etarismo

Cinema amplia protagonismo da terceira idade nas telas

Filmes e séries apostam em personagens acima dos 60 anos para retratar afeto, independência, envelhecimento e desafios como o etarismo

Luyza Rodrigues 
31/05/2026 às 09:10.
Atualizado em 31/05/2026 às 09:11

Denise Weinberg em cena do filme 'O Último Azul' (Foto: Divulgação)

Com o aumento da perspectiva de vida, envelhecer deixou de ser sinônimo de invisibilidade e passou a revelar uma nova aparência para a terceira idade. Essa mudança de padrões começa a finalmente ocupar espaço nas telas com narrativas mais profundas, atuais e realistas. Séries e filmes recentes têm apostado em personagens acima dos 60 anos como figuras centrais de histórias que abordam afeto, independência, desejo, perdas, recomeços e transformação.

Segundo Caio Pimenta, crítico de cinema e fundador do Cine Set, o cinema acompanha as transformações sociais, apesar de ainda serem desiguais. “A cobrança por diversidade se intensificou em todas as áreas da sociedade e o cinema acompanhou este processo. Foi assim com as mulheres, os negros, os LGBTQIAPN+ e também com a terceira idade. Apesar de ainda acontecer de forma desigual, de fato, é possível observar um valor maior de produções com veteranos na indústria”, destaca.

O crítico ainda aponta que esse novo olhar do audiovisual sobre o envelhecimento carrega uma mensagem importante sobre a realidade de uma geração que vive mais, se movimenta e permanece ativa.

“Uma marca comum das produções com idosos na atualidade é colocar eles em movimento. A protagonista de 'O Último Azul', por exemplo, não para quieta, sobe e desce barrancos, embarca em uma jornada rio adentro pela Amazônia. Já em 'Thelma', a personagem vira uma espécie de agente secreto, brincando com os arquétipos do gênero".

Caio Pimenta, fundador e editor-chefe do Cine Set

Cobrança feminina

Ao assistir personagens acima dos 60 anos vivenciando romances, inseguranças e situações do cotidiano, o público encontra na sétima arte uma representação mais próxima da vida real.

"Recentemente, assisti 'O Diabo Veste Prada' com meu filho e não teve como não me enxergar na personagem Miranda Priestly, porque é uma figura mais velha em uma carga de poder dentro do trabalho. Eu nunca fui o tipo de mulher de ficar em casa, sempre trabalhei fora, e o retrato do filme me gerou um tipo de identificação por quebrar essa visão de que, com a idade, nós mulheres nos tornamos mais conservadoras, e só servimos apenas para atividades ligadas à família e à vida doméstica", releva Maria Barbosa, aposentada de 65 anos que costuma acompanhar as estreias do cinema como hobby.

Nesse contexto, mais do que entretenimento, as produções atuais reforçam a discussão sobre os preconceitos vivenciados por mulheres na idade e começam a questionar padrões antigos ao apresentar mulheres maduras como protagonistas de histórias complexas, desejadas, independentes e emocionalmente reais. Para Ivanildo Pereira, jornalista e crítico de cinema, o envelhecimento e o etarismo recai principalmente sobre as mulheres.

"Embora não fale diretamente da terceira idade, o terror 'A Substância' também enfoca o medo de envelhecer e o etarismo da sociedade, especialmente sobre as mulheres. Então, há várias formas de se abordar o tema, e poderemos esperar mais produções sobre isso em breve", finaliza.

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