Talento da terra

Ator parintinense estreia no cinema no Festival do Rio

Pedro Guimarães vive jovem neurocientista em 'Oceânico' e planeja levar sua experiência de volta ao Amazonas

Gabrielly Gentil
05/09/2026 às 16:52.
Atualizado em 05/09/2026 às 16:52

Em ‘Oceânico’, Pedro interpreta o jovem neurocientista Lucas (Divulgação)

Foi na arena do Bumbódromo de Parintins que Pedro Guimarães teve seu primeiro contato com a arte. Aos 11 anos, aquela experiência despertou nele o sonho de ser ator. Desde então, o amazonense passou pela arquitetura, estudou Artes Cênicas em Brasília, fez teatro em Portugal e chegou à televisão portuguesa. Agora, estreia no cinema brasileiro com “Oceânico”, filme que terá sua première mundial no Festival do Rio, em outubro.

“Oceânico” é dirigido por Guilherme Coelho e acompanha uma equipe de pesquisadores que busca uma forma de tratar a dependência do álcool com o uso de substâncias psicodélicas. No filme, Pedro interpreta Lucas, um jovem neurocientista que faz parte da equipe e acompanha de perto os pacientes envolvidos na pesquisa.

O convite para viver Lucas veio depois de um processo de seleção com quatro etapas.

“Até 2023 tinha feito algumas audições importantes, que vieram através do meu perfil em uma plataforma de atores no Brasil. Depois de tantas negativas, a gente passa a entender que o trabalho é a audição em si e não necessariamente conseguir o papel. O processo foi todo feito à distância e mediado pela diretora de casting do filme, Nínive Kienteca. Quando cheguei na última fase, eu estranhamente já sentia que o papel era meu. Foi a primeira vez que cheguei tão longe num processo”.

A aprovação veio em julho de 2023 e, menos de um mês depois, Pedro já estava no Rio para começar as gravações.

“A experiência foi a melhor possível, o time por trás do projeto está no topo de suas expertises, isso facilitou o trabalho e nos rendeu sets tranquilos, respeitosos e divertidos. Contracenar com Ana Carbatti e Júlio Adrião, ser dirigido pelo Guilherme Coelho e poder, finalmente, saber que eu sou capaz de segurar uma cena foi a validação que eu precisava pra entender que tudo o que eu tinha feito até então tinha valido a pena. Eu vivi um sonho e sabia disso enquanto vivia”.

A preparação para Lucas

Para viver o jovem neurocientista, Pedro passou cerca de um mês em preparação de elenco com Marcelo Gabrowski.

“O processo foi demorado e muito incrível. Chegar na sala de ensaios sem a experiência dos demais foi um pouco intimidador e eu passei alguns dias até compreender que eu estava livre para criar. Acho que senti aquela pressão de competição ou que eu não deveria estar ali e isso deu cabo da autoconfiança. O processo para colocar a cabeça no lugar foi lembrar que eu tinha sido escolhido e merecia estar ali. A partir de então, foi um processo lindíssimo”.

A preparação também incluiu treinamento com uma enfermeira para o manuseio de equipamentos hospitalares, uma visita ao departamento de pesquisa e neurociência da PUC-Rio e participação em reuniões do AA. As experiências ajudaram Pedro a compreender melhor a dependência do álcool e a construir um Lucas mais humanizado.

Além da preparação prática, Pedro também precisou se aprofundar nas pesquisas que estão por trás da história, especialmente sobre o uso da ayahuasca (bebida psicoativa de origem indígena) no tratamento médico.

“Apesar de a Ayahuasca ser um enteógeno e não um psicodélico, o filme segue o caminho de pesquisas sobre o uso de psicodélicos como tratamento médico. Tivemos a oportunidade de ler bastante sobre o assunto enquanto estudávamos o roteiro, algo que o Guilherme já fazia há pelo menos uma década”.

A estreia

Depois das gravações, chegou a hora de apresentar o filme ao público. Para Pedro, estar no Festival do Rio tem um significado que começou antes mesmo de saber que faria parte da seleção.

“Estrear no cinema no Festival do Rio foi algo que manifestei, pra ser honesto. Eu estive como artista credenciado no Festival de 2023 enquanto gravava o filme e eu só pensava “e se a gente também estrear aqui daqui a alguns anos?”. Acho que manifestei em alto e bom som, então, aqui estamos. É a realização de um sonho. DO sonho, na verdade”.

Os próximos passos

A estreia no Festival do Rio chega em um momento importante da carreira de Pedro, mas ele prefere não criar expectativas sobre o que pode acontecer depois do filme. Para ele, o mais importante agora é voltar a trabalhar no Amazonas.

“A um mês do Festival do Rio, eu não consigo sequer pensar no que essa estreia pode fazer pela minha carreira enquanto ator. Eu tento não me iludir com a promessa de que tudo vai mudar pra mim depois desse trabalho ou que eu vou atingir certo patamar... Eu estou extremamente feliz de estar envolvido em um filme que levou pelo menos 12 anos para ser feito. Foi uma honra ter interpretado o Lucas em “Oceânico”, assim como também foi interpretar o Cauã em “Terra Forte”, aqui em Portugal”.

Depois da experiência construída em Brasília e Portugal, Pedro quer levar esse aprendizado de volta ao Amazonas. Entre os planos está a produção de “Curumim”, projeto que pretende gravar nos arredores de Parintins e Nhamundá, ao lado de artistas e produtores locais. Para ele, retornar à terra onde nasceu também significa retribuir a quem ajudou a alimentar seus sonhos de infância.

“Eu, sinceramente, não me importo com os passos que eu der a partir de então contanto que esses passos me façam chegar de novo na minha terra, que me inspira e me dá coragem todos os dias. Eu quero que o Amazonas sinta orgulho de mim, que me reconheça como artista seu, que me abrace e me diga que eu sempre terei minhas raízes aí, não importa onde eu esteja nesse mundo”.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por