Superintendente adjunto executivo afirmou que autarquia dialoga com empresas para evitar o problema, como ocorreu nas estiagens de 2023 e 2024
Wagner Santana, superintendente adjunto executivo da Suframa. (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) teme que o avanço da estiagem neste segundo semestre, intensificada pelo fenômeno El Niño, aumente o número de demissões no Polo Industrial, como ocorreu nas secas de 2023 e 2024.
Durante evento realizado em Manaus nesta sexta-feira (21) pela Secretaria-Geral da Presidência da República, o secretário adjunto executivo da Suframa, Wagner Santana, falou sobre o problema. A sociedade civil também cobrou ações efetivas dos governos municipal, estadual e federal.
“Quero abrir também neste palco o impacto do El Niño no mundo do trabalho, porque, a partir do momento em que a receita cai, a distribuição de renda diminui, o trabalhador na ponta é quem paga isso. Muitas vezes o empresário se ressalva nesse momento e começa a questão do desemprego na ponta”, afirmou.
Segundo ele, a Suframa irá fazer um estudo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para reduzir ao máximo o impacto da estiagem sobre as demissões no Polo Industrial de Manaus. “Uma opção é o Bolsa Qualificação, porque aí não precisa demitir o trabalhador e ele fica resguardado naquele período, estudando, se qualificando, até que esse processo termine”, disse.
Não há um número consolidado sobre o número de demissões ocorridas em razão das secas de 2023 e 2024, no Amazonas. Além de desligamentos, empresas optaram por antecipar férias de trabalhadores para evitar demissões, como aconteceu em 2023.
A redução do nível dos rios prejudica o transporte de insumos utilizados para a produção de itens na Zona Franca de Manaus. Da mesma forma, dificulta o escoamento da produção no Polo Industrial para outras regiões do país.
Outras ações
O governo estadual estima que a seca deste ano deve afetar mais de 600 mil pessoas no estado, incluindo problemas de locomoção, acesso a alimentos, água potável e outros itens de necessidade básica. O período de maior impacto é estimado para outubro.
Para enfrentar o El Niño, o governo brasileiro instituiu uma Sala de Situação para atualizar cenários e organizar medidas de preparação para os próximos meses. Ao todo, o reforço orçamentário destinado a proteger o país ultrapassa R$ 1,33 bilhão, valores anunciados no fim de julho.
O plano federal de ação envolve 24 ministérios, além de institutos de monitoramento e pesquisa, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A estratégia prevê articulação com prefeitos, que serão procurados para deliberar sobre a implementação das medidas, segundo as necessidades de cada região.
Sobre o evento
A programação realizada pela Secretaria-Geral da Presidência da República aconteceu no Centro de Ciências do Ambiente (CCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo a gestão federal, o objetivo foi apresentar à sociedade civil organizada as políticas públicas federais de resposta e preparação ao fenômeno, fortalecendo o diálogo sobre participação, parceria e controle social em emergências climáticas.
Ao chegarem no local, os representantes da sociedade civil foram divididos em quatro grupos para discutir os temas relacionados ao evento. Ao final das rodadas de conversa, um documento foi elaborado para ser encaminhado ao governo, de modo a auxiliar na atuação frente aos impactos da mudança do clima.
A iniciativa integra uma série de sete encontros presenciais sobre o tema, realizados em diferentes regiões do Brasil: Rio de Janeiro (20/08), Manaus (21/08), Fortaleza (27/08), Santarém (28/08), Campo Grande (01/09), Petrolina (03/09) e Porto Alegre (09/09).
Participaram representantes de segundo escalão do governo federal, incluindo secretários-executivos, chefes de autarquias e superintendentes de órgãos como Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério das Cidades (MCid), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Saúde (MS), Defesa Civil, entre outros.