Festival Folclórico de Parintins

Boi Mirim Mineirinho abre festival com homenagem ao seu jubileu de ouro

O espetáculo celebrou os cinquenta anos do bumbá e levou à arena uma homenagem a todos que fizeram parte de sua história.

Daniel Brandão
15/06/2026 às 10:17.
Atualizado em 15/06/2026 às 10:17

(Foto: Daniel Brandão)

Com o tema ‘Meio Meio século de história e tradição”, o boi-bumbá mirim Mineirinho abriu a terceira noite do 59ª Festividades Folclóricas de Quadrilhas, Danças e Bois Mirins, no Anfiteatro Sila Marçal em Parintins. O espetáculo celebrou os cinquenta anos do bumbá e levou à arena uma homenagem a todos que fizeram parte de sua história.

Fundado em 1976 por Leonor Freitas da Silva, com o objetivo de criar um boi dedicado às crianças do bairro onde morava, o Mineirinho — o mais antigo dos bois mirins — vem em busca do título de campeão com uma homenagem à história do jubileu de sua fundação, pautando uma apresentação na valorização das crianças, no fortalecimento da identidade cultural parintinense e na sua história e memória.

(Foto: Daniel Brandão)

Para David Arawak, diretor de alegorias do Conselho de Arte do Boi Mirim Mineirinho, o espetáculo foi construído para contar a história e a memória do bumbá, perpassando por momentos marcantes da brincadeira do primeiro boi mirim de Parintins.

"O Mineirinho vai contar os seus 50 anos de história. Vamos relembrar todos os momentos da nossa história, do boi-bumbá que trouxe a brincadeira de boi mirim na época do Bumbódromo, onde ele brincou, até aqui. Principalmente vamos trazer elementos que existiam antigamente no Festival e que hoje em dia não há mais, como o próprio bumbá que era feito com crânio de boi de verdade e com o corpo de paneiro", comentou o conselheiro de arte.

(Foto: Daniel Brandão)

 Estreando no Festival dos Bois Mirins, a Sinhazinha da Fazenda Maria Vitória Reis, de 10 anos, expressou estar realizando um sonho de criança e que essa realização só foi possível com a ajuda de sua família.

"Eu estou me sentindo muito feliz. Eu consegui realizar meu sonho com ajuda de minha família. É por eles que eu consigo e por eles eu estou aqui, muito orgulhosa. Meu irmão é meu coreógrafo, ele quem me ensina a dançar e foi ele quem fez o meu vestido. Toda ajuda que eu tenho é minha família. Sempre quis ser sinhazinha e este ano estou sendo", salientou Maria Vitória Reis.

O espetáculo do boi da Leopoldo Neves

No Anfiteatro Sila Marçal, o espetáculo azul e branco iniciou com a entrada de uma criança caracterizada de dona Leonor Freitas da Silva, a fundadora do Mineirinho, que em um verso que contava a história do bumbá mirim - fundado na rua Leopoldo Neves em Parintins -, deu lugar ao apresentador, que conduziu a apresentação do boizinho mais antigo da Ilha Tupinambarana.

(Foto: Daniel Brandão)

Da história contada em homenagem aos fundadores e da memória dos personagens históricos do Mineirinho surgiu a porta-estandarte Ana Júlia, erguendo um pavilhão que homenageou o jubileu de 50 anos do bumbá mirim azul e branco. Do mesmo módulo alegórico, surgiu a rainha do folclore, Graziele Souza, para sua evolução na arena.

O auto do boi Mineirinho contou com a participação dos tradicionais pai Francisco e Mãe Catirina, além do "boi de caixa". Uma réplica dos primeiros boizinhos da brincadeira de boi mirim. Do auto, a vaqueirada adentrou a arena e trouxe o boi Mineirinho para sua evolução ao, ao lado da sinhazinha da Fazenda Maria Vitória Reis, com um vestido representando o jubileu dos 50 anos do bumbá.

O misticismo tomou conta da arena quando a lenda da Iara se formou como a Lenda Amazônica da noite. Em um dueto entre o levantador de toadas com uma participação especial de uma cantora, a cunhã poranga Alcione Tavares evoluiu, incorporada em mãe d'água, no anfiteatro.

(Foto: Daniel Brandão)

 Dos povos indígenas surgiram os Tuxauas, líderes tribais, dando início ao ritual indígena Apinajé. A batalha do bem e do mal invadiu a arena. Transmutados em homens-morcegos que ameaçam o povo Apinajé. Os seres transmutos são derrotados pelo sol, o pajé Guilherme Beltrão.

Em apoteose final, o boi mirim Mineirinho brincou de boi, se despedindo do público com uma homenagem às toadas antológicas de sua história.

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