A TV A Crítica transmite, a partir das 20h, o evento direto da cidade manacapuruense (distante 68 quilômetros em linha reta de Manaus) pelo canal 4.1 em Manaus e em 4k pelo Youtube da emissora.
Ciranda Flor Matizada (Foto: Arquivo/Secretaria de Cultura e Economia Criativa)
Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional disputam o título de campeã do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru, nos dias 28, 29 e 30 de agosto no Parque do Ingá, o Cirandódromo, a partir das 21h. As três agremiações entraram na reta final de ensaios e preparação para as três noites de apresentação. A TV A Crítica transmite, a partir das 20h, o evento direto da cidade manacapuruense (distante 68 quilômetros em linha reta de Manaus) pelo canal 4.1 em Manaus e em 4k pelo Youtube da emissora.
FLOR MATIZADA – ‘WITORIRO: O FUTURO ANCESTRAL’
O Grêmio Recreativo Folclórico Ciranda (GRFC) Flor Matizada, representante do bairro Centro e nas cores lilás e branco, é a agremiação mais antiga da cidade, e possui dez títulos, o último conquistado em 2018. Fundada em meados dos anos 80, na Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, a ciranda abre o festival na sexta-feira (28) com o tema “Witoriro: O futuro ancestral”. Diego Araújo, membro do conselho artístico da agremiação falou sobre a construção do tema.
Ciranda Flor Matizada
“O tema surge das obras: ‘O Futuro Ancestral’ de Ailton Krenak e ‘A incógnita Arapaso: estudo sobre um povo do Alto rio Negro’ de Maria Pederneiras. É a jornada que Honorato faz para construir ‘Witoriro’, cidade que representa o perfeito equilíbrio entre o homem e a natureza. Manelinho, viajando pelo alto rio Uaupés, é levado ao fundo do rio por espíritos das águas. E recebe a missão de conduzir uma cobra-canoa com o povo do fundo das águas em busca dos saberes dos povos amazônicos para ajudar Honorato a construir ‘Witoriro’”, detalhou Diego. O tema foi uma criação coletiva do conselho artístico: Gaspar Fernandes, Janderson Scharff, Márcio Braz, Fabiano Fayal e Diego. A agremiação leva 60 pares de cirandeiros e a preservação do saber é a mensagem para este ano. “É preciso escutar as vozes dos nossos ancestrais. As vozes dos povos amazônicos. A sabedoria não envelhece. Precisamos ouvir os detentores dos saberes sobre ervas, cura, defesa dos animais, das plantas e das águas. Acreditamos que são esses saberes ancestrais que construirão o futuro que sonhamos”, finalizou Araújo.
Guerreiros Mura e o tema ‘Ykawarú: A Cosmogonia do Bem e do Mal Apuricá’
Representante do bairro Liberdade, o GRFC Guerreiros Mura entra no Cirandódromo na noite do sábado (29). A agremiação fundada em 1993 na Escola Estadual José Mota, é a mais nova das cirandas e possui 13 títulos ao longo da história do festival. Em 2026, busca o campeonato com o tema “Ykawarú: A Cosmogonia do Bem e do Mal Apuricá”, inspirado no mito do “O Canto dos Dois Sopros”, do povo Apurinã, oriundos do tronco Aruak. Ailson Amorim, o Papão, cirandista da agremiação, explicou sobre apresentação deste ano.
Ciranda Flor Matizada
“O povo Apuricá habitava a Amazônia Central, formada por Manaus, Manacapuru e Iranduba, há 1.000 anos. Nela habitavam três etnias: Manaós, Barés e Apurinãs, na região de Manacapuru. Apuricás são os Apurinãs de Manacapuru. A apresentação está divida em três atos. O primeiro é a origem da cosmogonia. O segundo ato é a concepção do bem, do mal e do equilíbrio. E o terceiro ato traz o seu Manelinho, protetor dos Rios, a Mãe Benta, a mãe ancestral e Ywauritá, a guardiã da religiosidade e da cultura Apuricá”, explicou Papão.
Nas cores azul e vermelho, a agremiação leva para o Cirandódromo, 58 pares no cordão de cirandeiros.
“O nosso cenário já está sendo produzido. Hoje já estamos com 60% de todo o processo pronto. E nas alegorias já estamos partindo para o revestimento e pintura” disse Papão.
“ A Guerreiros Mura vem trazendo um alerta para a preservação da concepção cultural, quanto da tradição e da religiosidade do povo Apurinã do Amazonas”, complementou o cirandista.
A Guerreiros Mura vem trazendo um alerta para a preservação da concepção cultural, quanto da tradição e da religiosidade do povo Apurinã do Amazonas. Ailson Amorim, o Papão, Cirandista da Guerreiros Mura.
Ciranda Tradicional e o tema ‘Terricídio’
O GRFC Tradicional do bairro Terra Preta, nasceu na Escola Estadual José Seffair em meados de 1985. É a atual campeã do festival com sete títulos. Em 2026, busca o bicampeonato com o tema “Terricídio”, inspirado na obra da escritora e ativista ambiental, Moira Millán, indígena do povo Mapuche. “Na concepção que ela (Moira) herdou do povo Mapuche, surge o conceito de terricídio: a ideia que a Terra, está sendo assassinada, pela maneira como a gente vem tratando desde o início, principalmente da colonização”, explicou Adan Renê, diretor e membro da Comissão de Artes.
Ciranda Tradicional
Renê explicou que “Terricídio” representa um grito. “A ciranda Tradicional se alia a esse pensamento, que não é somente de Moira Milan. Na obra ela vai citar autores indígenas, inclusive brasileiros, como a Ailton Krenak, que falam que a gente está devorando a Terra, ou seja, que o nosso modo de vida é insustentável. E já estamos chegando, inclusive nesse alerta que a Terra está dando, como a mudança dos corais, mostrando que a gente está chegando em um ponto que não vai dar mais para reverter as condições climáticas do planeta”, detalhou o diretor.
Thyago Cavalcante, diretor e membro da Comissão de Artes, detalhou sobre a apresentação da Tradicional no domingo (30). “A apresentação está dividida em três atos: Terra Arrasada, Terra em luta e Terra Renascida, que é pelo que lutamos em nossas temáticas. O painel alegórico tem cerca de 50 metros de cumprimento, nossas maiores alegorias estão girando em torno de 15 a 18 metros de altura”, detalhou o diretor.
A Tradicional leva para a arena em torno de 50 pares no cordão principal, 50 integrantes no cordão de entrada e 16 pares no cordão de figuração. Com o tema “Terricídio” a agremiação aposta no bicampeonato e o oitavo título da própria história. “A expectativa é a melhor possível, estamos vindo para o festival de 2026 como os atuais campeões da festa e faremos todo o possível para manter ou até melhor o nível de nossa apresentação, o torcedor da Tradicional e o público cirandeiro em geral pode esperar novamente uma ciranda gigante, brilhante e vibrante, digna de um bicampeonato”, finalizou Thyago.
"A apresentação está dividida em três atos: Terra Arrasada, Terra em luta e Terra Renascida, que é pelo que lutamos em nossas temáticas", Thyago Cavalcante Diretor e membro da Comissão de Artes da Tradicional.