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Como Barreirinha ‘saiu’ de Parintins e luta pela individualidade no folclore

O Festival Folclórico que acontece neste final de semana mostra que , para além das similaridades, tem forte tradição em narrar vida e modos locais

Isabela Pina
25/08/2023 às 19:20.
Atualizado em 25/08/2023 às 19:20

Galpão do Touro Preto, em Barreirinha (Foto: Larissa Martins)

O que você vai ler:

  • A luta pela individualidade do Festival de Barreirinha
  • A história de rivalidade local
  • Detalhes técnicos do festival que acontece neste final de semana

Azul e vermelho, branco e preto. Um par de chifres com um tripa embaixo. Tem cunhã, tem pajé. Tem galera também. Todos os caminhos que percorrem a superficialidade do Festival Folclórico de Barreirinha tenta contar uma história que parece já ser muito conhecida pelo mundo: o Boi Bumbá. Mas às margens do Rio Andirá, A CRÍTICA vem entender: mais do que aproximar, o que distancia Barreirinha de Parintins?

É difícil separar as duas histórias. Impossível, aliás. Uma vez que Touro Preto já foi Caprichoso e Touro Branco Garantido, uma vez que promessas narram suas fundações e Lindolfo Monteverde pincela também a instituição da cultura popular em Barreirinha. Mas nas entrelinhas, pelas ruas e avenidas de Barreirinha, quem já viveu Parintins e conversa com os “arirambas” - moradores locais - apenas, sente. 

“Pra fazer um touro, além do dinheiro, claro, também existe o amor, a paixão. E, principalmente a rivalidade. A gente não quer ficar por baixo do touro contrário” conta Eliton Beltrão, diretor do Conselho de Artes do Touro Preto.

Eliton Beltrão, diretor do Conselho de Artes do Touro Preto

O diretor de arena do Touro Branco, Augusto Ribeiro, explica Barreirinha como um festival que “Ainda está na simplicidade da sua gente. É um festival moldado no amor, feito no coração. Ele não mede esforços econômicos. E sim, a colaboração de todo mundo”.

Diretor de arena do Touro Branco, Augusto Ribeiro

Luta pela individualidade 

O Festival Folclórico, que chega à sua 33ª edição neste final de semana, luta para assumir sua individualidade, mas sem se distanciar da sua história. O primeiro passo foi lá atrás, ao abraçar a figura do Touro como totem. Na pluralidade da comunidade, entre ribeirinhos, indígenas e quilombolas, Barreirinha quer introduzir às apresentações itens e figuras típicas que remetam à sua imagem e semelhança. 

“As semelhanças não podem ser contestadas. Quando se fala em Boi, se fala em Parintins. Mas Barreirinha tem sua tradição. Tem seus 33 anos de festival e evoluiu com sua própria identidade, junto aos touros, junto às suas raizes, para valorizar a comunidade. E essa evolução é gradual, mudar uma cultura é complexo. Algumas figuras típicas, no contexto de arena, já estão começando a formalizar uma ideia para não sejamos uma cópia de Parintins. Trabalhamos uma ideia pra inserir personagens da nossa própria cultura, da nossa cidade, do nosso povo” revela o secretário de cultura, Eronildo Mesquita.

Secretário de cultura de Barreirinha, Eronildo Mesquita

Irmã mais nova

Não há como negar que, apesar de diferentes, Barreirinha e Parintins dividem certa genética. Para os familiarizados com a Ilha Tupinambara, na Princesinha do Paraná do Ramos também existe um “racha” na cidade por bairros e seus amantes de touros. Na Baixa do São Geraldo, como o nome sugere, vive o Touro Branco. Em Santa Luzia, o Touro Preto. 

Quando o assunto é arena, quase todos os aspectos qualificatórios se repetem. Uma diferença importante é que eles se enfrentam em apenas uma única noite, ao contrário das três em Parintins. Outra diferença é que eles não contam 'Povos Indígenas' e 'Lenda Amazônica' como itens oficiais: Por enquanto …

O Festival teve início nesta quinta-feira (24) com a festa de “Encontro das Torcidas” e segue até sábado (26), quando acontece o confronto direto dos touros.

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