Inaugurada no dia 18 de julho, a Acué ocupa um espaço na Rua Jonathas Pedrosa, 150, Centro de Manaus
(Foto: Gengo/Divulgação)
Toda cidade guarda histórias nas ruas, mas algumas precisam de espaços para permanecer. Em Manaus, a Galeria Acué nasce a partir desse desejo: criar um lugar onde a arte produzida por artistas independentes possa ser reunida, compartilhada e preservada, aproximando processos criativos do público e fortalecendo os caminhos da produção cultural amazônica.
Inaugurada no dia 18 de julho, a Acué ocupa um espaço na Rua Jonathas Pedrosa, 150, Centro de Manaus, e se apresenta como mais do que uma galeria. Entre obras, encontros e possibilidades de criação, o endereço propõe funcionar como galeria, acervo e casa, construindo uma memória coletiva para artistas que movimentam a cena local e ajudando a manter essas produções próximas do território onde nasceram.
Segundo Ariel Saab, idealizador e arquiteto, a ideia nasce em 2023 por meio de um coletivo de pessoas com as mais variadas profissões. “A gente é um coletivo de pessoas da cena da música eletrônica, artistas visuais, da moda e tivemos essa ideia de ter um espaço físico para a gente poder ter uma plataforma de oportunidades para conseguir incentivar a produzir e ter visibilidade, por que sabemos que é difícil ocupar espaços. É importante que a gente consiga descentralizar esse monopólio, conseguir levar dinheiro para essa vanguarda artística”, explica.
A partir dessa vontade, Ariel coloca a própria casa, herdada pela bisavó, como o espaço para dar voz a cultura, passando por reformas para o novo uso do local. Saab conta que a Acué não pode ser definida como uma coisa só: é uma hora galeria e outra espaço para ondas sonoras ganharem vida. “Aqui também é um local para quebrar preconceitos. Por ser uma área mais periférica, as pessoas não pesam quanta arte e vida podem ter ainda as ruas do Centro”.
PRIMEIRA EXPOSIÇÃO
A primeira exposição da Galeria Acué também olha para dentro de casa. As fotografias de Gengo registram o processo de transformação do espaço, que antes funcionava como um porão, e revelam, entre paredes, azulejos e mudanças estruturais, as muitas mãos que ajudaram a construir o novo endereço da arte em Manaus.
Para Ariel Saab, a escolha também representa uma forma de reconhecer a beleza presente no próprio processo de construção. “A princípio, aqui era um porão e, se você perceber nas fotos, temos o antes e o depois. Durante esse processo, o Gengo esteve presente comigo, fotografando as etapas. Temos o seu Jorge, que colocou os azulejos, fez os encaixes, os cortes, e isso é uma forma de arte”, explica.
(Foto: Divulgação)
Mais do que documentar uma reforma, a exposição propõe um olhar para profissionais que muitas vezes permanecem invisíveis depois que uma obra é concluída. O registro fotográfico transforma o cotidiano do trabalho em memória e evidencia a técnica por trás de cada detalhe que compõe o espaço.
“Durante uma construção de um apartamento muito chique, não temos esse contato com o pedreiro, mas a gente vê que esse trabalho é uma arte. Ele é um artista, e mostrar todo esse processo através das fotos expostas é uma forma de reconhecer isso”, destaca Ariel.
COLABORAÇÃO
Mais do que reunir obras, a Galeria Acué pretende funcionar como um ponto de encontro para quem produz arte em Manaus. A proposta é manter as portas abertas para ideias, eventos e iniciativas que possam aproximar artistas independentes do público, criando também novas possibilidades de circulação e sustentabilidade para a produção local.
“O nosso espaço é um local colaborativo. Vamos abrir um Google Forms para as pessoas escreverem ideias e eventos. A ideia é que sempre estejamos abertos para a classe artística, principalmente para os artistas independentes, que ficam à margem em questão de divulgação”, afirma Ariel Saab.
A partir dessa abertura, a galeria busca transformar o espaço físico em uma rede de possibilidades, onde a arte também possa encontrar caminhos para se sustentar.
“Temos uma possibilidade infinita. Podemos abrir o espaço e até gerar renda para os artistas, conseguir fazer alguém comprar uma obra, uma foto e gerar esse retorno”, destaca Ariel”.