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Documentário revela lado íntimo de Milton Hatoum

Em entrevista ao BEM VIVER TV, Marcelo conta que a ideia do documentário nasceu a partir da convivência com o escritor durante o processo de adaptação de "Relato de um Certo Oriente” para o cinema

Gabrielly Gentil
16/05/2026 às 09:26.
Atualizado em 16/05/2026 às 09:26

A ideia do documentário surgiu da convivência com o escritor durante a adaptação de ‘Relato de um Certo Oriente’ para o cinema (Foto: Ernesto Soto/Divulgação)

Antes de se consolidar como um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, o escritor amazonense de raízes libanesas Milton Hatoum chegou a se aventurar como vocalista em uma banda de rock’n’roll em Manaus. Essas e outras curiosidades integram o documentário “Um Escritor Entre Dois Mundos”, do cineasta e amigo de longa data Marcelo Gomes, que revisita aspectos pouco conhecidos de sua vida. A obra tem estreia prevista para 2028.

Em entrevista ao BEM VIVER TV, Marcelo conta que a ideia do documentário nasceu a partir da convivência com o escritor durante o processo de adaptação de "Relato de um Certo Oriente” para o cinema. Segundo ele, as conversas com Hatoum revelaram reflexões sobre literatura, Brasil e a experiência de viver entre os universos amazônico e libanês, o que despertou o interesse em retratar sua trajetória em um novo filme.

FASE INICIAL

O documentário está em fase de produção, e as filmagens foram iniciadas a partir da posse do escritor na Academia Brasileira de Letras (ABL). Marcelo adianta que as gravações devem ocorrer em diferentes locações, como Amazônia, Líbano, Manaus e São Paulo.

A obra busca construir um retrato mais pessoal de Hatoum, acompanhando momentos-chave de sua trajetória, como a juventude em Manaus, quando foi vocalista de uma banda de rock’n’roll, a ida para Brasília para estudar literatura, os momentos de intimidade em casa e a solenidade de sua posse na ABL.

“Enquanto acompanhamos esses momentos de sua vida, o escritor também reflete sobre os espaços que habitou, a literatura e a própria condição do mundo atual. O documentário propõe um trânsito entre presente e passado, atravessado pelas camadas de memória que marcam sua escrita, em um movimento de visita a lugares e lembranças”, descreve Marcelo.

ENCONTRO DE DOIS MUNDOS

A Amazônia, segundo o cineasta, não aparece apenas como cenário, mas como personagem na obra de Hatoum, distante de uma representação exótica e tratada como espaço dramatúrgico. A narrativa também percorre um vale no Líbano onde viveu o pequeno lugarejo da família do escritor.

“O documentário tem espaços que têm a ver com memória e alteridade. A memória como uma força formadora da identidade cultural de Milton, e a alteridade que nasce do encontro entre essas duas culturas — a do Rio Negro e a do Mediterrâneo, a dos caboclos amazônicos que passavam pela casa dele e a dos imigrantes libaneses, que é a sua família. E isso é singular na obra de Milton, esse encontro de dois mundos”.

Marcelo também destaca a expectativa de ampliar o alcance da obra entre leitores e não leitores. “Eu espero que o público leitor descubra o que vai além dos livros de Milton, e o público não leitor descubra um ser humano maravilhoso, um filósofo magnífico, alguém que reflete sobre a condição do mundo, sobre questões políticas atuais, sobre o Brasil e sobre viver no Brasil, além de uma pessoa que nos ensina muito sobre a vida. E, a partir daí, essas pessoas que não conhecem sua obra se interessem por ela, que eu acho fundamental na literatura brasileira”, conclui o cineasta.

UMA GRATA SURPRESA

Para o escritor, é uma honra ter sua trajetória retratada pelo olhar de Marcelo. “Essa proposta me surpreendeu, mas foi uma surpresa que me deixou bastante feliz. Marcelo fez uma belíssima adaptação do romance ‘Relato de um certo Oriente’. É um dos grandes cineastas brasileiros, e um dos mais premiados, aqui e no exterior. Portanto, tive sorte”.

“O documentário está em andamento. Ele já me entrevistou em São Paulo e filmou a cerimônia da minha posse na Academia Brasileira de Letras, incluindo uma conversa com Ailton Krenak. A ideia dele é filmar em Manaus e no Líbano. Por enquanto, só podemos ir a Manaus, pois o Líbano está sendo covardemente bombardeado e destruído”, complementa o escritor.

O projeto está em fase de captação de recursos. A expectativa é concluir essa etapa ainda este ano, realizar as filmagens que faltam no próximo, incluindo viagens com Milton, e lançar o documentário em 2028.

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