Na moradia, 54% afirmaram estar em condição melhor que a dos pais, contra 51% anteriormente.
(Foto: Agência Brasil)
Quando sondados sobre seu nível de escolaridade em comparação ao de seus pais, 77% dos consultados em Manaus disseram ter alcançado nível de escolaridade superior ao dos pais, contra 71% na rodada anterior, um crescimento de 6 pontos percentuais. Este é um dos avanços destacados pela pesquisa.
Já quando o assunto abordado foi renda, a mobilidade se mostrou bem menor: 47% dos manauaras disseram ter renda superior à dos pais quando eles tinham a mesma idade. O percentual era de 47% também na rodada anterior. Portanto, ficou estável.
Na moradia, 54% afirmaram estar em condição melhor que a dos pais, contra 51% anteriormente.
Para o mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Vitor Hugo, esse é um dos achados mais importantes de toda a pesquisa, que, segundo ele, se reproduz nas diferentes capitais pesquisadas. “Manaus apresenta um resultado muito positivo em mobilidade educacional: 77% dos entrevistados afirmam ter alcançado um nível de escolaridade superior ao dos pais. Isso mostra que houve avanços importantes no acesso à educação ao longo das últimas décadas”, pontua.
“Por outro lado, quando olhamos para a renda, apenas 47% dizem estar em situação melhor do que a dos pais quando tinham a mesma idade. Esse descompasso revela que a educação continua sendo uma condição necessária para a mobilidade social, mas já não é suficiente por si só”, afirma.
Vitor Hugo destaca que a pesquisa mostra que existe um desafio crescente de conexão entre educação e oportunidades econômicas concretas. “A grande maioria das pessoas estudou mais do que seus pais, mas enfrenta um mercado de trabalho mais competitivo, transformações tecnológicas aceleradas e um custo de vida cada vez mais elevado”, aponta.
O mestre em História Social indica que o desafio atual não é apenas ampliar a escolaridade, mas também fortalecer a inclusão produtiva, criando caminhos para que as pessoas consigam transformar conhecimento em trabalho, renda e melhoria efetiva da qualidade de vida. “Na prática, isso passa por qualificação alinhada às demandas do mercado, formação para profissões do futuro, apoio ao empreendedorismo, acesso a redes de empregabilidade e fortalecimento dos pequenos negócios”, ensina.
Segundo o especialista, a pesquisa reforça que a educação continua abrindo portas, mas é preciso garantir que existam oportunidades suficientes do outro lado. “O grande desafio para Manaus e para o Brasil é fazer com que o avanço educacional se traduza de forma mais consistente em prosperidade socioeconômica e mobilidade social para as famílias”, defende.