20 anos na fabricação de carregadores e baterias para celular, mas vê no avanço da tecnologia uma oportunidade para expandir
Modelo foi apresentado em feira de tecnologia nos Estados Unidos. Produção já ocorre em fase inicial na China e pode chegar à Zona Franca de Manaus. Companhia estuda viabilidade econômica (Foto: Divulgação)
A multinacional de tecnologia Salcomp, que já iniciou a produção de robôs humanoides na China, quer trazer para Manaus sua primeira produção fora da sede. A empresa já atua na Zona Franca há mais de 20 anos na fabricação de carregadores e baterias para celular, mas vê no avanço da tecnologia uma oportunidade para expandir seu catálogo.
Em janeiro deste ano, uma reunião com líderes globais da empresa, que também tem filiais nos Estados Unidos e Índia, definiu a estratégia. Ainda não há valor de investimento previsto, mas neste momento a companhia trabalha em um estudo interno para confirmar a viabilidade do projeto.
O Processo Produtivo Básico (PPB) é a ‘receita’ que precisa ser seguida pelas empresas para que recebam os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. O trâmite inicia com a apresentação da proposta pela companhia ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC) e à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Embora o projeto ainda esteja na fase de estudos, Henrique adiantou que a proposta é trazer para o Brasil a produção dos robôs humanoides da empresa de maneira a atender, com esse produto, a demanda do próprio país.
Um relatório da consultoria econômica Morgan Stanley estima que, até 2035, a população de robôs humanoides seja de 13 milhões. O número é cinco vezes maior do que o número de habitantes de Manaus, ou, duas vezes a população do Rio de Janeiro.
O impacto econômico dos robôs também já é medido por alguns levantamentos. Um estudo proprietário do Looqbox, empresa especializada em inteligência de dados, aponta que o mercado de robôs humanoides poderá movimentar até US$ 5 trilhões anuais até 2050. O montante equivale ao PIB da Alemanha, de US$ 5,4 trilhões.
Questionado sobre o motivo de a empresa ter escolhido Manaus para receber o projeto de produção de robôs, Henrique destacou que a Salcomp já possui uma presença consolidada na Zona Franca, sua única fábrica na América Latina, além de um escritório comercial em São Paulo.
"É uma oportunidade de estar presente na América Latina, expandir a produção e atender a esse mercado [de robôs], que vai crescer muito”, comenta o diretor.
Porém, o anúncio do projeto também está no contexto de maior relevância da Zona Franca de Manaus em um movimento mundial de reindustrialização. No Brasil, essa tendência foi fortalecida com a reforma tributária, que não somente preservou as vantagens tributárias do Polo Industrial de Manaus, como incluiu suas garantias na Constituição Federal de 1988, tornando os negócios mais seguros.
Segundo a empresa, um dos diferenciais do projeto é a possibilidade de desenvolver localmente adaptações de software e sistemas operacionais para as especificidades do mercado brasileiro, seja com recursos próprios, parcerias com empresas de tecnologia ou via recursos provindos dos fundos P&D do PPB por meio de parcerias com os institutos de desenvolvimento de Manaus.
Henrique Arantes afirma que a mão de obra qualificada para atender a todas essas demandas será um desafio, assim como já ocorre atualmente. “Nós temos, sim, escassez de mão de obra qualificada, mas desenvolvimentos uma série de parcerias, como com a Universidade do Estado do Amazonas. A Salcomp tem projetos focados nos seus funcionários, alguns para especialização e mestrado. Não é só ficar parado, esperando a mão de obra. Nós qualificamos também”, comenta.
Doutora em biotecnologia e pesquisadora da área de robótica para uso na educação, Marlene Araújo diz que o potencial do PIM é enorme. “As fábricas do polo eletroeletrônico estão extremamente preparadas, assim como do metalmecânico. Vejo o nosso Polo Industrial com empresas e funcionários excepcionais a nível internacional”, diz ela, que é coordenadora do Núcleo de Tecnologia Assistiva da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Para ela, há mão de obra qualificada, tecnologia e criatividade no Amazonas para avançar neste tema. “É claro que no início vamos receber esses projetos e começar o processo de montagem, mas tenho certeza que as empresas que desenvolverem essa proposta serão extremamente bem sucedidas para o futuro”, avalia.
No início deste mês, um grupo da Suframa que incluiu o superintendente Leopoldo Montenegro visitou as instalações da empresa e foi apresentado ao projeto de produção de robôs humanoides. Na ocasião, o superintendente da autarquia ressaltou que iniciativas focadas em tecnologias disruptivas consolidam o PIM como um ecossistema maduro para a inovação.
A Salcomp é uma empresa com presença mundial focada em tecnologia e inovação que conta com aproximadamente 12 mil colaboradores.Somente em Manaus, a companhia possui 1,2 mil colaboradores diretos. Em nível global, a empresa produz cerca de 520 milhões de fontes de alimentação anualmente e já ultrapassou a marca histórica de 4 bilhões de carregadores fabricados.