Para conquistar o papel, a artista passou por audições em Salvador e em São Paulo
(Foto: Divulgação)
A força e a delicadeza de uma das maiores vozes da música brasileira ganham o palco, a partir de 6 de março, em São Paulo, com a estreia de “Gal - O Musical”. O espetáculo revisita a trajetória de Gal Costa sob uma perspectiva poética e sensível, com direção de Marília Toledo e Kleber Montanheiro, e traz a atriz e cantora amazonense Walerie Gondim no papel principal.
Para Walerie, interpretar Gal é mais do que um desafio artístico: é um encontro de trajetórias. “Para mim, de fato, é uma grande honra e uma alegria interpretar ela, especialmente porque eu venho construindo uma história com essa figura, efetivamente, desde o ano passado, quando eu comecei a interpretar ela no Djavan”, contou ao BEM VIVER TV deste fim de semana.
A atriz relembra que já era fã da cantora, mas que o mergulho mais profundo na obra e na história da artista ampliou sua admiração e senso de responsabilidade.
“Eu, de fato, assumo isso com muita responsabilidade nesse momento, mas também com muita tranquilidade que eu estou nesse momento aqui onde eu deveria estar. Eu me sinto muito firme nessa missão e encaro essa missão com muita leveza também, com muita diversão”, afirmou.
Para ela, revisitar Gal é também devolver ao público a doçura e a força que a cantora representou - e ainda representa - para a cultura brasileira.
Seleção
O caminho até o papel principal foi longo. Walerie passou por audições em Salvador e em São Paulo, em um processo seletivo criterioso. “Foi realmente um processo grande, longo, mas entendo muito que necessário também, porque a gente tem uma equipe muito comprometida, muito séria de produção e de criativos”, explicou.
Segundo ela, a consistência da pesquisa e a verdade apresentada nos testes foram determinantes. “Tudo que a gente deseja como artista é um reconhecimento do nosso trabalho a partir do que, de fato, a gente tem como potência”.
Em meio aos ensaios, a construção da personagem segue em transformação. O espetáculo propõe uma linguagem menos convencional para uma biografia musical, explorando diferentes estados emocionais e relações vividas por Gal ao longo da vida.
“São muitos estados diferentes, então encontrar as diferentes nuances dessa personagem e dessa figura que foi Gal, que era uma pessoa muito reservada e que falava muito pouco sobre a própria vida, está sendo um processo de descoberta mesmo”, revelou Walerie.
Sobre o que o público pode esperar, a atriz adianta que não se trata apenas da intérprete consagrada dos grandes sucessos. “As pessoas podem esperar uma Gal que elas talvez não conheçam tanto. É uma Gal que passou por muitas coisas na vida, muitos momentos felizes, mas muitos momentos difíceis também. É uma Gal com muitas camadas”, disse - destacando que há, também, traços pessoais nesse encontro artístico, numa troca entre legado e identidade.
Direção
À frente da direção, Marília Toledo explica que o ponto de partida foi a dramaturgia. “Dirigir um espetáculo sobre Gal Costa exige muita sensibilidade e responsabilidade por se tratar de uma das maiores cantoras do mundo. As escolhas partiram da dramaturgia. A gente criou uma dramaturgia não muito convencional, por ser uma biografia”, afirmou.
Conforme ela, a narrativa acontece a partir da mente da própria Gal - é como se tudo estivesse dentro da cabeça da artista.
Marília também não economiza elogios à protagonista. “Para começo de conversa elas são parecidíssimas fisicamente. A Walerie tem uma semelhança física com a Gal tremenda. E um jeito muito ao mesmo tempo tímido, ao mesmo tempo maroto, que a Gal tinha também”, destacou.
Para a diretora, Walerie reúne potência vocal, sensibilidade dramática e uma capacidade rara de interpretar nuances, qualidades essenciais para dar vida a um ícone dessa dimensão.
Mais do que revisitar sucessos conhecidos, o musical percorre diferentes fases da carreira da cantora, do início nos anos 1960 até seus últimos momentos nos palcos. Para Marília, a montagem também cumpre um papel de formação cultural, especialmente para os jovens.
“Eu tenho certeza absoluta que ‘Gal - O Musical’ vai ser muito importante, principalmente os jovens conhecerem a trajetória da Gal Costa, entenderem de onde ela partiu, entenderem um pouco sobre o tropicalismo e terem desejo de pesquisar sobre não só a própria Gal, mas Caetano, Bethânia, Gil, Tom Zé. A gente traz desde 60 até um pouco antes dela falecer, então eu acho que é uma gama bem interessante de canções que mostram facetas dela e que os jovens vão poder conhecer e admirar”.