Pesquisador defende ampliação do ensino musical e aponta impactos da arte na educação, saúde, identidade cultural e desenvolvimento social
Atividades musicais estimulam memória, socialização e bem-estar em diferentes faixas etárias (Junio Matos/A Crítica)
Enquanto o debate sobre educação costuma se concentrar em disciplinas tradicionais, pesquisadores e educadores defendem que a música também ocupe espaço estratégico nas políticas públicas voltadas à formação humana.
No Amazonas, projetos desenvolvidos pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) buscam ampliar o acesso ao ensino musical e demonstrar como a arte pode contribuir para a inclusão social, a valorização cultural e até a promoção da saúde.
À frente do Laboratório de Pesquisa Práticas e Ensino Musical (Lapeam), o professor Fábio Carmo afirma que a música produz impactos que vão muito além da formação artística.
Segundo ele, projetos musicais desenvolvidos dentro e fora da universidade têm revelado o potencial da arte como instrumento de pertencimento e desenvolvimento social.
Apesar da riqueza cultural do estado, o acesso ao ensino musical ainda está longe de ser universal.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a oferta de cursos e oficinas de formação cultural permanece desigual no país. Levantamento do instituto aponta que apenas 46,9% dos municípios brasileiros possuem algum tipo de escola, oficina ou curso regular ligado a atividades culturais. Entre as áreas mais presentes estão justamente os cursos de música.
Essa realidade também se reflete no Amazonas. Muitos estudantes chegam aos projetos universitários sem nunca terem tido contato com instrumentos musicais ou formação especializada.
A situação se torna ainda mais desafiadora nos municípios do interior.
Entre os principais obstáculos, Fábio cita a falta de infraestrutura, a escassez de profissionais especializados e as dificuldades de permanência dos estudantes nos projetos de formação.
Professor Fábio Carmo coordena pesquisas e projetos que utilizam a música como ferramenta de inclusão social
Para o pesquisador, a democratização do ensino musical passa necessariamente pela escola.
Ele defende que a música não seja tratada apenas como conteúdo teórico ou atividade eventual, mas como uma prática permanente dentro do ambiente escolar.
Quando a música é vivenciada de forma concreta, os benefícios alcançam diferentes dimensões da formação humana.
Outro aspecto destacado pelo pesquisador é o papel da música na valorização da cultura regional.
Segundo ele, muitos jovens chegam aos projetos carregando referências musicais amazônicas sem perceber a importância cultural dessas manifestações.
A aproximação entre universidade, escolas e comunidades também contribui para preservar tradições culturais e criar novas possibilidades de produção artística.
Para ampliar o impacto social da educação musical, Fábio Carmo defende a adoção de políticas públicas de longo prazo.
O professor destaca que a riqueza cultural do Amazonas ainda precisa de maior valorização institucional.
Além da juventude, o pesquisador chama atenção para um tema que deve ganhar cada vez mais relevância: o envelhecimento da população brasileira.
O assunto acompanha uma transformação demográfica já observada pelo IBGE. Segundo projeções do instituto, a proporção de idosos no país quase dobrou entre 2000 e 2023, passando de 8,7% para 15,6% da população. A estimativa é que, em 2070, cerca de 37,8% dos brasileiros tenham 60 anos ou mais.
Para Fábio, a música terá papel cada vez mais importante em políticas públicas voltadas à saúde, ao bem-estar e à integração social.
As projeções do IBGE indicam ainda que a idade média da população brasileira deve passar de 35,5 anos, registrada em 2023, para 48,4 anos em 2070, reforçando debates sobre saúde, convivência social e qualidade de vida.
Atividades musicais estimulam memória, atenção, coordenação motora e saúde emocional, além de fortalecer vínculos comunitários.