“Jamary” marca a estreia do ator na direção
(FOTO: Divulgação)
Após mais de dez anos de trajetória como ator, o amazonense Begê Muniz dá um novo passo em sua carreira ao estrear na direção de longas-metragens com “Jamary”. O filme, que já nasce com reconhecimento internacional ao ser selecionado para o Philadelphia Latino Arts & Film Festival (PHLAFF), na Filadélfia, marca uma virada criativa do artista, que, agora, também assume o papel de contar suas próprias histórias por trás das câmeras.
A transição, segundo Begê, aconteceu de forma natural, impulsionada pelo desejo de explorar novas possibilidades dentro do audiovisual. “Para mim foi natural. Eu já tinha mais de dez anos de carreira como ator, com filmes em festivais internacionais, novelas na TV Globo e série da Netflix. Então, decidi começar a escrever minhas histórias, contar elas pelo ângulo do roteiro e direção”, explicou ao BEM VIVER.
“Jamary” surgiu, inicialmente, como um curta-metragem produzido em 2021. Durante as gravações, no entanto, o diretor percebeu o potencial da obra para se transformar em um longa. A proposta do filme é dialogar com a defesa e preservação da Amazônia, utilizando uma linguagem acessível e elementos do cinema fantástico, além de referências à cosmologia indígena da região.
A ideia, de acordo com Begê, é alcançar um público amplo, indo além do circuito tradicional do cinema independente. O longa busca ser uma obra familiar, capaz de dialogar com diferentes gerações e perfis de espectadores, sem perder a identidade amazônica.
Trajetória
O caminho até a realização de “Jamary”, contudo, não foi simples. Begê Muniz destaca que a produção de um longa exige um nível de complexidade muito maior, desde o desenvolvimento do roteiro até a captação de recursos. “Um longa-metragem realmente é um trabalho muito mais denso. Passamos por laboratórios como o Cinemundi e o Curitiba Lab, além de editais públicos. O orçamento é muito menor que o convencional, mas com a colaboração da equipe, amigos, família e comunidade conseguimos realizar”, afirmou.
A trama do longa acompanha a jornada de uma menina perdida na floresta amazônica, explorando elementos do realismo fantástico e o universo cultural originário. A narrativa aborda a importância da preservação ambiental, a relação com a tecnologia e a ressignificação da floresta, trazendo um suspense que visa denunciar questões como queimadas e desmatamento.
De acordo com o diretor, a experiência como ator também teve papel fundamental na condução do elenco. Begê reuniu profissionais que fizeram parte de sua trajetória e apostou em um processo cuidadoso de preparação, especialmente com os protagonistas infantis. “Fizemos uma oficina de testes e a escolha foi certeira. Com a preparação de elenco da Eliza Telles, construímos os personagens em dois meses de ensaios, principalmente com as três crianças que conduzem a história”, destacou.
A seleção de “Jamary” para um festival internacional representa, para o diretor, o reconhecimento de um trabalho construído ao longo de quatro anos. Além disso, simboliza a possibilidade de dar visibilidade ao cinema produzido no Amazonas, ainda pouco presente no circuito global.
Mesmo com a estreia na direção, Begê não pretende abandonar a atuação. Pelo contrário: ele vê essa nova fase como uma expansão de possibilidades dentro da carreira artística. O ator já tem novos trabalhos a caminho, incluindo o filme “Sedução”, dirigido por Zelito Viana, no qual contracena com nomes consagrados do cinema brasileiro.
Para ele, o momento é de celebração e continuidade. “Busco seguir nos dois. Me sinto empolgado nessa expansão de carreira”, encerrou.
O PHLAFF ocorre de 24 de maio a 5 de julho na cidade norte-americana. Para mais informações, basta acessar: https://www.phlaff.org/.