No ‘Clube do Silêncio’ criado, o aluno pode contar um pouco do seu dia-a-dia e quais conflitos passa
Projeto é realizado às sexta-feiras no horário do almoço (Márcio Silva)
No Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) Professor Sérgio Pessoa Figueiredo, localizado no bairro Cidade de Deus, na zona Norte de Manaus, o enfrentamento contra a violência é pautado com diálogos e sobretudo, com muita escuta.
O projeto ‘Clube do Silêncio’ criado, em 2018, pelo professor de língua portuguesa Erison Soares Lima, ganhou mais força após a pandemia da Covid-19, quando ele observou que os ânimos dos alunos estavam mais exaltados.
Segundo ele, os episódios de brigas dentro da escola eram frequentes, por isso, o projeto se tornou necessário. “E eles estavam trazendo essa violência no falar e agir e os casos de violências começaram a ser toda a semana e depois passou a ser diariamente. E isso nos assustou muito”, disse o educador.
Na prática, o projeto é realizado todas as sextas-feiras e sempre no horário do almoço. Durante a conversa, o aluno pode contar um pouco do seu dia-a-dia, quais conflitos passa e é ouvido por alunos e pelo professor que acompanha o Clube do Silêncio.
Além do projeto e sua importância, o professor destaca os inúmeros bons resultados que o ‘Clube do Silêncio’ trouxe para as salas de aula do Ceti. “Eu tenho alunos que se formaram no ano passado, estão na faculdade e voltam eventualmente e me perguntam: professor, eu posso ir?”, comenta ele.
A experiência do professor com o ‘Clube do Silêncio’ foi contada na mesa “Para além dos ataques: como professores lidam com tensões frequentes e violência na escola” que aconteceu na última segunda-feira (18) durante o 7º Congresso de Jornalismo de Educação, realizado em São Paulo.